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Perigo desnecessário, pelo Espírito Ignotus

agosto 18, 2015

A senhora vivia num bairro elegante, no último andar do edifício que mandara construir.

Rica, em plena madureza orgânica, fruía a felicidade transitória que os bens materiais podem proporcionar.

Cercada por amigos, que também eram seus inquilinos, gozava o prazer, descansava, vivia regaladamente sem preocupações.

O esposo, que era médico em outra cidade, volvia ao lar somente nos fins de semana. O filho, já adulto e casado, visitava-a com frequência. Possuidor de caráter violento, instava com a genitora para que ficasse com um revólver, a fim de defender-se de algum delinquente. Esclarecia que ela vivia praticamente a sós, num apartamento com peças e joias de alto preço, e o revólver podia tornar-se um providencial amigo, num momento em que fosse surpreendida por algum bandido.

A senhora se escusava aceitar a oferta, enquanto o filho insistia.

Por fim, aquiesceu.

Guardou a arma carregada com o firme propósito de não a utilizar nunca.

No mesmo bairro havia uma favela.

Quando algumas crianças do atormentado núcleo humano descobriram a piscina elegante do luxuoso edifício, passaram a fazer sortidas ocultas, a princípio, depois, menos formalmente, quando lhes aprazia.

Os inquilinos protestaram, a polícia foi notificada, no entanto, a criançada maltrapilha insistia, burlava a vigilância, perturbava…

Informada pelas constantes reclamações, a senhora desculpava os menores, sorria, prometia tomar novas providências.

Como as queixas prosseguissem, saturou-se, entrando em estado de irritação.

Certa manhã em que as pessoas saíram para as suas tarefas externas, a senhora se deu conta da burla infantil, da algazarra, no térreo, veio à varanda, e, ao contemplar a alacridade e tumulto dos pequenos, desequilibrou-se.

Gritou, xingou, ameaçou… Nada conseguiu.

A meninada redobrou doestos e mergulhos nas águas tratadas.

Recordou-se do revólver. Foi buscá-lo com o fim de os assustar.

Mostrou-lhes, do alto, a arma, e voltou a ameaçá-los.

Ante o objeto perigoso as crianças debandaram, amedrontadas.

A dama sorriu, compreendeu a validade da arma e pôs-se a correr pelas varandas externas que circundavam o apartamento.

Descobrira uma forma exitosa para afugentar o aborrecimento.

Nesse ínterim, tropeçou e caiu.

A arma disparou.

A bala ricocheteou na borda da piscina e alcançou um pequeno de oito anos que teve morte instantânea.

Desespero, angústia, presença policial.

Foi indiciada, julgada e condenada.

Os jornais fizeram estardalhaço.

A defesa não conseguiu provar o acidente.

A dama foi encarcerada por largos anos e uma criança teve a vida ceifada, graças à desnecessária presença da arma perigosa.

* * *

Não te armes com os instrumentos que geram o crime e a desgraça.

Unge-te de fé e defender-te-ás.

Quem crê em Cristo já passou da morte para a vida.

O mal nunca faz bem.

Não guardes contigo perigos desnecessários.

Ignotus

Psicografia de Divaldo Pereira Franco. Em 23.01.2011.

Márcio Pereira de Souza
Márcio Pereira de Souza

Servidor Público, reside em São Paulo, capital e atua como colaborador na Agenda Espírita Brasil, juntamente com vários outros colaboradores de todo o Brasil que, voluntariamente, ajudam na divulgação da Doutrina Espírita.

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