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Música na conversa entre pai e filho

agosto 11, 2017

Hora do almoço.

O pai chega correndo em casa para levar o filho à escola. Cumprimenta rapidamente a família e senta-se à mesa onde um prato ainda quente lhe espera.

O menino de oito anos já está uniformizado e pronto para sair. Enquanto espera o pai, se joga no sofá da sala com o celular da mãe. Com as mãos ágeis ao teclado, entra em um site de busca e em menos de um minuto faz ecoar pelo ambiente uma música estridente.

Não conseguindo ficar indiferente o pai questiona:

– Pedrinho, que música é essa?

Já envolvido com aquele som e com a letra na ponta da língua, Pedrinho nem se dá conta da pergunta feita pelo pai, que insiste:

– Filho, eu lhe perguntei que música é essa. Pelo visto você conhece muito bem.

– Ah, ‘tá’, pai, desculpe-me. Não prestei atenção. Ela é muito legal, não é? Todo mundo conhece no colégio.

O pai hesita em responder. Deixando o garfo ao canto do prato, observa atenta a forma com a qual a criança se envolvia naquela toada audaciosa.

Um verdadeiro ritmo alucinante, reforçado por uma batida frenética, que servia de veículo a rimas pobres com notório propósito de caírem facilmente no linguajar comum. E naquela frequência sedutora, palavras de caráter degradante, inseridas em frases supostamente alegres buscavam dar vida a uma letra sem sentido.

A música era um convite à criação de telas mentais de caráter sexual, capazes de suscitar os instintos primitivos mais sórdidos de ouvintes ainda vinculados a paixões terrenas. Voltando a tônica infantil, aquele embalo sonoro servia de registro fácil às mentes pueris, associando a alegria com perversão e prazer carnal (1).

Em um breve segundo o pai viu se esvair por água abaixo oito anos de esforço por uma educação decente nas notas daquela ode à imoralidade. Respirou fundo, buscou se acalmar em uma breve prece e insistiu:

– Filho, o que te faz gostar desta música?

Sem quase dar atenção, o garoto responde:

– É viciante, pai.

– Então você sabe muito bem o que é um vício, filho?

Curioso com a colocação do pai, o filho, que agora dançava no meio da sala, passa a lhe dar atenção:

– Vício é cigarro, bebida, droga. Aquelas coisas que as pessoas usam e que não é legal.

– Aquelas coisas, Pedrinho, – completa o pai – são substâncias capazes de afetar o nosso sistema nervoso, ou melhor, a nossa cabecinha. Se usadas em excesso, podem até causar danos irreversíveis em nosso corpinho. Elas também são capazes de dizer quem estará ao nosso lado. Quanto mais nos tornamos dependentes delas, mais poderemos estar próximos de pessoas que fazem o mesmo uso. Logo, em favor de nós mesmos, é prudente evitemos estes vícios.

– Mas o que isso tem a ver com a música? – perguntou o menino agora parado em frente ao pai, à mesa.

– Você mesmo disse que é viciante. Este tipo de música está lhe envolvendo de tal forma que você já está falando coisas inapropriadas para você, sem se dar conta da maneira como está remexendo o seu corpo em tenra idade. Aquilo que hoje é uma brincadeira sutil pode ficar em sua cabecinha e se tornar um mau hábito. E se estas ideias forem mais tarde fortalecidas, podem se tornar um vicio que levará você a comportamentos e companhias não adequadas a uma conduta moral promissora.

Pedrinho estava atônito em frente ao pai.

– Sei que é muita coisa para você, filho. – e concluiu o pai – não estou te repreendendo, mas sim, te orientando. Vai por mim.

Pedrinho trocou a música.

*     *     *

É tarefa dos pais dirigir os filhos pela senda do bem e fazer os esforços possíveis para que eles possam progredir em suas encarnações (2). Contudo, é fato que os apelos mundanos dificultam sobremaneira esta missão. Ainda mais com os variados recursos tecnológicos capazes de impressionar cada vez mais as mentes curiosas e atentas das novas gerações.

A solução é breve e simples. Educar e esclarecer em todos os momentos possíveis da infância, enquanto a criança sofre de maneira profunda a influência do meio (3). Melhor ainda será se a educação for baseada no próprio exemplo dos pais, os quais lhe servirão de base para o resto da vida.

Procuremos semear a educação de nossas crianças baseadas na Lei Morais ensinadas pelo Divino Mestre Jesus. Ensinar a elas será aula para nós mesmos.

Como diz o Espírito de André Luiz, sem boa semente, não há boa colheita (3).

Márcio Martins da Silva Costa

Referências Bibliográficas:
(1) (ESPÍRITO), M. P. DE M.; FRANCO, D. P. Nas Fronteiras da Loucura. 14. ed. Nacional: Leal, 1982;
(2) KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 93a ed. Brasília (DF): Federação Espírita Brasileira, 2013. Questão 582;
(3) VIEIRA, W.; LUIZ, A. Conduta Espírita. 32a ed. Brasília (DF): Federação Espírita Brasileira, 2012. Capítulo 21.

Nota do Editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <http://www.mediachange.ch/news/categories/announcements/>. Acesso em: 11AGO2017.

Márcio Costa
Márcio Costa

Membro do Conselho Editorial da Agenda Espírita Brasil, atua na divulgação da Doutrina Espírita escrevendo textos e realizando palestras.

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