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Justiça das Aflições

agosto 20, 2021

A doutrina espírita nos explica que os atributos da divindade – inteligência suprema, causa primeira de tudo – são poder, justiça, bondade, e que, por estar acima de todas as coisas, Deus não deve suportar nenhuma vicissitude e não ter nenhuma das imperfeições que a imaginação pode conceber (resposta à pergunta 13 de O Livro dos Espíritos). A esse respeito, Allan Kardec bem esclarece as propriedades divinas, ao dizer que Deus é eterno, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom.

Tendo por base esses predicados divinos, e considerando que somos seus filhos diletos e bem-amados – o que é corroborado por Emmanuel na resposta à questão 134 de O Consolador, ao afirmar que a determinação divina na sagrada Lei Universal é sempre a do bem e da felicidade, para todas as criaturas –, não se tem como conceber que Deus agiria com capricho ou parcialidade nas possibilidades outorgadas a cada um de nós, que a divindade escolheria aqueles que seriam agraciados com benesses ou facilidades na sua jornada evolutiva, em detrimento dos demais.

Desse modo, ponderando que Deus é soberanamente justo e bom, as vicissitudes, revesses, infortúnios, misérias, dificuldades ou aflições que se abatem sobre as criaturas devem ter uma causa boa, uma razão justa – conforme os esclarecimentos trazidos por Jesus à humanidade –, ainda que não compreendamos essa causa ou razão.

No capítulo V (Bem-aventurados os aflitos) de O Evangelho Segundo o Espiritismo, há elucidações sobre as causas das aflições, sendo divididas em atuais e anteriores à nossa encarnação momentânea.

Nos itens 4 e 5, o Espírito de Verdade expõe que ao remontarmos aos ditos “males terrestres”, muitos deles são consequência natural do caráter e da conduta das criaturas, que são vítimas da sua própria imprevidência, intemperança, orgulho, egoísmo, ambição, má conduta ou má tendência, da sua própria falta de ordem, de perseverança, de moderação, de imposição de limites aos seus desejos. Assim, simplesmente se colhe na atual existência aquilo que se plantou, já que a Lei de Ação e Reação também faz parte da Lei Universal, citada anteriormente.

Nessas situações, a nossa própria consciência aponta os equívocos cometidos, ocasião em que os sofrimentos representam advertências de que agimos de maneira indevida em algum momento. Assim, somente evitaremos esses referidos “males” se trabalharmos o nosso aprimoramento moral, tanto quanto trabalhamos o nosso aperfeiçoamento intelectual.

Na sequência desse mesmo capítulo V de O Evangelho segundo o Espiritismo, temos o elucidamento das causas anteriores das aflições, ocasião em que a Espiritualidade nos expõe no item 6 que … se há males dos quais o homem é a causa primeira nesta vida, há outros para os quais ele é, ao menos na aparência, completamente estranho, e que parecem feri-lo como por fatalidade. Tal é, por exemplo, a perda de seres queridos, e de arrimos de família. Tais são ainda os acidentes que nenhuma providência poderia impedir; os reveses de fortuna que frustram todas as medidas de prudência; os flagelos naturais; as enfermidades de nascença, sobretudo aquelas que tiram dos infelizes os meios de ganhar sua vida pelo trabalho: as deformidades, a idiotia, o cretinismo etc.

Trazendo ainda tantas outras situações incompreensíveis sem as elucidações da Espiritualidade, há outros exemplos de situações aflitivas recaindo sobre as criaturas e que, aparentemente, nada fizeram para sofrê-las. Porém, a plêiade do Espírito de Verdade ensina que … a causa sempre precedendo o efeito, se ela não é da vida atual, deve ser anterior a essa vida, isto é, pertence a uma existência precedente, enfatizando que o ser nunca escapa às consequências de suas faltas, e que assim se explicam, pela pluralidade de existências e pela destinação da Terra enquanto mundo expiatório, as anomalias expostas na Terra pela distribuição de felicidade e de infelicidade entre bons e maus. Essa anomalia aparente não existe senão quando se toma por ponto de vista apenas a vida terrestre; mas elevando-se o pensamento até abranger uma série de existências, ver-se-á que cada um recebe o que merece, sem prejuízo do que lhe cabe no mundo dos Espíritos, e que a justiça de Deus nunca falha.

Há que ser feita referência, ainda, à ressalva trazida pela Espiritualidade no item 9 do aludido capítulo V de O Evangelho segundo o Espiritismo, no sentido de que nem sempre … se deve crer que todo sofrimento suportado aqui seja necessariamente o indício de uma determinada falta; muitas vezes são simples provas escolhidas pelo Espírito para acabar sua depuração e apressar seu adiantamento. Assim, a expiação sempre serve de prova, mas a prova nem sempre é uma expiação. Mas provas ou expiações são sempre sinais de uma relativa inferioridade, porque o que é perfeito não tem necessidade de ser provado.

Diante de todo o exposto, verificamos que os equívocos praticados na atual encarnação nos aflorarão através de um exame acurado da nossa própria consciência, que minimamente nos apontará que passamos por essa ou aquela dificuldade em razão das nossas atitudes ou decisões tomadas na presente roupagem física.

Também é possível verificar que não nos é plausível alterar os equívocos cometidos em encarnações anteriores, que deverão ser imputados a nós para que tomemos consciência deles, para que ressarçamos ou reparemos os prejuízos causados a outrem, e para que experienciemos a mesma conduta indevida que praticamos contra alguém, por serem esses os determinismos da lei maior.

No entanto, e como disse Emmanuel na resposta à questão 131 do já citado livro O Consolador, a luta e o trabalho são tão imprescindíveis ao aperfeiçoamento do Espírito, como o pão material é indispensável à manutenção do corpo físico. É trabalhando e lutando, sofrendo e aprendendo, que a alma adquire as experiências necessárias na sua marcha para a perfeição, referindo-se à perfeição possível às criaturas.

Dessa forma, confiando infinita e profundamente na bondade, sapiência, justiça e misericórdia de Deus, tomemos consciência das nossas responsabilidades para conosco e para com as demais criaturas, passando a encarar com mais equilíbrio emocional tudo o que se nos acontece, lembrando sempre que a Lei de Ação e Reação é inexorável, e que somente alcançaremos as culminâncias da evolução se trabalharmos as nossas dificuldades, se aprendermos com os nossos equívocos, e se procurarmos o bem comum, lutando e contribuindo para a felicidade de todos nós, coletivamente.

 

Renato Confolonieri

 

Nota do Editor:

Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <http://fraterluz.blogspot.com/2016/11/ese-justica-das-aflicoes.html>. Acesso em: 25MAR2021.

Renato Confolonieri
Renato Confolonieri

Atuante no Espiritismo há 20 anos, participou por três anos e meio da entrega de sopa no Grupo Fraterno de Assistência Nossa Casa em São Paulo, articulista no periódico Ação Espírita e Membro de Reuniões Mediúnicas no Grupo Espírita Jesus de Nazaré, ambos de Marília, interior de SP.

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