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Olhos atentos

outubro 1, 2015

richard-simonetti-menorDiante da morte.
O marido falecera num acidente. A viúva dera testemunho de sua fé no velório, mostrando-se resignada e contida, embora, intimamente, sentisse seu mundo desabar. Uma amiga a abraçou.
– Não há nada que possa amenizar sua dor. Sei quem foi seu marido e o que ele representava para você, luz em seu caminho. Tudo o que posso lhe oferecer, minha querida, é a minha solidariedade. Vim chorar com você.
E chorou com a amiga, e esteve com ela todos os dias, e oraram juntas até que os valores da solidariedade e da fé estancaram a fonte das lágrimas, para que ela retomasse sua vida, em suspenso desde a morte do amado.

***

No lar.
Um homem comentava com o amigo que sua esposa parecia muito nervosa. Ele concordou.
– É verdade. Minha cara-metade anda irritada, soltando os cachorros…
– Algum problema?
– Não é nada. Está em TPM.
– Tensão pré-menstrual?
– Não, teste de paciência para o marido.
– Está sendo aprovado?
– Sem problema. É só passar zíper na boca; dizer sim, querida, e orar.
Um problema que afeta muitas mulheres, encarado de forma filosófica e bem-humorada pelo marido, o que lhe permitia manter a serenidade, mesmo que ela a tivesse perdido, ajudando-a a reencontrá-la.

***

Na escola.
Aconteceu. Em plena sala de aula o menino de nove anos viu formar-se pequena poça debaixo de sua carteira, enquanto sua calça ficava molhada com o xixi incontrolado.
Um mico irreparável. Os meninos iriam rir dele pelo resto da vida. Nunca mais as meninas falariam com ele. Seu coração parecia querer sair-lhe pela boca, tal o seu nervosismo.
A professora vinha em sua direção. Certamente vira o que acontecera. Desejou com todas as forças de sua alma que o chão se abrisse debaixo de seus pés e ele sumisse. No auge do desespero, viu uma menina, Susie, que surgiu inesperadamente, carregando um aquário cheio d’água que ficava num canto da sala. Aparentemente descuidada, tropeçou na professora e despejou a água no colo do menino.
Ele fingiu irritação, mas estava mesmo aliviado. Ao invés de objeto de ridículo, os colegas se compadeciam dele, sem perceber o que tinha acontecido. A professora providenciou-lhe camisa e short, enquanto sua roupa secava. Ao final do dia, quando esperavam o ônibus escolar, o menino caminhou até Susie e sussurrou:
– Você fez aquilo de propósito, não foi?
Ela respondeu sorrindo:
– Sim, eu também fiz xixi na calça uma vez!

***

Em qualquer lugar, em qualquer situação, em qualquer horário, sempre há algo que podemos fazer em benefício do próximo. Há anos mantenho contato com pessoas que procuram o Centro Espírita Amor e Caridade, em Bauru, em busca de cura para seus males, solução para seus problemas, alento para suas vidas…
Participam, não raro, de cursos de Espiritismo e Mediunidade. Noto, invariavelmente, que as que se saíram melhor, superando suas angústias e habilitando-se à felicidade, foram as que aprenderam a lição fundamental: felicidade é sinônimo de servir.
É a disposição de manter olhos atentos ante as carências alheias, identificando com a lucidez da solidariedade os tsunamis ocultos que assolam a alma humana, sem jamais deixar passar a oportunidade de algo fazer em seu benefício.

Richard Simonetti

Nota do Editor:
Imagem em destaque disponível em <http://rsasoldier.blogspot.com.br/2011/06/angelina-jolie-humanitarian-angel.html>. Acesso em 01OUT2015.

Richard Simonetti IN MEMORIAM
Richard Simonetti IN MEMORIAM

Richard Simonetti é de Bauru, Estado de São Paulo. Nasceu em 10 de outubro de 1935 e Desencarnou em 03 de Outubro de 2018. De família espírita, participou do movimento desde os verdes anos, integrado no Centro Espírita Amor e Caridade, onde desenvolveu largo trabalho no campo doutrinário e filantrópico. Orador e Escritor espírita, teve mais de cinquenta obras publicadas.

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