
O nosso controle
“Ganhei paz quando entendi que qualquer coisa que está fora do meu controle deve estar fora de minha mente”.
Deparamo-nos com essa frase nas mídias sociais, mas não descobrimos o autor dela. Que renovadora ela poderá ser em nossa vida, quando as reflexões calam fundo no nosso coração remetendo-nos ao mestre Jesus.
Vejamos. Por acaso conseguimos ter controle sobre nossos sentimentos ruins como a raiva, o ódio, o orgulho, o ciúme, a inveja, a ganância, a vaidade? Mas como? E é possível?
Os Espíritos Superiores nos enviaram um recadinho sutil em resposta a uma questão feita por Kardec, respondida por intermédio de médiuns qualificados em o Livro dos Espíritos:
Questão 909: O homem poderia sempre vencer as suas más tendências pelos seus próprios esforços?
– Sim, às vezes com pouco esforço, o que lhes falta é vontade. Ah! Como são poucos os que se esforçam!
Está claro que nossas más tendências saem fora de nosso controle porque deveríamos ter empregado nossa força de vontade para eliminá-las de nossa mente e não o fizemos. Por que será?
André Luiz expande o que os Espíritos Superiores sintetizaram tão bem na questão citada no capítulo 3 – A casa mental – da obra “No Mundo Maior”. Vejamos o que ele ensina:
No nosso sistema nervoso, temos o cérebro inicial, dos instintos e atividades subconscientes, dos fatos da vida; temos o córtex motor, das energias motoras para o agora; e temos os lobos frontais, a parte mais nobre, ainda a ser mais estudada pela ciência.
–Não podemos dizer que possuímos três cérebros simultaneamente. Temos apenas um que, porém, se divide em três regiões distintas. Tomemo-lo como se fora um castelo de três andares: no primeiro situamos a “residência de nossos impulsos automáticos”, simbolizando o sumário vivo dos serviços realizados; no segundo localizamos o “domicílio das conquistas atuais”, onde se erguem e se consolidam as qualidades nobres que estamos edificando; no terceiro temos a “casa das noções superiores”, indicando eminências que nos cumpre atingir. Num deles moram o hábito e o automatismo; no outro residem o esforço e a vontade; e no último demoram o ideal e a meta superior a ser alcançada…
Ao longo das nossas encarnações, ficamos presos a hábitos que nos escravizam até hoje, em muitos casos. Estivemos viciados em nossas más tendências sem as controlar, então precisamos reconhecê-las e dominá-las, pois nosso cérebro, como vimos acima, tem essa qualidade no lobo frontal que pode inibir as nossas tendências negativas. Sobre nós mesmos temos a capacidade de controle. A paz é saber controlarmo-nos, a paz é quando conseguimos fazer todo o bem que pudermos, é a meta superior a ser alcançada. É o entendimento daquele que aprendeu que está aqui para a servir ao todo.
Jesus dizia que somos Deuses, mas também: ajuda-te que os céus te ajudarão. A paz que iremos adquirir é do que temos o controle de mudar, transmutar, evoluindo sempre.
O que está fora de nosso controle então? O livre-arbítrio de outros e suas consequências, já o nosso livre-arbítrio é de nosso controle e com as devidas consequências, e é o poder que o Criador nos proporcionou para a nossa evolução.
Nossos filhos, por exemplo, estão sob nossa tutela enquanto dependentes, e temos uma enorme responsabilidade sobre eles, mas chega um ponto em que eles precisam voar sozinhos e viver suas vidas, pois são dotados de livre-arbítrio, logo, a nossa paz está em termos feito o melhor que sabíamos fazer e o que eles decidem é por conta e responsabilidade deles. Não vamos complicar a vida, perdendo a paz. Certamente estaremos prontos a ajudá-los e sejamos ingênuos de pensar que pais não se preocupam e sofrem com os problemas dos filhos, mas podemos usar a lógica e razão de nosso Criador, de um observador amoroso que tem a paciência de assistir os desdobramentos educativos das ações dos filhos sem interferir no livre-arbítrio, mas confiando e incentivando-os com o que for possível, mas sobretudo, orando, pedindo muito aos Céus por eles.
Se os pais ficam com os problemas dos filhos na mente 24h por dia, esses pensamentos geram energias deletérias que só irão prejudicar mais a todos.
Qualquer problema advindo das más escolhas de muitos ao mesmo tempo, como no caso de nosso Brasil, agora, é responsabilidade de cada um de nós resolvermos com nossas ações absolutamente éticas e cristãs, para que esse problema saia de nossa mente que cria formas deletérias para a psicosfera geral, pois fizemos todo o bem que podíamos, então, deve ficar fora de nossa mente, porque agora o problema está a cargo da harmonia do Universo do Criador. Entreguemos a Deus!
Maria Lúcia Garbini Gonçalves
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