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As guerras sob a visão do Espiritismo

abril 26, 2022

Tivemos a oportunidade anterior de traçar algumas linhas acerca da Lei de Destruição, cujos ensinamentos são constantes do capítulo 6 do livro terceiro de O Livro dos Espíritos.

Naquela ocasião, foi possível o ensejo de estudar a resposta do Espírito de Verdade à questão 737 da primeira obra da codificação, onde nos houve a explicação de que Deus atinge a Humanidade por meio de flagelos destruidores com o objetivo de “… fazê-la avançar mais depressa. Não vos dissemos que a destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem, a cada nova existência, um novo grau de perfeição? É preciso ver o fim para lhe apreciar os resultados. Não os julgais senão sob o vosso ponto de vista pessoal e os chamais flagelos por causa do prejuízo que vos ocasionam. Mas esses transtornos são, frequentemente, necessários para fazer alcançar, mais prontamente, uma ordem melhor de coisas, e em alguns anos, o que teria exigido muitos séculos”.

Embora a palavra flagelo talvez pudesse ser mais bem tomada por calamidades, desastres ou mesmo eventos destruidores, como também já dissemos, a resposta dos espíritos superiores é surpreendente pela sua lucidez, podendo ser incluídas as guerras nesse conceito de situações destrutivas, de padecimento – ainda que momentâneo – para a humanidade terrestre.

Todavia, se as guerras têm como causa a “predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e satisfação das paixões”, e deverão desaparecer do planeta “quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a lei de Deus”, de acordo com o que se vê na resposta dos benfeitores do Alto às perguntas 742 e 743 de O Livro dos Espíritos, o questionamento feito em seguida é de importância primordial para entendimento ou pelo menos aceitação com menor revolta dos conflitos armados entre os povos, exarado no sentido de “744. Qual foi o objetivo da Providência, tornando a guerra necessária? – A liberdade e o progresso.”.

E na segunda parte dessa pergunta, Allan Kardec, com o seu discernimento científico, parece-nos imaginar haver uma incoerência na resposta dada. De fato, é o que se dá a crer, razão pela qual inquire aos espíritos “se a guerra deve ter por resultado alcançar a liberdade, como ocorre que ela, frequentemente, tenha por objetivo e por resultado a subjugação?”. A manifestação seguinte é novamente esclarecedora, eis que há sim subjugação, mas “… momentânea para abater os povos, a fim de os fazer chegar mais depressa.”.

Tanto é verdade que existem vários relatos na história da humanidade de que na maioria das vezes em que se passou por situações de conflitos armados, os povos envolvidos apresentaram grande evolução tecnológica e em muitos outros sentidos, anos após o término do que parece ser a barbárie que a guerra realmente é. Aqui se confirma o que os bons espíritos disseram na já transcrita – em parte – resposta à pergunta 737 de O Livro dos Espíritos.

Mas não nos enganemos. Deus não permitiria situações do gênero – guerras e os consequentes sofrimento e mortes de criaturas – se não houvesse um propósito positivo, absolutamente além da nossa visão limitada, circunscrita e míope.

No entanto, e de acordo com a questão 745 de O Livro dos Espíritos, “que pensar daquele que suscita a guerra em seu proveito?”, o Espírito de Verdade elucida precisamente: “este é o verdadeiro culpado e precisará de muitas existências para expiar todos os homicídios dos quais foi a causa, porque responderá por cada homem, ao qual causou a morte para satisfazer sua ambição.”.

Aqui podemos complementar com a lição trazida pelo Mestre Divino, constante do item 11 do capítulo VIII de O Evangelho segundo o Espiritismo, no sentido de que “ai do mundo por causa de escândalos; pois é necessário que haja escândalos; mas infeliz do homem pelo qual o escândalo acontece.”.

Quanto a esse alerta de Jesus, os espíritos elevados esclarecem no item 14 desse mesmo capítulo que “é necessário que o escândalo aconteça, para que os homens, estando em expiação na Terra, punam-se a si mesmos pelo contato de seus próprios vícios, dos quais são as primeiras vítimas, e cujos inconvenientes acabam por compreender. Quando estiverem cansados de sofrer o mal, procurarão o remédio no bem. A reação desses vícios serve, portanto, a um só tempo como castigo para uns e como prova para outros. É assim que Deus faz emergir o bem do mal, e que os próprios homens aproveitam as coisas más ou rejeitáveis.”.

Portanto, pode-se concluir que a Lei de Destruição, que faz parte das Leis Morais ou Divinas, tem a guerra como uma de suas principais manifestações.

Como todo propósito da Divindade é infinitamente bom e positivo, as guerras têm como objetivo fazer a humanidade progredir mais depressa, rumo à perfeição relativa alcançada pelas criaturas, ainda que não consigamos enxergar esse propósito, principalmente em razão dos horrores trazidos por um conflito armado.

Porém, é preciso dizer que aqueles que deflagram e fazem perdurar as guerras serão responsabilizados pelos seus atos, perante a Lei de Deus. A manifestação dos espíritos de escol, constante do item 16 do capítulo VIII de O Evangelho segundo o Espiritismo, é muito clara nesse sentido.

Quanto a isso, os orientadores espirituais instruem que “mas ‘ai daquele por quem o escândalo acontece’ quer dizer que o mal, sendo sempre o mal, aquele que sem saber serviu de instrumento para a justiça divina, e cujos maus instintos foram utilizados, nem por isso deixou de fazer o mal, e também deve ser punido.”.

Apresentadas essas modestas considerações, é preciso que sigamos serenos e sempre confiantes no que se refere aos conflitos armados presentes no planeta. Jamais nos esqueçamos de que tudo está sob a ciência e consciência de Deus, que é soberanamente justo, bom e misericordioso conosco, seus filhos diletos, ampla e imensamente amados.

Renato Confolonieri

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://espirito.org.br/artigos/guerra-na-ucrania/>. Acesso em: 26ABR2022.

Renato Confolonieri
Renato Confolonieri

Atuante no Espiritismo há 20 anos, participou por três anos e meio da entrega de sopa no Grupo Fraterno de Assistência Nossa Casa em São Paulo, articulista no periódico Ação Espírita e Membro de Reuniões Mediúnicas no Grupo Espírita Jesus de Nazaré, ambos de Marília, interior de SP.

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