
A draconiana legislação Moisaica
Jesus pôde proclamar um Deus clemente, Moisés não!
“(…) Então darás vida por vida, olho por olho, dente
por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por
queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe.”
– Moisés. (Êxodo, 21:23 a 25).
Assistia a Moisés plena razão para legislar de forma tão severa e até mesmo cruel, levando-se em conta que quanto mais próximo do estado primitivo, mais material era o homem, cujo senso moral obliterado por superlativa ignorância impossibilitava-lhe a percepção das delicadas nuanças que dividiam a fronteira do bem e do mal.
Em estado de semisselvageria, as criaturas, por um “dá cá essa palha”, sem noção de limites e proporção, perpetravam as maiores exorbitâncias a guisa de revides.
Para corrigir a extrema defasagem existente no que deveria ser a paridade entre a falta e o seu respectivo castigo, foi que Moisés promulgou os regulamentos que estão consignados no capítulo vinte e um do livro de Êxodo.
Ao estudar a questão das “Penas Eternas”, Allan Kardec esclareceu (1): “(…) o senso moral é o que de mais tardio se desenvolve no homem. O homem primitivo, rude, assimilou Deus à sua própria natureza, daí, d`Ele esboçando um perfil com as tintas fortes do despotismo aterrador, armado com raios, ou no meio de coriscos e tempestades, semeando de passagem a destruição, a ruína, semelhantemente aos guerreiros invencíveis…
Um Deus de mansuetude e cordura não seria um Deus, porém um ser fraco e sem meios de se fazer obedecer. A vingança implacável, os castigos terríveis, eternos, nada tinham de incompatíveis com a ideia que se fazia de Deus, e, portanto, não lhe repugnavam a razão.
Sendo implacável também ele, (o homem) nos seus ressentimentos, cruel para os inimigos e inexorável para os vencidos, Deus, que lhe era superior, deveria ser ainda mais terrível!
Para tais homens eram necessárias crenças religiosas assimiladas à sua natureza rústica. Uma religião toda espiritual, toda amor e caridade não podia aliar-se à brutalidade dos costumes e das paixões.
Não censuremos, pois a Moisés sua legislação draconiana, apenas bastante para conter o povo indócil, nem o haver feito de Deus um Deus vingativo. A época assim o exigia, essa época em que a Doutrina de Jesus não encontraria eco e até se anularia.
(…) Jesus pôde proclamar um Deus clemente, falando do Seu Reino, que não é deste mundo e acrescentando outra promulgação completamente inversa do antigo “olho por olho dente por dente”: “amai-vos uns aos outros e fazei bem aos que vos odeiam”.
Resta agora saber: diante dos tristes quadros existenciais hodiernos, onde grassa, infrene, soez beligerância, será que a humanidade já percebeu que a Lei Moisaica já foi substituída?!
Rogério Coelho
Referência:
(1) KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. 51.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2003, VI, itens 3 e 4.
Nota do Editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://cooperadoresdaverdade.com/onde-estao-as-tabuas-da-lei-de-moises/>. Acesso em: 08JAN2022.
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