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Recordando Allan Kardec: Espiritismo

agosto 17, 2020

O Espiritismo é a chave com o auxilio da qual tudo se explica de modo fácil

“(…) e eu rogarei a meu Pai e Ele vos enviará outro Consolador…”

  • (Jo., 14:16.)

Herculano Pires afirma ser o Espiritismo uma verdadeira revolução conceptual! De fato assim é, pois Allan Kardec em “O Livro dos Espíritos” estabelece rigorosa diferença de métodos e objeto entre a ciência espírita e as ciências em geral, vez que aquela se aplica ao estudo do Espírito enquanto esta aborda as questões pertinentes à matéria. É importante frisar esta “rigorosa diferença” que por extensão se aplica também aos aspectos filosófico e religioso do Espiritismo.

O Mestre Lionês chega a afirmar que as ciências são incompetentes para opinar sobre o Espiritismo. A verdade dessa assertiva se confirmou plenamente no decorrer do tempo desde o advento da Doutrina Espírita até os dias atuais… Somente agora que as ciências que estudam a matéria – por ter essa mesma matéria se diluído em energia aos olhos dos cientistas – começam a se aproximar da ciência espírita.

Sem respaldo doutrinário negam alguns o aspecto religioso do Espiritismo. Teríamos assim que concluir também que a Doutrina Espírita não é ciência, vez que o próprio Kardec afirmou a incompetência delas para ajuizar sobre a 3ª Revelação. Mas não é o que se dá…

Quando se diz “filosofia espírita”, não se quer dizer filosofia de forma generalizada como existe no mundo; quando se diz “religião espírita”, também não se quer dizer religião da forma como a conhecemos até então, com seu cortejo de dogmas, hierarquias e quejandos…

Assim como não podemos confundir o Espiritismo com as ciências do mundo, também não podemos confundi-lo com as filosofias sistemáticas e tampouco com as religiões formais fundadas nos tempos da ignorância.

Com Herculano Pires, entendemos perfeitamente o Espiritismo como uma “revolução conceptual”. Portanto, a ciência, a filosofia e a religião espíritas não têm absolutamente nada a ver com o que existe por aí em termos de ciência, filosofia e religião correntes.

Quem postula pelo Espiritismo laico não está fundamentado na documentação kardequiana. Por ser também religião o Espiritismo não está sujeito a perder-se no oceano das crendices e superstições. Ele é o “Consolador” prometido por Jesus e a sua função de aproximar o homem de Deus não é das menores consequências que se desdobram aos seus profitentes, caracterizando-se, assim o “Re-ligar”, natural, puro, imarcescível, inconfundível…

A Doutrina Espírita mostra-nos o valor do esforço pessoal, exaltando o livre-arbítrio que nos torna artífices do próprio destino, aponta-nos o rumo certo nos meandros intricados da senda evolutiva e faculta-nos a fé raciocinada.

O conhecimento espírita é o traço de união estabelecido entre a ciência e a religião que até então se anatematizavam porque não vislumbravam a interdependência existente entre o mundo físico e o mundo espiritual, fechando-se, portanto ambos em compartimentos estanques.

Allan Kardec (1) desenha com riqueza de detalhes o perfil do Espiritismo chamando-o de “(…) ciência nova que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo. Ele no-lo mostra, não mais como coisa sobrenatural, porém, ao contrário, como uma das forças vivas e sem cessar atuantes da Natureza, como a fonte de uma imensidade de fenômenos até hoje incompreendidos e, por isso, relegados para o domínio do fantástico e do maravilhoso.

(…) Assim como o Cristo disse: “não vim destruir a lei, porém cumpri-la”, também o Espiritismo diz: “não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução.” Nada ensina em contrário ao que ensinou o Cristo; mas, desenvolve completa e explica, em termos claros e para toda gente, o que foi dito apenas sob forma alegórica. Vem cumprir, nos tempos preditos, o que o Cristo anunciou e preparar a realização das coisas futuras”.

Complementa o Mestre Lionês (2): “O Espiritismo vem revelar uma nova força e essa força é a ação do mundo invisível sobre o visível. Mostrando nessa ação uma lei natural, ele recua ainda mais os limites do maravilhoso e do sobrenatural, porque explica uma porção de coisas que pareciam inexplicáveis.

O Espiritismo prova a sobrevivência da alma com fatos patentes, irrecusáveis, como o microscópio provou a existência dos infinitamente pequenos. Tendo, pois, demonstrado que o mundo invisível nos envolve, que é essencialmente inteligente, pois se compõe das almas dos homens que viveram, concebe-se facilmente que possa representar um papel ativo no mundo visível e produza os fenômenos de uma ordem particular.

(…) Em geral se faz do mundo invisível uma ideia tão falsa, que a incredulidade é uma consequência. O Espiritismo não só demonstra a sua existência, mas o apresenta sob um aspecto tão lógico que não há lugar para a dúvida.”

Allan Kardec aduz (3): “o estudo de uma doutrina, qual a Doutrina Espírita, que nos lança de súbito numa ordem de coisas tão nova quão grande, só pode ser feito com utilidade por criaturas sérias, perseverantes, livres de prevenções e animadas de firme e sincera vontade de chegar a um resultado. Não sabemos como dar esses qualificativos aos que julgam “a priori”, levianamente, sem tudo ter visto; que não imprimem a seus estudos a continuidade, a regularidade e o recolhimento indispensáveis.

O que caracteriza um estudo sério é a continuidade que se lhe dá. Será de admirar que muitas vezes não se obtenha nenhuma resposta sensata a questões de si mesmas graves, quando propostas ao acaso e à queima-roupa, em meio de uma aluvião de outras extravagantes?!   Demais, sucede frequentemente que, por complexa, uma questão, para ser elucidada, exige a solução de outras preliminares ou complementares. Quem desejar tornar-se versado numa ciência tem que estudá-la metodicamente, começando pelo princípio e acompanhando o encadeamento e o desenvolvimento das ideias. Quem quiser instruir-se com os Espíritos tem que com eles fazer um curso; mas, exatamente como se procede entre nós, deverá escolher seus professores e trabalhar com assiduidade.”

Paulo de Tarso (4) volta das sombras tumulares para conclamar-nos a “(…) agradecer a Deus o haver permitido que pudéssemos gozar a luz do Espiritismo. Não é que somente os que a possuem hajam de ser salvos; é que, ajudando-nos a compreender os ensinos do Cristo, ela nos faz melhores cristãos… Esforçai-vos para que os vossos irmãos, observando-vos, sejam induzidos a reconhecer que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, sem embargo da seita a que pertençam.”                                                                

                       

Rogério Coelho

Referências:

(1) KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 129.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2009, cap. I, itens 5 a 7;

(2) KARDEC, Allan. Revue Spirite. Outubro de 1862. Araras: IDE, 1993;

(3) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 88.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2006, q. Introdução, item VIII; e

(4) KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 129.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2009, cap. XV, item 10.

Nota do editor:

Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://newtrade.com.br/amp/carreira/por-que-lideres-precisam-ler-mais-ficcao-cientifica/attachment/lendo-livro-02-07/>. Acesso em: xxx.

Rogério Coelho
Rogério Coelho

Rogério Coelho nasceu na cidade de Manhuaçu, Zona da Mata do Estado de Minas Gerais onde reside atualmente. Filho de Custódio de Souza Coelho e Angelina Coelho. Formado em Jornalismo pela Faculdade de Minas da cidade de Muriaé – MG, é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Converteu-se ao Espiritismo em outubro de 1978, marcando, desde então, sua presença em vários periódicos espíritas. Já realizou seminários e conferências em várias cidades brasileiras. Participou do Congresso Espírita Mundial em Portugal com a tese: “III Milênio, Finalmente a Fronteira”, e no II Congresso Espírita Espanhol em Madrid, com o trabalho: “Materialistas e Incrédulos, como Abordá-los?” Participou da fundação de várias casas Espíritas na Zona da Mata Mineira.

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