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Metaforizando a educação mediúnica

fevereiro 21, 2023

Dra. Marta trabalha em um Hospital Universitário. Ele existe para oferecer aos alunos da área de saúde, principalmente de medicina e enfermagem, campo de prática para as suas atividades curriculares, acompanhados por professores, preceptores e por outros profissionais, em um ambiente hospitalar que guarda algumas especificidades para facilitar o ensino. Mas, ainda sim, é um hospital.

No Hospital Universitário, se precisa realizar por ano um elenco de procedimentos, para que os alunos acompanhem e vejam como é. Interessa não só a quantidade, mas a diversidade. E sim, sobremaneira, importa a qualidade. Uma cirurgia demora mais, pois tem que explicar, o aluno pergunta, o residente participa. É assistência, mas com a peculiaridade do ensino, e tudo que isso envolve, inclusive custos.

Assim é a formação do profissional de saúde desde a sua gênese, com uma forte carga prática e de acompanhamento de profissionais mais experientes, vendo fazer e fazendo sozinho de forma supervisionada. O paciente que está ali não é uma cobaia. Pelo contrário! Ele é atendido por uma equipe de muitos profissionais, experientes e de forma supervisionada, e aquele atendimento serve para o ensino e para a pesquisa, de forma que casos mais complexos sempre atraem os hospitais universitários e os olhos sequiosos de seus alunos e professores.

Essa lógica pode ser perfeitamente aplicada a uma atividade comum a praticamente todas as casas espíritas. A reunião de estudo e educação da mediunidade termina por ser um campo de prática dos médiuns, dado que apenas o estudo teórico, sozinho ou em grupo, é insuficiente para o aprendizado necessário para o exercício mediúnico da maneira desejada. Faz-se necessário uma prática supervisionada e refletida.

Nesse sentido, assim como o hospital universitário tem preceptores que supervisionam a atividade dos alunos, os coordenadores da reunião de estudo e educação da mediunidade acompanham a pratica dos médiuns, lhes dando a autonomia do fazer sozinho, mas observando e trazendo os comentários para o rico momento posterior de debates, talvez a hora mais importante.

Da mesma forma, os irmãos sofredores que são atendidos, não são objeto de um atendimento fictício ou menos importante, como no exemplo da metáfora utilizado. É um atendimento mediúnico como outro qualquer, com a diferença de que o foco se desloca um pouco do espírito atendido, sendo dividido também com o processo de aprendizagem do médium.

Assim como no Hospital, médiuns e esclarecedores precisam também ver e vivenciar situações, inclusive as emergenciais e mais complexas, para que saibam como lidar. Não adianta proteger o aluno-médium da realidade, em uma redoma. Faz-se necessário supervisioná-lo e orientá-lo, intervindo para a correção e o aprendizado no momento certo.

Uma boa educação mediúnica não é uma questão de eficiência, mas sim de tranquilidade e de segurança do médium. Assim como o profissional de saúde, que lida com a vida humana, o médium lida com consciências, inclusive a dele, e precisa de um espaço de confiança, no qual ele possa falar o que sente, suas dúvidas e seus anseios.

Existe uma tendência de converter a educação mediúnica em um receituário de regras, focado na disciplina. Não pode isso, não pode aquilo, tentando formatar aquele médium, como se a mediunidade fosse algo possível de ser encapsulado e tudo pudesse ser previsto e antecipado. Assim como na atividade de saúde, se quer preparar o indivíduo com autonomia e maturidade para enfrentar as diversas situações que ele vai ter a frente, e isso demanda estudo, prática, mas também muita conversa e reflexão.

A reunião de estudo e educação da mediunidade é essencial para as casas espíritas. É muitas vezes a porta de entrada dos trabalhadores da área mediúnica, que precisam ser recebido, com as suas questões do afloramento da mediunidade. Ali é o alicerce, assim como o hospital universitário figura na base da formação do bom profissional de saúde. Uma metáfora que tem muito a contribuir com a nossa compreensão dos limites e possibilidades da educação mediúnica.

Marcus Vinícius de Azevedo Braga

Nota do Editor:
Imagem em destaque disponível em <https://kardecriopreto.com.br/reuniao-mediunica-aberta-ou-fechada-ao-publico/> . Acesso em 210FEV2023.

Marcus Vinicius de Azevedo Braga
Marcus Vinicius de Azevedo Braga

Residindo atualmente na cidade do Rio de Janeiro, espírita desde 1990, atua no movimento espírita na evangelização infantil, sendo também expositor. É colaborador assíduo do jornal Correio Espírita (RJ) e da revista eletrônica O Consolador (Paraná). É autor do livro Alegria de Servir (2001), publicado pela Federação Espírita Brasileira (FEB) e do Livro "Você sabe quem viu Jesus nascer" (2013), editado pela Editora Virtual O Consolador.

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