
O clamor dos Espíritos
Os acontecimentos incomuns ocorridos em Hydesville, vilarejo situado próximo da cidade de Rochester, Estado de Nova Yorque, foi, sem dúvida, o “despertar” de uma parte reduzida da Humanidade para os fenômenos de comunicação com os espíritos. Nascia ali o Novo Espiritualismo (Modern Spiritualism).
A advertência de Jesus a respeito da comunicação dos espíritos consoante narra o evangelista Lucas[1] “Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão”, hoje à luz da Doutrina Espírita, faz-nos precioso sentido, pois o Mestre aludia que chegado o tempo de nosso amadurecimento espiritual novas luzes se fariam. “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.[2] E muito bem anotado pelo vidente de Patmos “Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora.”[3] .
Ao tempo de Jesus os mortos eram colocados em sepulturas abertas nas pedras, a referência de Jesus seria absurda se entendêssemos que Ele estava se referindo literalmente às pedras. Mas, não, na verdade Jesus disse:- Se estes se calarem (os discípulos), os mortos (os que estariam nos túmulos, os espíritos) clamarão. [4]
A comunicabilidade com os espíritos, que são a alma dos homens que viveram na Terra, sempre aconteceu no decurso da História das civilizações, entretanto apenas a partir da década de 1840 aconteceram fatos que despertaram a atenção não só dos homens comuns, mas de todo um “corpo intelectualizado” e aptos a investigação inquietante .
Charles B. Rosma (ou Joseph Ryan), o Mascate assassinado, ao apagar-se do mundo dos homens indicou a perfeita possibilidade de se comunicar com os chamados vivos, anunciando o mundo espiritual e o intercâmbio das criaturas de maneira inconteste. Margareth Fox, a mãe das irmãs Fox indaga-lhe: Você é um espírito? Se for dê duas batidas!
A partir de então mais um véu rompeu-se e as vozes do além nunca mais se calaram. A comunicabilidade entre os espíritos já não surpreende mais. Mas, os apelos dos imortais ainda não são atendidos de forma razoável por nós, criaturas plenamente identificadas com a materialidade da vida e atadas aos grilhões do mundo.
Mentes fixadas em quadros de posses, apegos, desamores, descrenças, sem o menor compromisso com o inevitável “Retorno” à casa do Pai, esquecemos, por diversas vezes, que mergulhamos no mundo da matéria a fim de assimilar e exercitar as lições reparadoras, renovadoras e divinas, objetivando o nosso reajustamento às Leis Imutáveis e sábias de Deus.
Embora alguns de nós reencarnamos compulsoriamente, ninguém fica sem o amparo e a proteção direta e indireta de profundos afetos que do Mundo espiritual velam por nós. Muitos deles renunciam o “Céu” para nos levar ao “aprisco do Pai”. Estão conosco nos momentos da dor, da alegria, das provações e nos testemunhos de fé. Vibram com o nosso crescimento moral e espiritual. Movem as forças celestes a fim de modificar o tônus do nosso sentimento.
Os laços de afetos são os que nos permitem a reencarnação. Sem alguém que nos ame seria quase impossível suportar as provas da vida terrena.
Quantos Benfeitores estão diretamente ligados ao nosso coração e sofrem a cada vez que vacilamos, retardamos ou estacionamos na marcha evolutiva.
As cristalizações mentais impedem que vislumbremos novos caminhos e possibilidades de superação. Estamos sempre cometendo os mesmos erros, vícios e continuamos o mesmo “Homem Velho” não obstante em corpos novos. As cristalizações da nossa mente demoram-se anos para se formarem e impactam o mesmo período de tempo para desconstruí-las.
É certo que com o nosso pensar criamos, projetamos e vibramos emoções variadas e as anomalias de ordem mental derivam do desequilíbrio da alma viciada em ondas menos elevadas de sentimentos. O clamor dos Espíritos continua a ser ouvido por alguns de nós e o convite do momento é de buscar acalmar-se, pacificar conflitos de todas as ordens. Não nos esqueçamos que somos espíritos vivenciando uma experiência na matéria.
É tempo de evangelizar-se e hora de entender: Somos Espíritos!
– Você é um espírito? Se for dê duas batidas.
Soem os tambores, pois aqui estamos a caminho da nossa redenção! Ave Cristo! Os que vão viver eternamente te saúdam!!
Jane Maiolo
Referências bibliográficas:
1- Lucas 19:40
2- João, 14:26
3-João, 16:12-13).
4-Palhano Jr., Lamartine -Meninas do Barulho- A história real das Irmãs Fox de Hydesville.2ª edição revisada e ampliada-Instituto Lachâtre 2013.
Imagem em destaque disponível no site <http://cineinblog.atarde.uol.com.br/?tag=chico-xavier>. Acesso em 01MARÇO2015.
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