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Um novo tempo

dezembro 30, 2016

A natureza não reconhece a diferença entre os meses e, por isso, trabalha, ininterruptamente, sem importar-se com a gigantesca distância, ao menos para nós, que existe entre 31 de dezembro e 1 de janeiro. Já o ser humano, pelo fator psicológico, enxerga nas duas datas citadas um abismo. Um ciclo se fecha, um ano que se finda e outro ano que se inicia. Novas oportunidades, um sol brilhando de maneira mais clara, um ano todo para recomeçar e escrever ou reescrever sua história.

E o capítulo V de O Evangelho segundo o Espiritismo “Bem-aventurados os Aflitos”, é um magnífico convite à reflexão, principalmente, quando chegamos nessa época de final de ano, em que nos vemos envidados a fazer um balanço existencial. E neste mesmo capítulo está o tópico “Esquecimento do passado”. Vejamos uma parte:

“Deus nos deu para melhorarmos, justamente o que necessitamos e nos é suficiente: a voz da consciência e as tendências instintivas; e nos tira o que poderia prejudicar-nos”.

Como lemos acima, a bondade divina atende, perfeitamente, nossas necessidades. Deus, em sua infinita misericórdia, deixa o necessário para nosso adiantamento e nos faz esquecer, temporariamente, o que poderia nos prejudicar.  Portanto, não há razões para nos debatermos em um passado que nos traria constrangimentos, diminuindo nossa estima ou exaltando nosso orgulho. Deus é o divino educador e prima por nos ensinar a viver, por isso não precisa nos torturar, fazendo-nos lembrar de nossos desvarios para que aprendamos. Não necessitamos lembrar de um passado repleto de lixos emocionais, de mágoas, tristezas e rebeldias que tanto nos fizeram sofrer.

Deus apaga, temporariamente, o passado tortuoso, mas não apaga de nossa consciência o passado saudável, o passado de amor, de amizade e de boa convivência. Aliás, este passado deve ser cultivado em nosso coração. Deus não apaga a lembrança dos amigos de infância, da primeira professora que tanto bem nos fez, do primeiro amor que tanta emoção nos causou.

O esquecimento é para o passado sinistro e tenebroso de equívocos perpetrados, de desesperança e dor. Este passado devemos, temporariamente, esquecer. Mas, o passado das boas lembranças permanece. Ainda bem! E como é bom voltar ao passado e viajar no tempo das doces recordações. É com carinho que me lembro de minha mãe que tão nova se mudou para a pátria espiritual, é com ternura que me lembro dos amigos de infância na cidade de Imperatriz, estado do Maranhão. Ah, não posso esquecer os amigos da época da escola, da faculdade, das empresas por onde passei, todos trazem alegres lembranças e doces recordações. Tenho certeza que você, caro leitor, também está puxando na memória os amigos, os acontecimentos felizes e as eternas lembranças dos afetos queridos. Este passado a bondade divina não apaga.

Alguns poderão questionar: mas tive um passado de dor, desilusão e sofrimento, como esquecê-lo? Como esquecer aqueles que me fizeram sofrer? Como esquecer ocorrências que tanto mal me causaram? A você, caro leitor e leitora, podemos afirmar que dói muito mais fazer sofrer do que sofrer. Quem fez sofrer habilita-se ao pagamento, no entanto, quem sofreu pode seguir em frente, renovando as idéias, a vida e construindo um novo futuro.

A propósito, o findar do ano é propício para duas coisas: lembrar dos acontecimentos felizes e esquecer as passagens infelizes. Enfim, o findar do ano é tempo de refletir e recomeçar. Se a mágoa o visitou. Perdoe. Feriram seu coração? Perdoe. Causaram-lhe prejuízos? Perdoe. Perdoe sempre e lembre-se:

Viver bem é questão de escolha e recomeçar é um direito de todos. Deus nos quer felizes, por isso, ano novo, novos projetos e fé na vida.

Ano novo, novo tempo

 Jano, o deus romano das duas faces, o deus das portas que se abrem e fecham a representar o tempo que passou e o tempo que começa, foi a inspiração para que o imperador romano Numa Pompílio (717-673 a.C.) inserisse o mês de Januarius no calendário que sucedeu o de seu antecessor, o imperador Rômulo (753-717 a.C) que tinha 304 dias e apenas 10 meses.

Como os romanos eram supersticiosos e consideravam que os números pares davam azar, Januarius tinha somente 29 dias, e também não era o mês que iniciava o ano.

Somente com a entrada do calendário Juliano, que substituiu o também confuso calendário de Numa Pompílio, é que Januarius tornou-se a porta de entrada para um Ano Novo.

E hoje, já no calendário Gregoriano, Janeiro, com 31 dias, representa as portas que fecham velhos tempos e abrem novas oportunidades.

Portas que, pelo menos em tese, deveriam fechar velhos tempos; tempos onde fomos invadidos pela mágoa, decepção e um mar de ilusões. No entanto, há pessoas que não conseguem se desapegar do passado e acumulam triste lixo emocional.

Caminham pela vida 40,50 anos atrás, com a mente intoxicada pelos pensamentos tortuosos e o coração endurecido pela mágoa e ressentimento.

É necessário trancar as portas do passado para que se abram as portas do novo tempo. Detalhe importante: o mês de janeiro, de novas oportunidades, não carecem de começar no janeiro do calendário. O mês de janeiro abre novos tempos que podem começar em dezembro, março, abril… é o janeiro do novo homem, é o janeiro que demarca um novo ano e não somente um ano novo.

O ano novo obedece a cronologia, o novo ano não necessariamente. A própria vida mostra isso todos os dias. Inúmeros Espíritos reencarnam ensejando o recomeço nos mais diversos meses do ano. Em abril, maio ou junho inúmeras pessoas retomam projetos engavetados, dão nova chance ao coração, retomam os estudos, perdoam, prosseguem. O que seria isso senão um autêntico janeiro a florescer em novas oportunidades que damos a nós mesmos?

Por isso, forçoso admitir que não há barreiras de meses, dias ou anos quando queremos reconstruir nossa vida. O tempo é agora, o janeiro pode ser em julho.

E para provar que os novos tempos conspiram a nosso favor vemos que a Bondade Divina faz sua parte com excelência.

Como abordamos acima, o esquecimento temporário representa a tranca das portas do passado. A reencarnação a chave que abre as portas para novos tempos, e, de quebra, levamos para os novos tempos não a lembrança que poderia paralisar e intimidar, mas a experiência que se traduz na forma da intuição e do conhecimento, verdadeiros faróis existenciais que mostram o melhor caminho a seguir.

A você, caro leitor e leitora, um feliz ano novo, e, sobretudo, um proveitoso novo ano.

Que se abram as portas do janeiro das oportunidades e do recomeço, da continuação ou retomada de projetos e da conquista do sucesso existencial, objetivo de todos nós na peregrinação terrena.

Wellington Balbo

Nota do Autor:
Texto publicado, originalmente, no jornal Momento Espírita, do CEAC de Bauru SP.

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <http://www.paulistano.org.br/acontece/eventos?1825-reveillon-um-novo-amanhecer>. Acesso em: 30DEZ2016.

Wellington Balbo
Wellington Balbo

Professor universitário, Bacharel em Administração de Empresas e licenciado em Matemática, Escritor e Palestrante Espírita com seis livros publicados: Lições da História Humana; Reflexões sobre o mundo contemporâneo; Espiritismo atual e educador; Memórias do Holocausto (participação especial); Arena de Conflitos (em parceria com Orson Peter Carrara); Quem semeia ventos... (em parceria com Arlindo Rodrigues).

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