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Instinto de beligerância

novembro 1, 2022

A guerra só desaparecerá quando os homens praticarem a lei de Deus (1)

“(…) Predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e
 transbordamento das paixões, tais os motivos que levam o homem à guerra”.
– O Livro dos Espíritos – q. 742.

É muito raro passar um dia inteiro sem que a mídia assinale a explosão de bombas, de mísseis “inteligentes” e certeiros que ceifam dezenas de vidas preciosas… Criaturas morrem todos os dias – desnecessariamente – em nome de motivações políticorreligiosas em todo o mundo. Sequestros, violência de todo matiz, assassinatos brutais, homens-bomba, são fomentados pela ignorância fundamentalista e fanatismo sem nome… Quantas existências serão necessárias para expiar todos esses assassínios?! Como se não bastassem a fome, a miséria, as inundações, os terremotos, os furacões e tsunamis, para atormentar a humanidade, o próprio homem se transforma em elemento de flagelo até mesmo quando busca divertimento, haja vista o que não raramente acontece nos estádios de futebol e quejandos.

Mas dia virá em que o senso moral, (que já existe – ínsito – nas criaturas) fará de seres cruéis criaturas boas e humanas.  Esse senso existe até mesmo no selvagem como o princípio do perfume no gérmen da flor que ainda não desabrochou (2), afirmam – poética e esperançosamente – os Espíritos Amigos.

As conquistas tecnológicas e os avanços do progresso em todas as áreas da atividade humana, ainda não lograram acalmar o instinto de beligerância do homem. 

A nobre mentora Joanna de Ângelis analisa,(3) com muita propriedade, essas questões desvelando-nos os fatores de perturbação:

 “(…) As admiráveis conquistas da Ciência que se apoia na Tec­nologia, não logram harmonizar o homem belicoso e insatis­feito, que se deixa dominar pela vaga do materialismo utilitarista, que o transforma num amontoado orgânico que pen­sa, a caminho de aniquilamento no túmulo: possuir, dominar e gozar por um momento, são as metas a que se atira, desarvorado…

Mal se encerra a guerra da Crimeia, em 1856, e já se in­quietam os exércitos para a hecatombe franco-prussiana, cu­jos efeitos estouram em 1914, envolvendo o imenso continente na loucura selvagem que ameaça de consumpção a tudo e a todos.  O Armistício, assinado em nome da paz, fomentou o ex­plodir da Segunda Guerra Mundial, que sacudiu o Orbe em seus quadrantes.

Somando-se efeitos a novas causas, surge a Guerra Fria, que se expande pelo sudeste asiático em contínuos conflitos lamentáveis, em nome de ideologias alienígenas, disfarçadas de interesses nacionais, nos quais, os armamentos superados são utilizados, abrindo espaços nos depósitos para outros mais sofisticados e destrutivos…

Abrem-se chagas purulentas que aturdem o pensamento, dores inomináveis rasgam os sentimentos asselvajando os indivíduos. O medo e o cinismo dão-se as mãos em conciliábulo irreconciliável.

A Guerra dos seis dias, entre árabes e judeus, abre sulcos profundos na economia mundial, erguendo o deus petróleo a uma condição jamais esperada. Os holocaustos sucedem-se…  Os crimes hediondos em nome da liberdade se acumulam e os tribunais de justiça os apoiam. O homem é reduzido à ínfima condição no “apartheid”, nas lutas de classes, na ingestão e uso de alcoólicos e drogas alucinógenas como abismo de fuga para a loucura e o suicí­dio.

Movimentos filosóficos absurdos arregimentam as men­tes jovens e desiludidas em nome do Nadaísmo, do Existencialismo e de comportamentos extravagantes mais recentes, mais agressivos, mais primários, mais violen­tos…

O homem moderno estertora, enquanto viaja em naves superconfortáveis fora da atmosfera e dentro dela, vencendo as distâncias, interpretando os desafios e enigmas cósmicos.  A sonda investigadora penetra o âmago da vida micros­cópica e abre todo um universo para informações e esclareci­mentos salvadores.

Há esperança para terríveis enfermidades que destruíram gerações, enquanto surgem novas doenças totalmente pertur­badoras. A perplexidade domina as paisagens humanas.  A gritante miséria econômica e o agressivo abandono so­cial fazem das cidades hodiernas o palco para o crime, no qual a criatura vale o que conduz, perdendo os bens materiais e a vida em circunstâncias inimagináveis.

Há uma psicosfera de temor asfixiante enquanto emerge do imo do homem a indiferença pela ordem, pelos valores éticos, pela existência corporal… Desumaniza-se o indivíduo, entregando-se ao pavor, ou gerando-o, ou indiferente a ele.  Os distúrbios de comportamento aumentam e o despautério desgoverna.

Uma imediata reação emocional, cultural, religi­osa, psicológica, surge, e o homem voltará a identificar-se consigo mesmo. A sua identidade cósmica é o primeiro passo a dar, abrindo-se ao amor, que gera confiança, que arranca da negação e o irisa de luz, de beleza, de esperança…

A grande noite que constringe é, também, o início da al­vorada que surge…

Nesse homem atribulado dos nossos dias, a Divindade deposita a confiança em favor de uma renovação para um mundo melhor e uma sociedade mais feliz.  Buscar os valores que lhe dormem soterrados no íntimo é a razão de sua existência corporal, no momento.

Encontrar-se com a vida, enfrentá-la e triunfar, eis o seu fanal: (…) a liberdade custa um alto preço e deve ser conquistada na grande luta que se trava no cotidiano: liberdade de ser e atuar, de ter respeitados os seus valo­res e opções de discernir e aplicar, considerando, naturalmente, os códigos éticos e sociais, sem a submissão acomodada e indiferente aos padrões de conveniência dos grupos domi­nantes.

A escala de interesses, apequenando o homem, brinda-o com prêmios que foram estabelecidos pelo sistema desuma­no, sem participação do indivíduo como célula viva e pen­sante do conjunto geral.

Como profilaxia e terapêutica eficaz, existem os desafios propostos por Jesus, que são de grande utilidade, induzindo a criatura a dar passos mais largos e audaciosos do que aqueles que levam na direção dos breves objetivos da existência ape­nas material.

A desenvoltura das propostas evangélicas facilita a rup­tura da rotina, dando saudável dinâmica para uma vida inte­gral em favor do homem-espírito eterno e não apenas da má­quina humana pensante a caminho do túmulo, da dissolução, do esquecimento”.

Rogério Coelho

Referências:
(1) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2006, questão 743;
(2) cit. questão 754; e
(3) FRANCO, Divaldo. O Homem integral. ed. Salvador: LEAL, 2006, cap. 1, p. 13-15 e 18-19.

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://www.verdadeluz.com.br/a-guerra-sob-a-visao-espirita/>. Acesso em: 01NOV2022.

Rogério Coelho
Rogério Coelho

Rogério Coelho nasceu na cidade de Manhuaçu, Zona da Mata do Estado de Minas Gerais onde reside atualmente. Filho de Custódio de Souza Coelho e Angelina Coelho. Formado em Jornalismo pela Faculdade de Minas da cidade de Muriaé – MG, é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Converteu-se ao Espiritismo em outubro de 1978, marcando, desde então, sua presença em vários periódicos espíritas. Já realizou seminários e conferências em várias cidades brasileiras. Participou do Congresso Espírita Mundial em Portugal com a tese: “III Milênio, Finalmente a Fronteira”, e no II Congresso Espírita Espanhol em Madrid, com o trabalho: “Materialistas e Incrédulos, como Abordá-los?” Participou da fundação de várias casas Espíritas na Zona da Mata Mineira.

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