
Se soubessem não o fariam
A grande responsável pela onda de violência é a ignorância plena de nossa verdadeira natureza.
Inicio a abordagem utilizando-me do lamentável fato das mortes, em número expressivo, nas madrugadas das capitais e outras cidades de expressão, mas o mesmo raciocínio pode ser aplicado aos que roubam, estupram, violentam, planejam sequestros e roubos, invadem residências e torturam pessoas, desviam verbas, corrompem. E cabe também aos que manipulam bastidores para obter vantagens, chantageiam, pressionam com abu-sos, torturam emocionalmente, aos que tripudiam sobre a liberdade alheia.
E não escapam os que se afundam na vaidade, na prepotência, na arrogância, julgando-se melhores ou mais importantes que os outros, desprezando e espezinhando pessoas, sob alegações variadas, no abuso de cargos, poderes, status ou posição.
Não há dúvida que há graus variados de atuação, mas todos gerando consequências no futuro. E não é castigo, é meramente consequência.
Sim, consequência dos desatinos que a consciência cobrará reparação.
Nunca é castigo. A vida não castiga, mas exige justiça, mais cedo ou mais tarde.
Todo mal que fizermos a nós mesmos ou ao próximo, teremos que reparar. Seja ele físico, patrimonial, emocional, moral ou por meio de tragédias que matam e destroem famílias inteiras.
É que há uma lei geral para a vida: o amor. E o desrespeito à lei gera consequências que devem ser reparadas.
Então, se soubessem os homicidas, os traficantes, os corruptos, os assaltantes ou margi-nais, que torturam, matam, corrompem, roubam, desviam dinheiro, verbas para interesse próprios, indiferentes aos desdobramentos de seus atos, se soubessem o que cavam pa-ra si mesmo ou as lágrimas e aflições que os aguardam no futuro, não o fariam. E é preci-so repetir: isso não é castigo, mas simplesmente consequência gerando cobrança da consciência que exige reparações do mal que geramos. E isto é sinal de aflição futura. É como o aluno relapso que precisa repetir o programa escolar até aprender.
Muitas vezes julgamos o homicida com rigor e esquecemos os crimes da calúnia, da cor-rupção, da tortura moral ou da chantagem emocional sobre pessoas, que igualmente são crimes que a consciência exigirá reparação um dia, por termos sido causa do sofrimento de alguém ou impedimento para a harmonia geral da sociedade.
Sejamos mais conscientes de nosso papel como seres racionais. A vida não é uma brin-cadeira de “toma lá, dá cá”. Também não é um passeio turístico e está muito além das frágeis aparências que nos situamos. A vida é compromisso de aperfeiçoamento e pro-gresso, com o dever de nos estendermos as mãos uns aos outros. Nossa omissão, indife-rença ou agressão de qualquer espécie retornará ao nosso próprio caminho. Nada mais justo: como autores de consequências danosas para alguém, muito natural que colhamos os resultados. Melhor, pois, abrir os olhos com nossa liberdade.
E como iniciei a abordagem falando sobre a ignorância de nossa verdadeira natureza, melhor que saibamos que não somos o corpo, estamos nele. Iludidos pela versão mate-rialista do ter, esquecemo-nos de ser. E isso gera essa onda de violência em todos os níveis que presenciamos diariamente. Desde a falta de atenção e gentileza até as tragé-dias dos homicídios.
Orson Peter Carrara
Nota do Editor:
Imagem em destaque disponível em < http://ninefinestuff.com/wp-content/uploads/2014/11/qw.jpg >. Acesso em 30MAI2015.
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