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Ainda a Gentileza

novembro 27, 2017

Nestes dias agitados e que se apresentam ricos de desencanto, de ansiedade, de loucura, é, perfeitamente, válido que voltemos a reflexionar em torno de valores morais e comportamentais que vão ficando à margem.

A perda de valores ético-morais e a ausência de respeito pelo próximo vêm transformando a nossa sociedade em diversas tribos de seres primitivos que se caracterizam pela agressividade e pelo exacerbado egoísmo.

Não se respeitam os direitos do outro, não se obedecem às leis, escasseiam os gestos de civilidade e quase todos somos consumidos pelo espírito de autodefesa, como se pertencêssemos a etnias diferentes que se detestassem.

Discute-se mais do que se conversa e armados não perdemos a oportunidade de um desforço, mesmo quando o motivo não é credor da mínima consideração.

Recordo-me de um fato curioso em que fui envolvido. Caminhava, tranquilamente, por uma das nossas ruas, quando fui atropelado, literalmente, por um esportista que corria no passeio fazendo cooper. Chocou-se comigo, porque a sua atenção estava na música que ouvia com “audífonos” modernos. Bati na parede, e, quando me recuperei e olhei para o cidadão, ele se encontrava quase em fúria porque perdera o ritmo a que se entregava.

Não me permitindo perturbar, disse-lhe: – Desculpe-me, porque estava à sua frente… De outra vez terei muito cuidado, a fim de não ser atropelado… E sorri.

O pseudoatleta desconcertou-se e pediu-me desculpas, reconhecendo-me e perguntando-me: – Você não é o Divaldo Franco? – Sim, respondi-lhe.

E ele, eufórico, concluiu: – É um grande prazer conhecê-lo, pessoalmente. Eu também sou espírita.

Fiquei imaginando se ele sendo espírita, encontrava-se tão agitado, como seria se não adotasse uma doutrina de paz e solidariedade como é o Espiritismo.

Nunca será demais uma atitude gentil, compreensiva e fraternal.

O cansaço que toma grande número de pessoas é mais agitação e ambição de triunfos vazios na existência sem sentido, do que resultado de ações nobilitantes.

Necessitamos de reflexionar em torno do sentido da nossa existência na Terra e buscar viver conforme os padrões do equilíbrio e da harmonia interior.

Há poucos dias o Papa Francisco declarou com severidade que a missa era um culto respeitável, que exigia concentração e não algo turístico para fotografias.

A falsa necessidade de aparecer como triunfador, realizado nas redes sociais, agridem e aturdem os vencedores de mentira.

Gentileza para com eles e com todos: um semblante suave, um sorriso afável, um aperto de mão, um muito obrigado, uma saudação, constituem pequenos gestos de vida saudável.

Igualmente, ser gentil consigo, evitar intoxicar-se pela ira é recurso para a sociedade melhor.

Divaldo Franco

Nota do Editor:
Publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 16/11/2017
Divaldo Franco escreve no jornal A Tarde – Coluna Opinião – às quintas-feiras (quinzenalmente).
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Na foto, Divaldo Franco em Salvador-BA – Workshop – 1º de maio de 2016 – Foto: Jorge Moehlecke

Divaldo Pereira Franco
Divaldo Pereira Franco

Divaldo Pereira Franco é natural de Feira de Santana, Bahia, Brasil, reconhecido como um dos maiores médiuns e oradores espíritas da atualidade, fundou, juntamente com seu fiel amigo Nilson de Souza Pereira, o Centro Espírita Caminho da Redenção e a Mansão do Caminho, que atendem a toda a comunidade do bairro de Pau da Lima, em Salvador, beneficiando milhares de doentes e necessitados.

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