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A Grande Doutrina dos Fortes (Em homenagem a Divaldo Pereira Franco)

setembro 27, 2022

“(…) Orai pelos que vos maltratam e perseguem…”
– Jesus. (Mt., 5:44.)

Nem Jesus e tampouco Kardec, assim como todos os grandes vexilários da paz e do amor que tiveram por missão alavancar a alforria espiritual da humanidade, lograram escapar da sanha feroz e destruidora dos detratores gratuitos, movidos pela inveja e ciosos do seu “status quo”!

Sabendo que Seus discípulos sofreriam sob o injusto guante da mediocridade humana, Jesus proclamou: “bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.”

Analisando esses ataques à luz dos ensinos do Meigo Rabi e da Codificação Espírita, ataques esses perpetrados não só pelos adversários, mas também – incompreensivelmente – pelos da própria grei espiritista aos trabalhadores de vanguarda, Dona Yvonne do Amaral Pereira ensina (1): “(…) o estu­do eficiente do Espiritismo esclarece não só os as­pectos gerais da vida, como a situação dos espíritas, que, a ele nos dedicando devidamente, não mais surpresas nem vacilações nos chocarão em qualquer setor. Seremos então espíritas preparados para os entrechoques das múltiplas facetas da existência… e saberemos que o Espiritismo e o Evangelho exigem que, para servi-los, sejamos realmente fortes, capazes de enfrentar quaisquer situações difíceis, seja no ardor das próprias provações, nas lutas das fraquezas e imperfei­ções dos irmãos em crença.

Os primeiros discípulos do Nazareno e os primeiros cristãos foram espí­ritos fortes por excelência, idealistas audazes, práticos e não místicos; caracteres de ação, porque a tarefa a realizar seria volumosa demais para os ombros de um contempla­tivo. Um caráter tíbio, por exemplo, não romperia com as tradições milenárias do Judaísmo ou do Paganis­mo, para renovar totalmente as próprias convicções. Como enfrentaria o tímido a necessidade de se curvar à palavra revolucionária de Jesus, palavra que arrojaria por terra antigos preceitos de domínio e até de crueldade, para aceitar a união das criaturas através do Amor, quando a força era que ditava leis?!  Como se haveria o impressionável, sob o imperativo de morrer pelo amor do Cristo à frente da espada dos herodianos ou nas arenas dos circos de Roma, dando-se como repasto às feras?!  E ainda sem a fortaleza do ânimo, como acredita­riam eles na vitória daquela estranha Doutrina saída de uma obscura província dominada pela águia romana, Dou­trina que eles próprios deveriam espalhar pelo mundo.

O próprio Jesus, expondo a Sua Grande Doutrina, lança sen­tenças impressionantes, que seriam como ordenações irretorquíveis, próprias para espíritos fortes, que os pusilâni­mes demorariam a compreender e aceitar:

-“Seja o vosso falar: Sim, sim; não, não.”

-“Aquele que ama a seu pai ou a sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim. E aquele que não renun­ciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo.”

-“Em verdade te digo que ninguém pode ver o reino de Deus, se não nascer de novo.”

-“Eu não vim trazer paz à Terra, mas a espada; vim separar de seu pai o homem, de sua mãe a filha, de sua sogra a nora; e o homem terá por inimigos os de sua própria casa. Vim lançar fogo à Terra e desejo que ele se acenda.”

-“Se alguém te ferir na face direita, oferece tam­bém a outra; e àquele que tirar a tua túnica, larga-lhe também a capa.”

-“Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos têm ódio e orai pelos que vos perseguem e caluniam.”

-“Porque, se vós não amais senão os que vos amam, que méritos haveis de ter?”

-“Se vossa justiça não for maior e mais perfeita do que a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos Céus.”

-“Sede, pois, perfeitos, como vosso Pai Celestial é perfeito.”

São ordens de comando revolucioná­rio, impelindo paladinos para a grandiosa batalha de encontrar Deus em si próprios! E, se mais não citaremos, será porque iríamos longe com a observação. O Evangelho, pois, se é uma escola onde aprendemos as doçuras do Amor, é onde também encontraremos as atitudes corajosas do herói do ideal divino.

Nas mesmas condições encararemos os espíritas: os caracteres fracos, tímidos, indecisos, demorarão a se inte­grarem nos embates fornecidos pelo Espiritismo. Tam­bém este é Doutrina para os fortes, ou seja, para aqueles que, em migrações terrenas do pretérito, tanto erraram, e no Além-Túmulo tanto sofreram por isso, que agora se dispuseram a uma reforma geral do próprio caráter atra­vés do Espiritismo. E, com efeito! combater as próprias imperfeições diariamente, não ignorando que, se o não fi­zer, desonrará a própria Doutrina a que se julgou filiar; so­correr necessitados sem possuir recursos suficientes para o mandato, confiante no auxílio do Mestre Nazareno; medi­car enfermos sem haver cursado Medicina; subir a uma tribuna diante de assembleia numerosa, que espreita pronta para a crítica, a fim de defender a verdade, saben­do que esse é um dever a que não poderá fugir, porque ainda ontem, em existências transatas, deprimiu a mesma verdade; enfrentar obsessores e fazê-los recuar dos abis­mos do mal para as suaves trilhas do Amor e do Perdão, certo de que é apenas intérprete das forças do Céu, por­que não possui virtudes para tão alto feito; investigar o In­visível com a própria fé e as forças do coração, porque sabe não ser anjo nem sábio; arvorar-se em secretário de Entidades aladas para a produção de compêndios de Mo­ral, de Filosofia ou de Ciências transcendentes, e apresen­tá-los ao mundo impiedoso com suas críticas, não sendo escritor e tampouco possuindo diplomas universitários; sub­meter-se à vontade dos Mentores Espirituais e executá-los, sobrecarregando-se, dia a dia, das mais pesadas responsa­bilidades perante os homens e os Espíritos; ser levado, por amor a Jesus, a perdoar e esquecer os ultrajes que lhe ferem o coração e conturbam o espírito; renunciar a cada dia, às vezes até mesmo às mais doces aspirações do cora­ção, morrendo para si mesmo a fim de ressurgir para Deus, e, acima de tudo, filiar-se às falanges dos discípulos de Jesus e dos baluartes da Terceira Revelação — não será dispor de forças supremas na Terra, não será ser cora­joso por excelência?! E convenhamos que é desses tais que Jesus precisa agora, como ontem precisou dos peca­dores, dos mendigos, dos malvistos pela sociedade para a propaganda da Sua Doutrina, únicos indivíduos que, ape­sar das imperfeições que portavam, estiveram à altura de compreender e executar os sacrifícios necessários à difu­são da Grande Nova que surgia.

Muitos de nós, realmente, ainda não somos verda­deiros espíritas nem verdadeiros cristãos.  Mas também já não seremos homicidas, nem roubadores, nem traidores, nem devassos, nem ébrios, nem adúlteros, nem suicidas.  Observaremos, então, que nosso progresso dentro do ensino espírita há sido fabuloso, pois ainda ontem fomos tudo isso, não obstante alguns deslizes que mais ou menos ain­da praticamos. Não vejamos em nossos irmãos de cren­ça, ainda imperfeitos, espíritas indesejáveis, mas pupilos de uma Doutrina Celeste, recém-libertados de terríveis correntes malignas. E se, por nossa vez, nos julgamos har­monizados com os esplendores da verdade, estendamos até eles nossos afetos, auxiliando-os quanto possível a se integrarem na verdadeira essência da Doutrina Espírita, que é poderosa bastante para reeducar os necessitados de forças renovadoras e de luzes espirituais.  

Todo esse tra­balho, que somos chamados a executar, será labor para es­píritos fortes, porquanto, tal como aconteceu aos primei­ros discípulos do Nazareno, também teremos de desen­volver lutas árduas para o estabelecimento das verdades celestes sobre a Terra.”

A carta que João, o Evangelista escreveu (2) para os irmãos da Igreja de Éfeso está ainda plena de atualidade para os fiéis trabalhadores do Cordeiro: “(…) Eu sei as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem serem apóstolos e o não são, e tu os achaste mentirosos. E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste.”

E numa segunda carta à igreja de Ismirna o “Discípulo Amado” enfatizou: “(…) Eu sei as tuas obras, e tribulação, e pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que se dizem judeus, e não o são, mas a sinagoga de Satanaz. Nada temas das coisas que hás de padecer. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.”

Rogério Coelho

Referências:
(1) PEREIRA, Yvonne A. À luz do consolador. Rio [de Janeiro]: FEB, 1997, p. 42-46;
(2) Apocalipse, 2:2 a 3 e 8 a 9 e 11.

Nota do autor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://diocesepetropolis.com.br/lectio-divina-do-24o-domingo-comum/>. Acesso em: 27SET2022.

Rogério Coelho
Rogério Coelho

Rogério Coelho nasceu na cidade de Manhuaçu, Zona da Mata do Estado de Minas Gerais onde reside atualmente. Filho de Custódio de Souza Coelho e Angelina Coelho. Formado em Jornalismo pela Faculdade de Minas da cidade de Muriaé – MG, é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Converteu-se ao Espiritismo em outubro de 1978, marcando, desde então, sua presença em vários periódicos espíritas. Já realizou seminários e conferências em várias cidades brasileiras. Participou do Congresso Espírita Mundial em Portugal com a tese: “III Milênio, Finalmente a Fronteira”, e no II Congresso Espírita Espanhol em Madrid, com o trabalho: “Materialistas e Incrédulos, como Abordá-los?” Participou da fundação de várias casas Espíritas na Zona da Mata Mineira.

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