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Refutação da intervenção do demônio

abril 20, 2022

Ao acoroçoarem dogmas fantasiosos as religiões gestaram a incredulidade hodierna

“Pelo fruto se conhece a árvore”.
– Jesus. (Mat. 12:33).

No passado não muito distante, com claros reflexos até aos nossos dias, foi inventada a figura mitológica do bicho-papão, como “recurso” psicológico para sossegar as crianças insubordinadas. Assim também, inúmeras instituições religiosas criaram o diabo para manter apascentado, pelo terror, em seus respectivos apriscos, os rebanhos de fiéis.   Mas o problema se impõe quando a criança cresce e percebe que o bicho-papão foi só uma invenção habilidosa; e a partir daí  não dá mais o doce para quem lhe oferece proteção contra o papão.  Da mesma forma, quem vivia submetido ao medo do demo, descobrindo que ele não passa de ficção, caem, com todo o peso, nos tentáculos impiedosos da incredulidade. Assim, por mais paradoxal que possa parecer, não é o materialismo que oferece mais voluntários para as fileiras da incredulidade, mas sim, as religiões que acoroçoam dogmas fantasiosos que não resistem à análise da lógica e do bom senso.

Jesus profligou esse expediente terrorista, de forma que no momento em que se admite a personificação do demônio, desautoriza-se o Meigo Pastor de nossas Almas.

Felizmente, luzes se acendem aqui e acolá, em todos os tempos, mesmo nos arraiais dogmáticos.  É o que nos conta, por exemplo, Allan Kardec (1), do seguinte modo: “(…) Monsenhor Freyssinous, bispo de Hermópolis, em seu livro “Conferências sobre a religião”, p. 341, escreveu em 1825: “Se Jesus Cristo tivesse operado Seus milagres pela virtude do demônio, o demônio teria, pois, trabalhado para destruir seu império, e teria empregado sua força contra si mesmo. Certamente, um demônio que procurasse destruir o reino do vício para estabelecer o da virtude, seria um estranho demônio. Eis porque Jesus, para repelir a absurda acusação dos judeus, lhes disse: “se eu opero prodígios em nome do demônio o demônio está, pois, dividido consigo mesmo; ele procura, pois, se destruir”. (resposta que não sofre réplica).

Todos os eclesiásticos, como se vê, estão longe de professar, sobre a doutrina demoníaca, opiniões tão absolutas quantos certos membros do clero; o Mons. de Hermópolis é, nestas matérias, uma autoridade da qual não se saberia recusar o valor. Seus argumentos são precisamente os mesmos que os Espíritas opõem àqueles que atribuem ao demônio os bons conselhos que recebem dos Espíritos. Que fazem, com efeito, os Espíritos, se não é destruir o reino do vício para estabelecer o da virtude?   De conduzir a Deus aqueles que O desconhecem e O negam?  Se tal fosse obra do demônio, ele agiria como um ladrão profissional que restituísse o que roubou, e convida­ria os outros ladrões a se tornarem pessoas honestas. Então, seria preciso felicitá-los pela sua transformação. Sustentar a cooperação voluntária do Espírito do mal para produzir o bem, é não só um contrassenso, mas é negar a mais alta autoridade cristã: a do Cristo.

Que os fariseus do tempo de Jesus tenham acreditado nisto de boa-fé, poder-se-ia concebê-lo, porque então não se estava mais esclarecido sobre a natureza de Satã do que sobre as de Deus, e que entrou na teogonia dos judeus deles fazer duas forças iguais. Mas hoje tal doutrina, que é tão inadmissível quanto à que atribuía a Satã certas invenções industriais, como a imprensa, por exemplo; aqueles mes­mos que a defendem são talvez os últimos a nela crerem; ela já cai no ridículo e não assusta ninguém, e em pouco tempo não se ousará mais invocá-la.

A Doutrina Espírita não admite potência rival à de Deus, e ainda menos poderia admitir que um ser decaído, precipitado por Deus num abismo, pudesse ter recobrado bastante poder para contrabalançar os Seus desígnios, o que roubaria a Deus a Sua onipotência. Segundo essa doutrina, Satã é a personificação alegórica do mal, como entre os pagãos Saturno era a personificação do tempo, Marte a da guerra, Vênus a da beleza…

Os Espíritos que se manifestam são as almas dos homens, e entre eles há, como entre os homens, os bons e os perversos, avançados e atrasados. Os bons dizem boas coisas, dão bons conselhos; os perversos dizem as más, inspiram maus pensamentos, e fazem o mal como faziam sobre a Terra; vendo a maldade, a patifaria, a ingratidão, a perversidade de certos homens, reconhece-se que não valem mais do que os maus Espíritos; mas, encarnados ou desencarnados, esses maus Espíritos chegarão um dia a se melhorar, quando forem tocados pelo arrependimento.

Comparai uma e a outra doutrina, e vede a que é mais racional, a mais respeitosa para com a Divindade”.

Rogério Coelho

Referência:
(1) KARDEC, Allan. Revue Spirite. Fevereiro de 1867. Araras: IDE, 1993, p. 46-47.

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://tvmundomaior.com.br/demonios-na-visao-espirita/>. Acesso em: 17ABR2022.

Rogério Coelho
Rogério Coelho

Rogério Coelho nasceu na cidade de Manhuaçu, Zona da Mata do Estado de Minas Gerais onde reside atualmente. Filho de Custódio de Souza Coelho e Angelina Coelho. Formado em Jornalismo pela Faculdade de Minas da cidade de Muriaé – MG, é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Converteu-se ao Espiritismo em outubro de 1978, marcando, desde então, sua presença em vários periódicos espíritas. Já realizou seminários e conferências em várias cidades brasileiras. Participou do Congresso Espírita Mundial em Portugal com a tese: “III Milênio, Finalmente a Fronteira”, e no II Congresso Espírita Espanhol em Madrid, com o trabalho: “Materialistas e Incrédulos, como Abordá-los?” Participou da fundação de várias casas Espíritas na Zona da Mata Mineira.

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