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Prece e agradecimento

julho 28, 2023

Aprendemos em O Evangelho segundo o Espiritismo (capítulo XXVII- Pedi e Obtereis, item 9) que “a prece pode ter por objeto um pedido, um agradecimento ou uma glorificação”, sendo esse conceito repetido na resposta à questão 659 de O Livro dos Espíritos, no sentido de que “… pela prece pode-se propor três coisas: louvar, pedir e agradecer”.

Atendo-nos ao verbo agradecer, será que fazemos esse agradecimento nas nossas preces? Será que elevamos os nossos pensamentos ao Alto nos momentos de oração e agradecemos pelas benesses que temos em nossas vidas?

Não estamos a tratar de agradecimentos por bens materiais. Esses são importantes a nós enquanto estagiamos na carne, mas são completamente inúteis na verdadeira Vida, a do espírito.

Estamos nos referindo a agradecimento pelo que verdadeiramente importa, pela oportunidade que temos de estar encarnados e passando pelas adversidades materiais e físicas/corporais– Joanna de Ângelis nos diz que “somente através dos desafios é que as experiências se apresentam valiosas, significativas, porque cada um deles transforma-se em impedimento que foi transposto, favorecendo com mais expressiva conquista” (Vitória sobre a Depressão, capítulo 6- Desafios da Vida).

Abordamos o agradecimento pelas oportunidades que temos de crescimento moral, por tudo aquilo que somos, pela assistência que temos dos nossos orientadores espirituais; tratamos de agradecimento pelo contato que tivemos e temos com a doutrina espírita, cujos pilares têm a capacidade e o objetivo de nos trazer instruções quanto ao mundo espiritual e ao modo correto de proceder, de nos nortear no melhor modo de agir e proceder, de nos trazer conhecimento quanto a nós mesmos, de nos alertar sobre a responsabilidade que o nosso livre agir e pensar nos requer… Enfim, versamos acerca do agradecimento também pelo objetivo que a doutrina espírita tem de nos tirar da inércia que seria deveras prejudicial à nossa caminhada evolutiva.

Não nos esqueçamos de que “pelo divino circuito da prece, a criatura pede o amparo do Criador e o Criador responde à criatura pelo princípio inelutável da reflexão espiritual, estendendo-lhe os Braços Eternos, a fim de que ela se erga dos vales da vida fragmentária para os cimos da Vida Vitoriosa” (Emmanuel, em Pensamento e Vida, capítulo 26- Oração). Porém, igualmente não nos esqueçamos do que posto no início, no sentido de que pela prece é possível se sugerir três situações: louvar, pedir e agradecer.

Assim, sempre busquemos o auxílio do Alto nas nossas dificuldades. No entanto, lembremo-nos igualmente de agradecer esse auxílio quando ele vier – e sempre virá, de uma forma ou de outra, de um modo que entendamos ou não.

Sermos gratos mostra que somos humildes e, nos dizeres de Emmanuel (op. cit., capítulo 24- Humildade), “sem o reflexo da humildade, atributo de Deus no reino do ‘eu’, a criatura sente-se proprietária exclusiva dos bens que a cercam, despreocupada da sua condição real de espírito em trânsito nos carreiros evolutivos e, apropriando-se da existência em sentido particularista, converte a própria alma em cidadela de ilusão, dentro da qual se recusa ao contato com as realidades fundamentais da vida”.

Finalmente, façamos sim as nossas rogativas à Espiritualidade. Contudo, jamais deixemos de agradecer as bênçãos que nos são derramadas. O reconhecimento do bem que nos é outorgado demonstra a nossa grandeza de coração, a nossa enormidade espiritual.

Renato Confolonieri

Renato Confolonieri
Renato Confolonieri

Atuante no Espiritismo há 20 anos, participou por três anos e meio da entrega de sopa no Grupo Fraterno de Assistência Nossa Casa em São Paulo, articulista no periódico Ação Espírita e Membro de Reuniões Mediúnicas no Grupo Espírita Jesus de Nazaré, ambos de Marília, interior de SP.

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