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Dos equívocos e das distorções doutrinárias

dezembro 7, 2018

A falta de estudo da Doutrina Espírita, a ausência do uso da razão e do bom senso e também o isolamento dos grupos (fechando-se em si mesmos) são os responsáveis pelos absurdos que se cometem em nome da Doutrina e seu movimento. E isso fica por conta de quem pratica, pois o Espiritismo não pode ser responsabilizado por aqueles que não raciocinam o que fazem.

São muitos os exemplos, alguns citados em livros, jornais e revistas, por articulistas e autores diversos, todos respeitáveis e conhecidos na atividade espírita, os quais permito-me citar uns ou outros (os exemplos) para desenvolvimento do presente artigo.

Enquadram-se nesses equívocos:

a) Obrigatoriedade de passe em todo e qualquer comparecimento ao Centro Espírita;
b) Toda pessoa que chega perturbada ao Centro Espírita é médium;
c) Os médiuns são seres elevados e extraordinários;
d) Os oradores e expositores são seres infalíveis – “falou tá falado”;
e) Médium experiente não precisa estudar;
f) Não se deve bater palmas ao final de palestras para não dispersar fluidos;
g) Casamento, batizado, uso de gestos e imagens, roupas especiais, cromoterapia, cristais, TVP, pirâmides e etc, no Centro Espírita;
h) As mãos dadas formam correntes de proteção;
i) Comemoração de Páscoa e Semana Santa no Centro Espírita;
j) Para recarregar energias, o aplicador de passes deve encostar a cabeça na parede após a tarefa;
k) Mulheres não devem entrar de saia no centro;
l) Homens e mulheres devem sentar-se em fileiras separadas no ambiente do centro;
m) Reencarnação serve para pagar dívidas;
n) Os espíritos comunicantes sabem tudo;
o) Determinado Centro Espírita é forte e o outro é fraco;
p) Uso de expressões, como mesa branca, baixo espiritismo, encosto e muitos outros absurdos como aqueles das correntes no chão e das garrafas em prateleiras para prender os espíritos obsessores ou da mesa de concreto que suporte os murros dos médiuns indisciplinados.

Ora, o Espiritismo é profundamente racional. O espírita precisa sempre saber porque faz determinada prática. Pensar no que faz e analisar se está dentro do bom senso, da razão e, principalmente, se há coerência no que se pratica e o que a Doutrina ensina.

Com objetivos tão elevados e fundamentos tão racionais, como poderia o Espiritismo ver em casas que se dizem espíritas, práticas tão distantes de sua orientação? Só a falta do estudo doutrinário pode responder por esses absurdos que, comportariam, em muitos casos, diversas argumentações e comentários sobre sua nulidade e incoerência.

E também caracterizam-se como práticas distantes do dinamismo da Doutrina: o espírita desanimado, o Centro distante e isolado do estudo e da divulgação – preocupado apenas com a prática mediúnica; a Casa Espírita isolada do movimento – que traz entusiasmo e renovação; também o expositor que transmite aos ouvintes a ideia de um Espiritismo de tristeza, dor ou sofrimento, e, finalmente, o espírita que não estuda. Como aceitar também aquelas reuniões sem nenhuma motivação, onde um lê e todos ouvem – ou dormem, criando a figura do “espírita de banco” (aquele que entra, senta, ouve e vai embora)? Ou a presença no Centro como se fosse uma obrigação penosa, sem alegria?

Espiritismo é alegria, é vida! E trabalho vibrante, com harmonia, coerência e união. Daí a necessidade do estudo individual, estudo em grupo, união de forças entre os trabalhadores da mesma casa e entre as casas da cidade e região. Isso traz entusiasmo, revitaliza o movimento e afasta os equívocos. A troca de experiências é algo muito positivo e que não devemos temer. O espírita esclarecido é dedicado à causa, sempre estuda, melhora-se, gradualmente, e trabalha sempre, confiando em Deus – mas usando sua própria razão.

Essas questões precisam ser discutidas para aparelharmos melhor nossas casas, tornando-as colmeias de trabalho, união e amor, para que não se distanciem dos objetivos que nortearam sua fundação.

Orson Peter Carrara

Orson Peter Carrara
Orson Peter Carrara

Expositor espírita, tem percorrido muitas cidades do Estado de São Paulo e já esteve na maioria dos estados do país, por várias vezes, para tarefas de divulgação espírita. Articulista da imprensa espírita, tem colaborado com diversos órgãos da imprensa espírita, entre revistas, sites e jornais do país, além de boletins regionais, no país e no exterior. Autor de treze livros, seus textos caracterizam-se pela objetividade e linguagem acessível a qualquer leitor, estando disponibilizados em vários sites de divulgação espírita.

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