
Verdadeiras oportunidades
Amâncio era um profissional de sucesso responsável pelo setor de compras de uma renomada organização. Desta forma, era constantemente procurado por empresas que lhe ofereciam jantares e outros mimos na busca de uma venda milionária.
Certa feita foi convidado para um jantar de negócios, onde já vislumbrava uma nova parceria que renderia milhões para sua instituição. Seria a sua grande cartada para ser promovido no trabalho.
Aceitando o convite, recebeu uma passagem aérea, ficou hospedado em um dos melhores hotéis da cidade e na noite do jantar foi levado a um suntuoso restaurante por um motorista particular da empresa. Tudo sem nenhum custo de sua parte.
Convencido de que lograria êxito durante o evento, declinou dos chamamentos da cordialidade e do comportamento, esbanjando um orgulho que se afundava nas seguidas doses de uísque.
Já tarde da noite, o próprio empresário agradeceu a presença de Amâncio e lhe convidou a lhe deixar no hotel. Surpreso, resolveu, enfim, falar de negócios. Mas o empresário refutou e pediu que considerasse uma outra oportunidade.
Amâncio ficou arrasado. Por que as coisas não deram certo? – perguntava a si mesmo. Sabia que havia perdido uma grande oportunidade.
Chegando ao hotel, saltou do carro e logo foi abordado por uma senhora humilde, que trajava roupas simples e trazia nas mãos alguns doces para vender.
– Por favor, senhor, pode comprar uma balinha para me ajudar? – dizia a senhora quase sem voz, refletindo a fraqueza de um dia extenso, sem se alimentar.
Sem se quer olhar para a senhora, Amâncio levantou uma das mãos para a dona, dando a entender que não lhe importunasse.
Sentindo-se ignorada e faminta, a idosa foi tomada pelo desespero e começou a falar emocionada.
– Só uma balinha! Uma balinha… Comida, comida, por favor, comida!!!
Amâncio acelerou o passo e adentrou rápido no hotel, sem olhar para trás.
Comovido com a situação, o motorista parou o carro na calçada e a levou para um restaurante nas proximidades, onde ofereceu, de seu pequeno salário, a única refeição do dia daquela pobre senhora.
* * *
Nenhum de nós sabe quando iremos deixar este mundo. Nossa desencarnação pode ocorrer após décadas, ou então, após alguns anos somente.
Logo, cada momento é oportuno e precioso para exercemos a abnegação, a humildade, a caridade em toda a sua celeste prática e a benevolência para com todos (1). Isto é que nos permitirá adentrar no reino prometido pelo Divino Mestre Jesus.
Nossos bens materiais, nossos méritos terrenos e currículos abastados não passarão do sepulcro para a vida espiritual, onde o único título reconhecido é o bem que fizemos aqui na Terra.
Assim, busquemos não perder as verdadeiras oportunidades que Deus nos concede a cada momento de nossa vida. Isto é o que será nosso cartão de visitas no além-túmulo.
Márcio Martins da Silva Costa

Referência:
(1) KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 131a ed. Brasília (DF): Federação Espírita Brasileira, Cap. II, item 8, 2013.
Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <http://diariodesalvador.com/onde-comer-em-lima-la-rosa-nautica-e-ayauhasca/>. Acesso em: 27FEV2019.
Veja também
Ver mais
Tempo de reflexão e de balancete

Reforma Íntima

