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A draconiana legislação Moisaica

janeiro 8, 2022

Jesus pôde proclamar um Deus clemente, Moisés não!


“(…) Então darás vida por vida, olho por olho, dente
por dente, mão por mão, pé  por pé, queimadura por
 queimadura, ferida por ferida,  golpe  por  golpe.”
                                     – Moisés. (Êxodo, 21:23 a 25).

Assistia a Moisés plena razão para legislar de forma tão severa e até mesmo cruel, levando-se em conta que quanto mais próximo do estado primitivo, mais material era o homem, cujo senso moral    obliterado    por    superlativa     ignorância impossibilitava-lhe   a  percepção  das  delicadas  nuanças   que dividiam a fronteira do bem e do mal.

Em estado de semisselvageria, as criaturas, por um “dá cá essa palha”, sem noção de limites e proporção, perpetravam as maiores exorbitâncias a guisa de revides.

Para corrigir a extrema defasagem existente no que deveria ser a paridade  entre a falta e o seu respectivo castigo,  foi  que  Moisés promulgou os regulamentos que estão consignados no capítulo vinte e um do livro de Êxodo.

Ao estudar a questão das “Penas Eternas”, Allan Kardec esclareceu (1):  “(…) o senso moral é o que de mais  tardio se desenvolve no homem. O homem primitivo, rude, assimilou Deus à  sua  própria natureza, daí, d`Ele esboçando um perfil  com  as tintas  fortes do despotismo aterrador, armado com raios,  ou  no meio   de  coriscos  e  tempestades,  semeando  de   passagem   a destruição, a ruína, semelhantemente aos guerreiros invencíveis… 

Um Deus de mansuetude e cordura não seria um Deus, porém um ser fraco e sem meios de se fazer obedecer. A vingança implacável, os castigos terríveis, eternos, nada  tinham de incompatíveis com a ideia que se fazia de Deus, e, portanto, não lhe repugnavam  a  razão. 

Sendo implacável também ele, (o homem) nos seus ressentimentos,  cruel  para  os inimigos e  inexorável  para  os vencidos,  Deus,  que lhe era superior, deveria  ser  ainda  mais terrível!

Para tais homens eram necessárias  crenças religiosas assimiladas à sua natureza rústica.  Uma religião toda espiritual, toda amor e caridade não podia aliar-se à brutalidade dos costumes e das paixões.

Não censuremos, pois a Moisés sua legislação draconiana, apenas bastante para conter o povo indócil, nem o haver feito de Deus um Deus vingativo.  A época assim o  exigia, essa  época em que a Doutrina de Jesus não encontraria eco e  até se anularia.

(…) Jesus pôde proclamar um Deus clemente, falando do Seu Reino, que não é deste mundo e acrescentando outra promulgação completamente inversa do antigo “olho por olho dente por dente”: “amai-vos uns aos outros e fazei bem aos que vos odeiam”.

Resta agora saber: diante dos tristes quadros existenciais hodiernos, onde grassa, infrene, soez beligerância, será que a humanidade já percebeu que a Lei Moisaica já foi substituída?!    

Rogério Coelho

Referência:
(1) KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. 51.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2003, VI, itens 3 e 4.

Nota do Editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://cooperadoresdaverdade.com/onde-estao-as-tabuas-da-lei-de-moises/>. Acesso em: 08JAN2022.

Rogério Coelho
Rogério Coelho

Rogério Coelho nasceu na cidade de Manhuaçu, Zona da Mata do Estado de Minas Gerais onde reside atualmente. Filho de Custódio de Souza Coelho e Angelina Coelho. Formado em Jornalismo pela Faculdade de Minas da cidade de Muriaé – MG, é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Converteu-se ao Espiritismo em outubro de 1978, marcando, desde então, sua presença em vários periódicos espíritas. Já realizou seminários e conferências em várias cidades brasileiras. Participou do Congresso Espírita Mundial em Portugal com a tese: “III Milênio, Finalmente a Fronteira”, e no II Congresso Espírita Espanhol em Madrid, com o trabalho: “Materialistas e Incrédulos, como Abordá-los?” Participou da fundação de várias casas Espíritas na Zona da Mata Mineira.

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