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A Lei de Reprodução

agosto 16, 2021

Examinando O Livro dos Espíritos, verificamos que o livro terceiro dessa obra – primeira da codificação, e que contém os princípios da Doutrina Espírita – traz as Leis Morais, às quais todos deveríamos nos submeter para que pudéssemos viver plenamente a felicidade possível à criatura, nos planos causal e carnal.

O capítulo quarto desse livro terceiro tem a Lei de Reprodução como tema, tratando do assunto a partir da questão 686.

De fato, e diretamente relacionada a outros códigos que compõem as leis naturais, como, por exemplo, as leis do progresso e de sociedade, pode-se dizer que a Lei de Reprodução é um complemento a todas elas, visando manter a existência dos seres sobre a Terra, dando-nos a oportunidade de cocriação dos nossos corpos, e de contribuirmos, desse modo, com a reencarnação dos espíritos.

De acordo com a resposta do grupo Espírito de Verdade à questão 686 de O Livro dos Espíritos, a reprodução dos seres vivos é uma lei natural e, sem aquela, o mundo corporal pereceria.

No capítulo XI – Gênese Espiritual do livro A Gênese, ao tratar das calamidades e desastres coletivos que se abatem de tempos em tempos sobre a humanidade, o codificador Allan Kardec esclarece na parte final do item 36 que é de notar-se que todas as grandes calamidades que dizimam as populações são sempre seguidas de uma era de progresso de ordem física, intelectual, ou moral e, por conseguinte, no estado social das nações que as experimentam. É que elas têm por fim operar uma remodelação na população espiritual, que é a população normal e ativa do globo.

Como se vê, e diferentemente do modo como encaramos, as calamidades, os desastres coletivos, as epidemias e outras misérias que alcançam uma coletividade ou mesmo a humanidade, têm o objetivo primeiro de trazer evolução, acelerando o progresso (físico, intelectual ou moral) daquelas criaturas envolvidas com esses acontecimentos. É óbvio que muitas perderão o corpo físico com esses acontecimentos, mas o Espiritismo nos ensina que o espírito é infinito, é indestrutível, sendo esse um dos cinco pilares da doutrina, qual seja, a imortalidade da alma.

Através do que se percebe da leitura das respostas às questões 688 e seguintes de O Livro dos Espíritos, o caráter distintivo e dominante das raças humanas primitivas era a predominância da força bruta em detrimento da força intelectual. Hoje se tem o contrário, pois o ser humano atua mais pela inteligência do que pela força bruta (resposta à questão 691 do livro primeiro da codificação).

Ainda que assim seja, os orientadores que nos trouxeram O Livro dos Espíritos esclarecem na resposta à questão 689 que os seres humanos atuais são descendentes aprimorados daqueles que habitavam o planeta primitivamente, sendo … os mesmos espíritos que estão retornando para se aperfeiçoarem em novos corpos, mas que estão ainda longe da perfeição. Assim, a raça humana atual que, pelo seu aumento, tende a invadir toda a Terra e a substituir as raças que se extinguem, terá seu período de decrescimento e de desaparecimento. Outras raças mais aperfeiçoadas a substituirão, descendendo da raça atual, como os homens civilizados de hoje descendem dos seres brutos e selvagens dos tempos primitivos.

Conclui-se, do ponto de vista físico, e como não poderia deixar de ser, que os corpos da raça humana atual procedem dos corpos primitivos. E isso graças à lei de reprodução.

Do ponto de vista espiritual, é novamente Allan Kardec quem nos esclarece – sob a orientação e inspiração dos espíritos elevados –, informando em A Gênese que … novas raças de Espíritos, vindo misturar-se às existentes, constituem novas raças de homens. Ora, como os Espíritos nunca mais perdem o que adquiriram, consigo trazem eles sempre a inteligência e a intuição dos conhecimentos que possuem, o que faz que imprimam o caráter que lhes é peculiar à raça corpórea que venham animar. Para isso, só necessitam de que novos corpos sejam criados para serem por eles usados. Uma vez que a espécie corporal existe, eles encontram sempre corpos prontos para os receber. Não são mais, portanto, do que novos habitantes. Em chegando à Terra, integram-lhe, a princípio, a população espiritual; depois, encarnam, como os outros (capítulo XI – Gênese Espiritual, item 37).

Já nos encaminhando para o arremate deste modesto material, na questão 132 de O Livro dos Espíritos o codificador pergunta aos Espíritos de escol qual é a finalidade, o objetivo da sua encarnação, sendo-lhe respondido que … Deus a impôs a eles com o objetivo de os fazer chegar à perfeição: para alguns é uma expiação, para outros é uma missão. Todavia, para alcançarem essa perfeição, devem suportar todas as vicissitudes da existência corporal; nisto é que está a expiação. A encarnação tem também outro objetivo, que é o de colocar o Espírito em condições de suportar sua parte na obra da criação; para realizá-la é que, em cada mundo, ele toma um aparelho em harmonia com a matéria essencial desse mundo, para executar aí, daquele ponto de vista, as ordens de Deus; de tal sorte que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.

Com base em todo o exposto, podemos concluir que a lei de reprodução faz parte das leis morais, divinas ou naturais, sendo diretamente relacionada a todas as demais, eis que visa manter a existência dos seres corpóreos sobre o planeta.

Como o corpo físico da criatura humana no planeta é essencial para que ela tome contato com a matéria, sendo tal fato indispensável para a sua evolução, de acordo com o que demonstrado na resposta à questão 132 de O Livro dos Espíritos, e como esse corpo vem evoluindo fisicamente, do mesmo modo que os espíritos encarnados evoluem moralmente, a humanidade atual descende da primitiva, física e moralmente.

No entanto, não nos esqueçamos de que essa descendência corpórea somente é possível através da reprodução física das criaturas, fato que nos dá a oportunidade de cocriação dos nossos corpos, e de contribuirmos com a reencarnação dos espíritos, que, como também trazido antes, somente necessitam de que novos corpos sejam criados para serem por eles animados.

Autor Renato Confolonieri

Nota do Editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <www.pexel.com>
Acesso em: 15/08/2021.

Renato Confolonieri
Renato Confolonieri

Atuante no Espiritismo há 20 anos, participou por três anos e meio da entrega de sopa no Grupo Fraterno de Assistência Nossa Casa em São Paulo, articulista no periódico Ação Espírita e Membro de Reuniões Mediúnicas no Grupo Espírita Jesus de Nazaré, ambos de Marília, interior de SP.

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