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A serenidade da tentativa

março 4, 2022

Dentre as muitas belas passagens da vida de Francisco de Assis, destaca-se aquela na qual ele estava já idoso, um tanto adoecido, cuidando do seu jardim, quando lhe perguntaram o que faria se soubesse que ia desencarnar amanhã. O sol de Assis responde que continuaria, serenamente, a cuidar de seu jardim.

A serenidade demonstrada por Francisco tem lastro em uma vida correta, não perfeita. Uma vida na qual se tentou fazer o máximo, e que mantém o equilíbrio por conta de uma consciência tranquila advinda de se ter feito o que pôde ao seu alcance. Isso é que espera de nós a espiritualidade superior.

A serenidade da tentativa independe de resultados, se relacionando a nossa tentativa sincera de fazer o melhor, que às vezes não depende de nós. Claro, é importante buscarmos os resultados, a concretude, mas sem o apego e a vaidade de achar que vamos dominar todos os processos, nas questões por vezes insondáveis dos desígnios divinos.

Ter tentado fazer o máximo em relação àquele filho, àquele irmão, é o nosso dever. É o que nos cabe. Difícil encontrar essa serenidade quando vemos que apesar do esforço nada deu certo. Mas, é preciso lembrar que as coisas não dependem apenas de nós. Cada um tem a sua cota de participação na construção do reino de Deus, e essa visão nos leva a uma compreensão maior da vida.

Para uma ilustração final, o final de 2021 nos brindou com uma pérola cinematográfica, o filme “Não olhe para cima”, exibido pela Netflix, uma comédia dirigida por Adam McKay, e que causou grande movimentação nas redes sociais, tratando da vinda de um meteoro na direção da Terra. Se você ainda não assistiu ao filme, vou revelar alguns detalhes dele agora, o que pode prejudicar a sua experiência ao assistir.

Nessa película, com a informação já disseminada de que o meteoro se chocaria com a Terra e nada havia a ser feito, os protagonistas, que lutaram durante todo o filme para reverter essa situação, se reúnem em um jantar, um sereno jantar, para esperar o fim do mundo.

Nessa refeição, uma das protagonistas, vivida pela atriz Jennifer Lawrence, destaca que, apesar de estarem ali aguardando o fim trazido pelo meteoro algoz, eles pelo menos tentaram. Destaca de forma emocionante a bênção da tentativa, como o Francisco de Assis de outrora. Mais que um consolo, é uma certeza de que se fez o que pôde, e que as coisas aconteceram como tinham de acontecer.

Em tempos tão conflituosos, de crise, de pandemia, de tensões sociais, é preciso encontrar a serenidade da tentativa para se enxergar o que nos cabe fazer e em que momento fizemos o máximo possível, para entender que somos partes da criação, na construção de um mundo melhor, e que, como nos assevera o Espiritismo, só sofreremos o que for relevante para o nosso processo evolutivo.

Marcus Vinicius de Azevedo Braga

Nota do Editor:
Publicado na Revista Semanal de Divulgação Espírita – O Consolador, em http://www.oconsolador.com.br/ano15/761/ca4.html. Publicado na Agenda Espírita Brasil com autorização do autor.

Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://buencamino.com.br/2021/10/04/sao-francisco-de-assis-no-caminho-de-santiago-de-compostela/>. Acesso em: 03MAR2022. 

Marcus Vinicius de Azevedo Braga
Marcus Vinicius de Azevedo Braga

Residindo atualmente na cidade do Rio de Janeiro, espírita desde 1990, atua no movimento espírita na evangelização infantil, sendo também expositor. É colaborador assíduo do jornal Correio Espírita (RJ) e da revista eletrônica O Consolador (Paraná). É autor do livro Alegria de Servir (2001), publicado pela Federação Espírita Brasileira (FEB) e do Livro "Você sabe quem viu Jesus nascer" (2013), editado pela Editora Virtual O Consolador.

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