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Compreendendo o nosso papel!

julho 25, 2022

Anteriormente, pareciam existir três posturas na situação de um observador: a pessoa, o objeto e o ato.

Separados, a pessoa se abstraía do todo para observar; o objeto se apresentava a distância, sob observação; a atitude afastava o observador.

Esse trecho está na obra de  Joana de Ângelis O Homem Integral, no subtítulo Observador, Observação e Observado, e  nos fala que na vida somos observadores e também observados.

Esse subtítulo está no capítulo Maturidade Psicológica, onde ela explica como aos poucos o ser vai conquistando estágios mais elevados. Inicialmente estamos imersos no egocentrismo, julgamo-nos separados dos demais, a observar, mas também a ser observados, ou seja, estamos em situação de igualdade. O fato de julgarmo-nos separados é fruto de nosso egoísmo, pois acabamos criando um distanciamento que nos isenta de responsabilidades com o que acontece com o outro. A impressão de estarmos todos separados é uma ilusão.

Quantas pessoas passam pelas ruas observando outras passando fome numa atitude de mero observador? Muitos só “acordam” quando vivenciam a mesma dor do estômago vazio, e então, quiçá passem a ter um “comportamento unitário”(1), ou seja, “fazer ao outro o que gostaria que fizessem consigo”.

Jesus encontrou-nos assim, ausentando-nos de responsabilidade com o outro, o observado, e falou-nos dessa regra de Ouro, da Lei do Amor, que resumia o decálogo, e para ser claro, usava as parábolas, como a do bom samaritano; o observador que transcendeu do papel de mero expectador.

Joana continua: “A pouco e pouco, ele (o observador) se deu conta de que a unidade se encontra presente no conjunto, que por sua vez se faz unitário, assim como a onda é o mar, embora o mar não seja a onda”(grifo nosso). Que linda analogia de Joana: Ela nos mostra que somos “ondas”, mas estamos todos juntos no mar de Deus, completamente conectados.  A ondinha aparece e depois desaparece no mar  integrando-se ao todo, reaparecendo muitas vezes para novamente misturar-se ao mar. São as nossas reencarnações, até que um dia estaremos no mar sereno, sem precipitações que nos obrigue a sermos onda novamente, pois compreenderemos que somos todos um.

E mais: “Na inteireza da unidade, todos os agentes que a constituem são portadores do grau de responsabilidade, a benefício do conjunto. Não há como transferir-se para outrem a tarefa que lhe diz respeito.”  Ou seja, o aprendizado é pessoal e intransferível.   Quando cada um de nós conquistamos um talento, todos beneficiam-se modificando o conjunto. A humanidade está caminhando aos poucos para essa consciência da unidade, e quanto mais gente acordar, mais nos aproximamos do ciclo de regeneração, apesar de que muitos ainda não perceberam essa realidade.

E continua Joana: “O excesso de esforço em um enfraquece-o a favor, negativo, da ociosidade de outro, que se debilita por falta de movimentação. Aquele que muito se esforça sem nada receber do outro, além de perder a força, colabora para a estagnação desse, num jogo onde não há vencedor.

Tal compreensão do mecanismo existencial deflui de uma capacidade maior de amadurecimento psicológico do homem, que já não se compadece da própria fraqueza, porém busca fortalecer-se; tampouco se considera inferior em relação aos demais, por saber-se detentor de energias equivalente.”

Isso significa que aquela pessoa com maior maturidade, que age positivamente pelo todo, passa a conhecer-se melhor, estando consciente de que não é melhor nem pior que ninguém, já que reconhece-se igual a qualquer outro ser humano, com virtudes e com imperfeições, mas também sabe de seu potencial transformador. Ela tem uma imagem de si mesma bem mais realista.

Deste modo assumimos as nossas responsabilidades na sociedade. Fazendo parte do todo colaboramos para que o todo cresça. No momento em que falhamos com nossos deveres, já teremos consciência que não faremos mais parte daquele todo, e estaremos “conspirando contra o equilíbrio geral” e ficaremos sós, o que já modifica o todo, que criará uma nova forma sem nós. Por exemplo, se por não suportar as pressões na família onde nascemos, com a qual nos comprometemos no planejamento reencarnatório a conviver e perdoar, ela vai tomar uma nova feição mesmo com a nossa ausência, porque todos nós interferimos no todo, mas agora, de um jeito tal que o perdedor seremos nós.

Joana finaliza dizendo: Mergulhado na harmonia geral, o homem deve contribuir conscientemente para mantê-la, observando-a e com ela se identificando, observando e em sintonia, diante do conjunto que também o envolve no ato de observar.

É o papel de quem se integra  nos princípios da fraternidade universal, onde o todo ajuda cada um, que cada um coopera com o todo e todos crescem.

Maria Lúcia Garbini Gonçalves

Referência:
(1) FRANCO, Divaldo Pereira. O Homem Integral, pelo espírito Joana de Ângelis. Cap. 6: Maturidade Psicológica. Subtítulo: Observador, Observação e Observado.

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em < https://www.cedebh.com.br/post/o-passe-espirita>. Acesso em 25JUL2022.

Maria Lúcia Garbini Gonçalves
Maria Lúcia Garbini Gonçalves

Tradutora, mora em Porto Alegre/RS, estudante da Doutrina Espírita, trabalha no Grupo Espírita Francisco Xavier como médium.

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