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Egoísmo

outubro 13, 2021

Em mundo cada vez mais acelerado, não te dás conta de pequenos detalhes.

Levantas-te pela manhã pensando em teu desjejum. Preparas o que lhe convém com os recursos que dispõe.

Satisfazes no calor da refeição e segues para a repetitiva rotina. Mas não lembras que poderias beneficiar outros no teu lar aumentando a porção que preparastes.

Dirigindo na rodovia, assumes a faixa da esquerda em velocidade bem menor que a prevista, impedindo a passagem de outros irmãos que carecem de tempo. Atento somente ao que lhe importa adiante, olvidas que o condutor do veículo que lhe segue pode estar em atendimento a alguma emergência.

No trabalho deténs conhecimentos de favorecimento coletivo. Mas guardas para si as informações, justificando aplicá-las futuramente em prol exclusivo de tuas necessidades.

No transporte coletivo, buscas uma melhor posição para ti e te fixas nos recursos audiovisuais na palma de sua mão, sem te dar conta que tua mochila nas costas espreme o irmão que compartilha o espaço apertado no corredor. Ainda neste cenário, sem tirar teus olhos da tela, sentas-te no banco que esvazia próximo a ti, sem observar se no entorno há outros mais necessitados de um assento.

Em via pública, manténs-te na calçada em linha reta a passos largos, ignorando quem vem à frente. Mal percebes que uma irmã com um carrinho de bebê foi obrigada a se desviar pela rua para não colidir contigo.

Sujeitas tua saúde a condições limítrofes que podem fragilizá-la, alegando imperativos da carne. Mas te esqueces que o teu adoecimento representa trabalho e exclusividade dos que lhe são próximos.

Regozijas-te de teus feitos e de teu sucesso com terceiros, porém te esqueces que para alguns ouvidos que te escutam isto pode representar dor e sofrimento por não contarem com a mesma oportunidade.

Ao chegar o sono busca o repouso completo de suas forças, fazendo uso do tempo que te apraz. Todavia, ignoras a possibilidade de se esforçar um pouco mais em vigília para dividir com o próximo que compartilhas contigo o teto as tarefas rotineiras do lar.

* * *

Dentre todos os males da humanidade, o egoísmo é o que nos detém como grilhões, obstando o nosso progresso moral. Filho do orgulho, ele nos impele a agir em favor de nós mesmos, negando a caridade para com o próximo.

Em todos os momentos da vida é nos dada a oportunidade de aplicarmos o evangelho prático e exercermos a caridade das mais variadas formas.

Todavia, muitas vezes e sem nos darmos conta, exercemos o egoísmo a cada passo, influenciando o próximo a fazer o mesmo em um efeito dominó que, às vezes, retorna para nós mesmos.

Ao aplicarmos o egoísmo pessoal, negamo-nos automaticamente à lei de amor, dita pelo Mestre Jesus por meio do “Amai o vosso próximo como a vós mesmos”. Todavia, qual o limite com relação ao próximo? Será a família, a seita, a nação? Neste contexto, percebemos que nosso egoísmo pode transcender o eu para se tornar um egoísmo de família, de casta, de nacionalidade.[1]

Busquemos nos exemplos do Divino Mestre a lembrança contínua de aplicarmos na escola da vida o evangelho vivido em ações de amor ao próximo. Só assim, expurgando este mal de nossos corações, é que iremos contribuir com a ascensão da humanidade à a um mundo de Regeneração onde a felicidade será o caminho natural dos homens.

Márcio Martins da Silva Costa

Nota do autor:

Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://jornaltribuna.com.br/2021/06/egoismo-e-suas-adversidades-na-sociedade/>. Acesso em: 12OUT21.

Publicado na Coluna Espírita (Agê) do Jornal Diário de Taubaté, em 28 de setembro de 2021.

Referência:
[1] A. Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, 131a. Brasília (DF): Federação Espírita Brasileira, 2013.

Márcio Costa
Márcio Costa

Membro do Conselho Editorial da Agenda Espírita Brasil, atua na divulgação da Doutrina Espírita escrevendo textos e realizando palestras.

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