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Francisco de Assis nos exemplificando!

agosto 3, 2023

João Evangelista, o profeta do Apocalipse, já havia planejado reencarnar em Assis para levar luz à Terra no século XII, quando a “Idade Média pegava fogo pelas incompreensões humanas” (1) na época da Inquisição. Nosso Mestre Jesus enviaria duzentos e um espíritos do amor numa missão de humildade e renúncias: “Sereis odiados de todos por causa de meu nome. Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo (2). Reencarna então “A Estrela da Idade Média”: “Caíste do céu, ó estrela da manhã”. (Isaías, 14:12)

Francisco reencarna em Assis no seio da família Bernardone. Seu pai, Pedro Bernardone, era um comerciante ambicioso, ganancioso implacável, cujo sonho era competir com os ricos patrícios dos grandes centros da época e ir além. Sua mãe, Pica Bernardone, fazia borbulhar em seu íntimo uma riqueza imensurável de fé (3) e guardava secretamente seu Evangelho como uma relíquia, onde buscava consolo e inspiração. Ela tinha uma grande amiga Jarla, versada em filosofia Grega, que foi sua mestra. Elas foram a luz na vida de Francisco, a Estrela da idade Média, porque a Divina Providência nunca deixa seus anjos desamparados.

João Evangelista já preparava sua chegada à família encontrando seus pais em seus sonhos noturnos. Eles lembravam desses momentos e já esperavam a chegada daquele “anjo” como seus filho.

Francisco tornou-se um jovem especialmente humilde e sensível, bem como impetuoso. Já se maravilhava com a vida, com a harmonia da natureza e sentia que tinha uma especial missão que não compreendia muito bem, mas que pulsava cada vez mais forte em seu coração. Então, decidiu conhecer melhor o trabalho de seu pai, descobrindo que este mantinha escravos famintos, exaustos e maltratados. Francisco revoltou-se:

Ao parar, cansado da caminhada realizada, contemplou enorme várzea e presenciou um espetáculo constrangedor, que muito o desagradou: em cada eito de vinte servos, um feitor, estalando um chicote, acertava, de vez em quando, nos lombos nus de alguns, que somente tinham a liberdade de gemer, mas não a de parar. Nem bem começara a sentir revolta no coração, compreendeu por que estava ali, acalmado pela razão, trabalhada por sua mãe e por Jarla, ao responderem às suas perguntas. Mesmo assim, no seu íntimo acendeu-se um fogo, não de revolta, mas de entusiasmo para lutar com todas as suas forças em favor daquela gente cujo tratamento era inferior ao concedido aos animais. (4)

Francisco comunica aos feitores a ordem de reunir todos os servos na hora da refeição para falar-lhes. Depois disso, porém, quando Francisco adentrou ao pomar, imerso na exuberante energia da natureza, seu Espírito liberta-se e recebe uma mensagem do Mestre:

Francisco, não tentes mudar o destino desses homens de uma só vez. Cada um está no lugar certo, pelo bem que a natureza lhes quer. Os desígnios da Providência não falham, meu filho. E não penses que eles se encontram desamparados, pois cada criatura recebe de acordo com o plantio que fez em eras remotas. Aos que se colocam como embrião da vida, lhes são dados processos compatíveis com as suas necessidades, para que no amanhã ressuscitem para o Amor, para a Caridade e para a Paz. Tu, por vezes, crias sofrimentos que não existem, no sentir desses filhos. Se nessa hora te fosse dado voltar ao passado remoto, era bem provável que te encontrasses nos mesmos transes dolorosos, pela tua classificação, mas natural pelas leis que vigoram em toda a criação.

Se te revoltares contra esses acontecimentos, não estarás julgando os homens, e, sim, a Deus, que, onisciente, sabia de antemão que eles iriam sofrer o que estão sofrendo. E não somente esses vassalos passam por caminhos tortuosos na Terra; são milhões de seres em todas as escalas, de todos os reinos. É bem provável que saibas, no grau de amor que tens, que as plantas vivem, sentem, amam, e que rudimentos de inteligência, como de sentimentos, transitam no cerne do seu psiquismo espiritual. Todavia, tu que acabas de contemplar um quadro, para ti doloroso, envolvendo os servos, arranca o fruto que não deixa de ser o filho da árvore, e o estraçalha nos dentes, sem com isso pensar no sofrimento da mãe que o gerou por processos difíceis e engenhosos, qual foi a tua própria geração. Tens uma missão entre os que sofrem, e ela custará muito caro, mas escolheste os caminhos e passarás por eles. Tem bom ânimo, avança sem temor, escutando os que sofrem, sem deixar de escutar também os que fazem com que eles sofram.”

Francisco entendeu sua missão de compreender e ajudar os que sofrem e os causadores de sofrimentos, pois todos estavam em uma caminhada certeira para a luz, assim como ele, e Deus não faz distinção entre seus filhos, logo ele também não poderia fazer, se comungava com Jesus, que é absolutamente fiel ao Pai.

Cada um de nós vive uma possibilidade quântica, nossa trajetória até onde estamos é única, pois nosso livre-arbítrio a escolheu dentre outras que tínhamos disponíveis de serem alavancadas pela nossa vontade num contexto vivido por nós somente. Somos os autores de nossa caminhada e inteiramente responsáveis por tudo que nos acontece. Porém, somos vinculados por uma mesma centelha Divina que nos impulsiona a progredir sempre a caminho da Luz.

Depois da mensagem do Mestre, Francisco conversou sobre o amor ao próximo, o perdão e a caridade com um servo que queria se vingar de seu pai, o que atingiria também os outros companheiros. O servo já não seria o mesmo ao entrar em contato com a vibração do amor de Francisco.

A solução de Jesus em foco aqui não é o conformismo e a falta de ação, mas a persistência nas nossas vivências como exemplo de Amor, de Humildade, de Caridade, de Benevolência, de Indulgência para conosco e para com o próximo. Ou seja, Francisco, foi lembrado por Jesus que não podemos mudar ninguém, mas dar o exemplo de como se faz, assim como Ele nos ensina em Seu Evangelho.

Francisco não foi conivente com seu pai, que não aceitava a sua conduta com os servos:

Papai, não quero impor-te condições de vida, nem dar-te conselhos acerca da tua conduta, mas não posso aceitar também a tua interferência no modo pelo qual devo viver e me conduzir. De agora em diante sou livre!… Folgo em poder sê-lo, adoro a liberdade. Se queres continuar o teu comércio, do modo que a razão te estimula, faze-o. Se não queres ouvir a voz dos sentimentos altruísticos, faze o que te convier. Se queres viver na opulência, enquanto os teus empregados e servos agonizam, não vou opor-me a estes extremos que a usura e a vaidade sustentam. Perdoa-me, mas não me posso calar!”

Este livro nos conta muitas outras lições a serem por nós apreendidas com a vida de Francisco de Assis desde o final de sua encarnação como o apóstolo João Evangelista, porém, escolhemos este recorte somente.

Tal como a fruta que está verde ainda para o nosso consumo e vai recebendo vagarosamente os hormônios que propiciam o seu amadurecimento, a alma humana precisa do tempo e das vivências com outras almas de todas as escalas espirituais, que Deus coloca em nosso caminho, que ajudam-nos a descobrir quem somos de verdade, e dentre elas, as especiais, com legítima autoridade, cujo os exemplos de amor ultrapassam os séculos.

Aos olhos de Deus, uma única autoridade legítima existe: a que se apoia no exemplo que dá do bem.” (5), assim fez Jesus, assim fez São Francisco de Assis.

Maria Lúcia Garbini Gonçalves

Referências:
(1) MAIA, João Nunes, pelo espírito Miramez. Francisco de Assis.14 ed., Cap.5, pág.82.
(2) … pág. 85;
(3) … pág.109;
(4) … pág.179; e
(5) KARDEC, Allan. Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. X, item 13.

Maria Lúcia Garbini Gonçalves
Maria Lúcia Garbini Gonçalves

Tradutora, mora em Porto Alegre/RS, estudante da Doutrina Espírita, trabalha no Grupo Espírita Francisco Xavier como médium.

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