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Comunicabilidade dos espíritos

fevereiro 17, 2021

Todo efeito inteligente há de ter uma causa inteligente

“Se os meus discípulos se calarem, as pedras clamarão.”
Jesus (Lc., 19:40)

Os fenômenos espíritas, transcendendo o âmbito da matéria, desafiam as mais variadas teorias formuladas pelos incrédulos para explicá-los. Presos na cela estanque da ignorância, da má vontade ou da má-fé, vinculados a interesses escusos, teimam em afirmar a impossibilidade da comunicação entre os dois planos da vida.

Allan Kardec (1) descreve o que chamou de “tiptologia rápida e inversa”, na qual fica – insofismavelmente – demonstrada, a independência dos Espíritos em relação ao médium: trata-se de uma pequena mesa com três pés, tendo sobre ela um alfabeto dividido em três séries e cada pé da mesinha ao bater correspondia respectivamente às letras de cada série. Por exemplo: um dos pés só se movimentaria quando houvesse necessidade de alguma letra do A ao H; o outro quando fosse solicitada letra do I ao P; e o terceiro quando precisasse das letras contidas entre o Q e o Z. Cada pé da mesinha, portanto, corresponde a uma série de letras e bate o número de golpes necessários para designar a letra desejada. As palavras eram, além disso, formadas de trás para diante.

De todos os modos imaginados para constatar a independência do pensamento dos Espíritos, nenhum vale esse processo! É a constatação de um fenômeno mediúnico notável, sem condições de fraudes, pois além do médium eram necessárias três pessoas para anotar as letras que iam sendo indicadas. Nem o médium e tampouco as outras três pessoas poderiam saber qual era a palavra que surgiria, o que prova a origem espiritual do ditado.
O Mestre Lionês (2) alinha as seguintes questões-desafio para que os cépticos possam responder:

“que o ser pensante, que existe em nós durante a vida, não mais pensa depois da morte; que se continua a pensar está inibido de pensar naqueles que amou; que se pensa nestes, não cogita de se comunicar com eles; que, podendo estar em toda parte, não pode estar ao nosso lado; que, podendo estar ao nosso lado, não pode comunicar-se conosco; que não pode, por meio de seu envoltório fluídico atuar sobre a matéria inerte; que, sendo-lhe possível atuar sobre a matéria inerte, não pode atuar sobre um ser animado; que, tendo a possibilidade de atuar sobre um ser animado, não lhe pode dirigir mão para fazê-lo escrever; que, podendo fazê-lo escrever, não lhe responda às perguntas, nem transmite seus pensamentos”.

“Quando os adversários do Espiritismo nos provarem que isto é impossível, aduzindo razões tão patentes quais as com que Galileu demonstrou que o Sol não é que gira em torno da Terra, então poderemos considerar-lhes fundadas as dúvidas. Até hoje, porém, toda a argumentação a que recorrem se resume nestas palavras: ‘não creio, logo isso é impossível!’”

“Dir-nos-ão, com certeza, que nos cabe a nós provar a realidade das manifestações. Ora, nós lhes damos, pelos fatos e pelo raciocínio, a prova de que elas são reais. Mas, se não admitem nem uma, nem outra coisa, se chegam mesmo a negar o que veem, toca-lhes a eles provar que o nosso raciocínio é falso e que os fatos são impossíveis”.

Allan Kardec (3) fecha a questão do seguinte modo:

“(…) todo efeito inteligente há de ter uma causa inteligente e, do ponto de vista prático, na observação de que, tendo os fenômenos ditos espíritas dado provas de inteligência, fora da matéria havia de estar a causa que os produzia e de que, não sendo essa inteligência a dos assistentes — o que a experiência atesta — havia de lhes ser exterior, pois que não se via o ser que atuava, necessariamente era um ser invisível”.

“Assim foi que, de observação em observação, chegou-se ao reconhecimento de que esse ser invisível, a que deram o nome de Espírito, não é senão a Alma dos que viveram, corporalmente, aos quais a morte arrebatou o grosseiro invólucro visível, deixando-lhes apenas um envoltório etéreo, invisível no seu estado normal. Eis, pois, o maravilhoso e o sobrenatural reduzidos à sua mais simples expressão!”

“Uma vez comprovada a existência de seres invisíveis, a ação deles sobre a matéria resulta da natureza do envoltório fluídico que os reveste. É inteligente essa ação, porque, ao morrerem, eles perderam tão-somente o corpo, conservando a inteligência que lhes constitui a essência mesma. Aí está a chave de todos esses fenômenos tidos erradamente por sobrenaturais. A existência dos Espíritos não é, portanto, um sistema preconcebido, ou uma hipótese imaginada para explicar os fatos: é o resultado de observações e consequência natural da existência da alma. Negar essa causa é negar a Alma e seus atributos. Dignem-se de apresentá-la os que pensem em poder dar desses efeitos inteligentes uma explicação mais racional e, sobretudo, de apontar a causa de todos os fatos, e então será possível discutir-se o mérito de cada uma”.

Rogério Coelho

Referências:

(1) KARDEC, Allan. Revue Spirite. Outubro de 1864. Araras: IDE.1993.
(2) KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 71.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2003, cap. I, item 6 – 1ª parte.
(3) KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 71.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2003, cap. II, item 9 – 1ª parte.

Nota do editor:

Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://fems.org.br/Registro.aspx?id=20180823114418&Tipo=artigos>. Acesso em: 17FEV2021.

Rogério Coelho
Rogério Coelho

Rogério Coelho nasceu na cidade de Manhuaçu, Zona da Mata do Estado de Minas Gerais onde reside atualmente. Filho de Custódio de Souza Coelho e Angelina Coelho. Formado em Jornalismo pela Faculdade de Minas da cidade de Muriaé – MG, é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Converteu-se ao Espiritismo em outubro de 1978, marcando, desde então, sua presença em vários periódicos espíritas. Já realizou seminários e conferências em várias cidades brasileiras. Participou do Congresso Espírita Mundial em Portugal com a tese: “III Milênio, Finalmente a Fronteira”, e no II Congresso Espírita Espanhol em Madrid, com o trabalho: “Materialistas e Incrédulos, como Abordá-los?” Participou da fundação de várias casas Espíritas na Zona da Mata Mineira.

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