
Parlamento das vozes do infinito
O Evangelho enxuga o orvalho de lágrimas no caminho evolutivo
“Se os meus discípulos se calarem, as pedras falarão.”
– Jesus (Lc., 19:40).
Compreendendo a Imortalidade da Alma e colocando em seu devido lugar a questão do decesso corporal, proclama Paulo, o Vidente de Damasco (1): “porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade. Tragada foi a morte. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?”
Acrescenta Augusto Silva (2): “(…) O Espiritismo decifrou o enigma da Imortalidade, destronando a morte – a Rainha do Silêncio – substituindo-a, no longo carreiro de pretensos mistérios, pelo Parlamento das Vozes do Infinito.
As manifestações mediúnicas prosseguem, na demonstração da Inteligência que na carne viveu; todavia, como todos os influxos do progresso planetário, a aceitação de semelhante verdade é lenta e gradativa…”
Em exuberante arroubo poético, exclama Camilo (3): “(…) arrebentando as lápides tumulares, e, semelhantes a estrelas vigorosas, desparzindo luzes de esperança por sobre as cabeças esfogueadas das criaturas, um pugilo de nobres Mensageiros cantam as excelências da Vida Maior, como Vozes do Infinito, sensibilizando os que ainda se agitam nas vielas e espinheirais terrenos, rogando orientação e arrimo para os próprios passos”.
Allan Kardec coloca no frontispício do livro básico “O Evangelho Segundo o Espiritismo” um alvissareiro discurso do Espírito da Verdade: “(…) os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos Céus, qual imenso exército que se movimenta ao receber as ordens do Seu comando, espalham-se por toda a superfície da Terra, e, semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar os caminhos e abrir os olhos aos cegos.
(…) As grandes Vozes dos Céus ressoam como sons de trombetas, e os cânticos dos anjos se lhes associam”.
O Mundo Corpóreo e o Mundo Espiritual interagem, interpenetram-se, recebendo em regime de reciprocidade, em sublime ressonância, a consequência de tudo que se passa em um e outro. Assim, o principal corolário das manifestações mediúnicas que desvelam os panoramas do Mundo Maior é levar as criaturas à compreensão da (2) “(…) necessidade do bem recíproco por afirmações do Amor puro, de vez que a obra infeliz desce à sepultura com o Espírito que a perpetrou, atenazando-lhe o cerne, na forja do arrependimento póstumo, e obrigando-o a doloroso trabalho para expungir-lhe os efeitos. O amor vivido, instante a instante, tudo consegue, reerguendo almas, retificando destinos e refazendo ambientes”.
Complementa Augusto Silva (2): “(…) Eis por que Jesus constitui a porta sempre aberta de nossa libertação, pois o Evangelho Redivivo – fulgurante Sol – dissipa, com imorredoura luz, a noite de trevas e a miragem das ilusões coaguladas à nossa frente, e enxuga, com blandicioso calor, o orvalho de lágrimas e as gotas de sangue que nos encharcam o caminho das provações necessárias, no rumo das vitórias Eternas”.
Com o Espiritismo, finalmente compreendemos a bi-milenar afirmativa do Mestre Maior (4): “(…) em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte”!
Rogério Coelho
Referências:
(1) (I Cor., 15:53 a 55);
(2) VIEIRA, Waldo. Seareiros de volta. 4.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1987, p. 50;
(3) TEIXEIRA, Raul .Vozes do infinito. Niterói: FRÁTER, 1991, p.8; e
(4) João, 8:51.
Nota do editor:
Imagem ilustrativa em destaque disponível em <https://www.1zoom.me/pt/wallpaper/434452/z12337.2/>. Acesso em: 14JUL2021.
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