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Aprendendo sempre

julho 20, 2021

O jornalista José Paulo de Andrade, que desencarnou no último ano, costumava afirmar que, depois de décadas de jornalismo, ele até sabia alguma coisa, mas as coisas que não conhecia encheriam a maior biblioteca do mundo.

O filósofo Sócrates a muitos provocava com o pensamento “Só sei que nada sei”, um verdadeiro convite não só ao conhecimento, mas também às reflexões necessárias sobre nossas convicções pessoais já estabelecidas.

Aí você escuta: “Viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz…” e penso na profundidade de se encontrar a beleza em ser um eterno aprendiz.

Já parou para pensar em como é bom ser aprendiz? Aprender é bom pra caramba. E quanto mais você aprende, mais quer aprender. O aprendiz é um inconformado, um insatisfeito, sempre em busca de algo novo; mais conhecimento, aprendizado, sabedoria e, como consequência natural, aprende, cresce, melhora, evolui.

Nesta doutrina libertadora já pelo próprio escolhido para a tarefa, o Sr Hyppolite, somos instados a não aceitar nada sem questionamento, sem o uso da razão. Seu depoimento, na Revista Espírita de Novembro/1858, testemunhando a quebra de sua convicção religiosa diante do novo ensinamento sobre reencarnação, que os espíritos lhes traziam, é sensacional. Peguei-me pensando nesse saudável “debate” entre ele e os espíritos até que ele fosse convencido e, enfim, incorporasse tal revelação aos escritos que seriam publicados, bem como a sua nova convicção.

José Herculano Pires também nos alertou que aqui, no Espiritismo, não há ninguém além de aprendiz. Ele entendeu, perfeitamente, o conceito.

Todos nós somos aprendizes mesmo porque mestre, mesmo, só houve um nesse planeta, e há mais de 2000 anos e, depois Dele, até vieram uns excelentes auxiliares de vez em quando e, todos, assumindo humildemente a sua condição. Na aceitação da condição de aprendiz, acredito, encontra-se um tanto de felicidade porque se entende que a lição está em tudo no que acontece, de bom e mau, e o segredo é entender que ensinamento essa lição traz.

Mas, não nos enganemos, para assumir essa condição, é necessária uma dose de humildade. É necessário reconhecer que até aquilo que já acreditávamos saber ou conhecer pode estar errado. O que faz todo sentido já que, se acreditamos que a evolução é constante, ela não se daria sem renovação de ideias e novos conhecimentos.

Olha que beleza, esse reconhecimento da condição de aprendiz, além de tudo, ainda nos ajuda a desenvolver aquela que seja, talvez, a maior das virtudes. Uma vez ouvi que humildade nem virtude é. Ela seria a condição necessária para o desenvolvimento de todas as outras.

Com uma pitada de humildade, no reconhecimento da condição de aprendiz, já me permito acreditar que a “vida devia ser bem melhor e será” e então reafirmarei, como o poeta, que ela “é bonita, é bonita e é bonita”.

André Tarifa

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://pixabay.com/de/photos/bibliothek-himmel-v%C3%B6gel-mystisch-425730/>. Acesso em: 20JUL2021.

André Luis R. Tarifa
André Luis R. Tarifa

Trabalhador espírita desde os 12 anos de idade, eterno aprendiz, tenho um canal no Youtube onde compartilho meu aprendizado e as belezas da poesia. Atualmente desenvolvo os meus trabalhos no Centro Espírita Mansão da Esperança em São Paulo, SP.

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