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Sintonia com Jesus

dezembro 26, 2020

A palavra de amor é moeda de paz para aquisição do continente das almas
“Aquele que não é contra nós, é por nós.”

– Jesus (Mc., 9:40).

Observamos, com certa frequência, entre os neófitos da Doutrina Espírita, algumas dificuldades que só com tempo e paciência serão superadas. Dentre todas, a que mais se destaca é a questão da adaptação aos ensinamentos serenos e firmes dos postulados cristãos sob a ótica do “Consolador”. É que muitos trazem em sua bagagem, o azinhavre do “homem-velho” e a sintonia torna-se difícil, pois não é possível amolgar os valores do Cristo ao nosso bel talante. Nós é que temos que nos amoldar aos valores de Jesus!… Daí a dificuldade, pela qual o Mundo e a vivência longe dos postulados cristãos verdadeiros cria-nos uma série de embaraços que, quando colocados a par com os Sublimes Padrões, caracteriza, muito naturalmente, extrema defasagem…

O próprio Paulo de Tarso não foi exceção: convidado ao colégio da fraternidade, primeiro armazenou os grãos da vida, aprimorando a terra íntima do Espírito para fecundá-los oportunamente. Três anos foram gastos por ele, em pleno deserto em companhia de um casal que ali se refugiara em razão das perseguições perpetradas por ele mesmo quando era o terrível e sanguinário Saulo defensor do “status-quo” moisaico e implacável perseguidor dos seguidores de Jesus.

Acostumado com os rigores glaciais da Lei Antiga, custava-lhe adaptar-se aos suaves alvitres da Boa-Nova, onde parâmetros e medidas eram fornecidos pela tolerância e caridade. Não foi sem acerbas lutas íntimas que conseguiu, por fim, galgar o planalto da compreensão do “modus-operandi” na Seara de Jesus.

Vejamos a intolerância marcando presença no seio do próprio Colégio Apostólico, quando João, retornando de uma viagem disse a Jesus: – “Mestre, eis que encontramos um homem pelo caminho que curava em Teu nome, expulsando Espíritos infelizes”.

– “E que fizestes?” – inquiriu Jesus.

– “Repreendemo-lo”, disse o discípulo inexperiente. “Expusemos que ele não tinha o direito de usar o Teu nome, pois não privava contigo; não era um dos nossos…”

Brilhavam em júbilo os olhos do jovem companheiro, excessivamente zeloso quanto ao futuro do Evangelho nascente.

Amélia Rodrigues, pela psicografia de Divaldo Franco, no livro: “Luz do mundo”, cap. 10, narra em belíssima linguagem a réplica de Jesus: “fizeste mal; pois todo aquele que não é contra nós é por nós. Se alguém em meu nome expulsa Espíritos maus, asserenando obsessos e acalmando obsessores, cultivando nas almas o pólen da saúde que se converte em pomar de tranquilidade, não poderá voltar-se contra nós, depois, assacando calúnias e no futuro erguendo-nos acusações. A palavra de amor é moeda de paz para aquisição do continente das almas.

O servidor do Evangelho deve fiscalizar com sincera acuidade as nascentes íntimas dos sentimentos de modo a cercear no começo os adversários cruéis, que são o egoísmo e o orgulho, a inveja e o ciúme com toda a coorte de nefandos sequazes… Os inimigos de fora não conseguem atingir o homem, senão exteriormente, pois que só alcançam a forma, sem lobrigarem mudar a constituição intrínseca do ser. Vinculado ao ideal superior da vida a que se entrega, o discípulo compreende os que dormem no amolecimento das paixões, desculpa os perseguidores e não receia que outros corações, também fascinados pela luz da verdade, desejem integrar-se no lídimo ideal da solidariedade a benefício de todos. Dia virá em que a mensagem da Boa-Nova se espalhará pelos múltiplos campos do mundo em formosa semeadura de abnegação, convocando multidões ao ministério excelso. Irmanados no ideal do serviço, todos aqueles que nos combaterem ajudar-nos-ão, contribuindo eficientemente na colheita dos resultados valiosos.

Irromperão em catadupas violentas os rios dos sofrimentos, de quando em quando, arrebentando represas e correndo destruidores com o objetivo de esmagar os que estejam à frente, em nome das paixões irrefreáveis, ou em caudais contínuas ameaçando arrastar os que teimem em suportar-lhes o ímpeto… Eu estarei vigilante, porém, acima das vicissitudes, socorrendo os timoneiros da fé e recolhendo os náufragos… Entanto, as desagregações internas, as disputas intestinas pela supremacia de uns em detrimento de outros, as lutas pela herança, esgrimindo armas nefastas das guerras surdas e as intrigas sutis, serão muito mais danosas do que as agressões que procedam do mundo contra o nosso ideal de amor…

Interliguem-se todos aqueles que sonham com a Imortalidade, os que me amam, afastando as barreiras e derrubando obstáculos para que mais rapidamente se implantem as realidades do amor e do perdão no solo das vidas… Ninguém se escandalize nunca, por encontrar fora da grei (1) o mensageiro da saúde, o intermediário do bem.

Meu Pai dispõe de recursos que nos escapam e como é o Autor de tudo e de todos, cumpra cada um irrestritamente com o seu dever, transferindo a Ele, o Senhor de todos nós, os resultados do nosso trabalho”.

Rogério Coelho

Nota do autor:

(1) Partido, sociedade, grêmio.
Nota do editor:
Imagem ilustrativa em destaque disponível em <https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/melhores-materias-jesus-evangelho-religiao-infancia-casado-historia.phtml >. Acesso em: 26DEZ2020.

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Rogério Coelho
Rogério Coelho

Rogério Coelho nasceu na cidade de Manhuaçu, Zona da Mata do Estado de Minas Gerais onde reside atualmente. Filho de Custódio de Souza Coelho e Angelina Coelho. Formado em Jornalismo pela Faculdade de Minas da cidade de Muriaé – MG, é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Converteu-se ao Espiritismo em outubro de 1978, marcando, desde então, sua presença em vários periódicos espíritas. Já realizou seminários e conferências em várias cidades brasileiras. Participou do Congresso Espírita Mundial em Portugal com a tese: “III Milênio, Finalmente a Fronteira”, e no II Congresso Espírita Espanhol em Madrid, com o trabalho: “Materialistas e Incrédulos, como Abordá-los?” Participou da fundação de várias casas Espíritas na Zona da Mata Mineira.

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