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No trabalho

setembro 11, 2021

O livro Paulo e Estevão nos relata duas incríveis jornadas, uma interna de autoconhecimento, reflexões e transformação e outra, externa, de pé no chão e trabalho incessante na propagação da Boa Nova.

Graças a essa segunda, Paulo de Tarso ganhou a alcunha de apóstolo dos gentios, levando a toda gente, muito além dos círculos judeus, os ensinamentos excelsos de Jesus.

A caminhada foi longa, milhares de quilômetros, cheia de intempéries, praticamente sem nenhum descanso, com firmeza de brio e caráter, desafiando, até mesmo, os limites do seu corpo físico. Não foram poucas as ocasiões em que lhe abateram doenças e febres que lhe derrubavam por semanas.

Além disso tudo, as incontáveis oportunidades em que foi ferido pelas agressões físicas de toda sorte.

Mas foi em um lugar que, no seu imaginário, era especial, que viveu uma experiência frustrante, A Grécia.

A terra dos filósofos, da cultura, da beleza, das obras arquitetônicas únicas e do mármore, na mente pulsante de Paulo seria terreno fértil para os ensinamentos do Mestre. Lá chegando não encontrou nada além da frieza, sarcasmo e indiferença. Não lhe faltaram oportunidades de exposição, até porque, coisa rara, não havia nem impedimentos e, muito menos, agressões físicas. No entanto o trabalho não rendeu frutos, tal qual o semeador em terreno pedregoso, na frieza grega, semelhante ao seu mármore, não havia espaço, naquele momento, para o fogo dos ensinamentos santificantes.

Em sua tristeza e frustração, Paulo refletiu que justamente do choque, da oposição de ideias e interesses, dos conflitos, nas objeções é que cresciam as novas ideias. Em cada localidade em que foi atacado, moral e fisicamente, surgiu pelo menos, uma nova igreja. Em localidades de dor, sofrimento e fome, vicejava as ideias de Jesus. Nos corações humildes o Mestre encontrava espaço.

Nesse exemplo encontrei reflexo do que, muitas vezes, encontramos na seara espírita. Do ponto de vista dos “ouvintes” dos novos ensinamentos, costumamos dizer que todos chegam na doutrina pelo amor ou pela dor, via de regra pela segunda opção, e são esses corações os mais propícios aos novos ensinamentos e consolações que o Espiritismo propõe, afinal todo aquele que pede ajuda tem, pelo menos, um pouco de humildade em reconhecer-se incapaz de resolver sua questão sem ajuda externa.

Do ponto de vista de nós, trabalhadores, fica o exemplo do apóstolo dos gentios. Objeções surgirão, sempre, e de toda natureza, hoje sem a agressão física, pelo menos. Toda vez que revolvemos o íntimo, nosso ou de alguém, com as reflexões propostas pela descoberta dos princípios doutrinários e cristãos, surgem, e continuarão surgindo, oposições, barreiras, ofensas, sofrimentos, como reflexos diretos e imediatos do novo pensamento O velho brigando com o novo. No entanto é justamente aí que se formará a base do novo ser. É desse estremecimento que acontecerão novas transformações, incontáveis Saulos transformando-se em Paulos, cada um na medida necessária ao seu ser para aquele instante.

Já, se o trabalho estiver tranquilo, calmo e indiferente, sem a provocação de qualquer reação, talvez estejamos trabalhando na fria Grécia e, tal como lá, o serviço também seja inócuo e improdutivo.

Paulo voltou aos terrenos inóspitos e de batalha. Fora mais feliz na implantação da Boa Nova quando enfrentou adversidades. Assim, sigamos o mesmo caminho.

André Tarifa

Nota do editor:

Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://tvmundomaior.com.br/tarefeiros-na-casa-espirita-qual-e-a-grandeza-nesse-trabalho/>. Acesso em: 11SET21.

André Luis R. Tarifa
André Luis R. Tarifa

Trabalhador espírita desde os 12 anos de idade, eterno aprendiz, tenho um canal no Youtube onde compartilho meu aprendizado e as belezas da poesia. Atualmente desenvolvo os meus trabalhos no Centro Espírita Mansão da Esperança em São Paulo, SP.

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