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Eu te ofereço meu pranto

junho 19, 2024

“Bem-aventurados os aflitos”, o Mestre Jesus nos disse.

A aflição do reencarnado desperto pela dor da alma é semelhante à do desencarnado que finalmente sai do sofrimento umbralino e entrega-se aos braços salvadores da luz.

A luz nos resgata de nós mesmos quando não aguentamos mais a nossa “ruindade” e gritamos por misericórdia, e a ajuda vem, sempre, só que, muitas vezes, não a identificamos, porque estamos voltados aos nossos desejos.

O título do presente ensaio foi inspirado em um trecho da lindíssima música  “Aos pés do Monte” (1), do DVD “Espiritismo em canção” da dupla Tim e Vanessa. A música fala da dor do despertar que é harmonizada pelo jugo do Mestre Jesus.

Vemos em todo o globo Terrestre as dores dos que nunca se livram das guerras, das secas, das enchentes, do reconstruir tudo, do perder tudo, do ter que fugir, do ter medo, da miséria, da fome, das doenças, da depressão do rico ou do pobre, ou dos mesmos problemas. Alguns buscam forças internas na fé de que tudo passa e que não estão sós, e abrem seus corações gritando ajuda aos céus. Esses estão aproveitando a lição, outros ainda se encontram iludidos por Mamon, a ranger os dentes, sem perceber que estão imersos em Deus, ignorantes das irrevogáveis Leis da Inteligência Suprema.

Nós estamos no fim de um prazo que seria a nossa última chance de herdar a Terra dos mansos, não há tempo a perder se queremos a nossa regeneração. Do contrário, seremos atraídos para outro orbe, de frequência vibratória mais compatível com nosso padrão.

Estamos sedentos de luz. A semente precisa germinar e crescer na direção do sol. A terra já foi arada, agora o trigo vai surgir em meio ao joio.

É hora de nossos pequenos “servicinhos” (2) iluminarem nosso planeta. As oportunidades de sermos caridosos estão chovendo no nosso cotidiano, nas pequeninas, porém, valiosas experiências que escancaram a nossa boa intenção.

Como diz a música citada (1): “Quero ser manso, ser justo, ser limpo, e pobre de espírito ser”. Esse é o ponto em que já sofremos muito, que tivemos tantas experiências reencarnatórias, que começamos a identificar nossas falhas e empreendemos no esforço de corrigirmo-nos, mas sem garantias de que não cairemos em erros novamente, então, restando-nos o aprendizado do auto perdão.

Há anos foi lançada uma obra de Spencer Johnson, a parábola “Quem mexeu no meu queijo”. Mostra-nos que vivemos no conforto da mesmice até que alguém vai lá e tira o nosso alimento e somos obrigados a nos movimentar para sobreviver. Movimento gera energia, e nela somos embalados ao novo que tanto resistimos.

E quem mexeu no nosso queijo? Claro que foi Deus!

A vida é movimento, precisamos ir adiante. Na matemática da vida, se a conta está errada, apaga-se tudo e começa-se tudo de novo, e se ainda erramos, a vida vai repetir as mesmas consequências até que aprendamos a lição e aos prantos pedimos misericórdia a Jesus, pois não nos aguentamos mais. Como é citado na música aqui referida: são as “Dores da alma que quer renascer”.

Diante de tantas dores no nosso planeta, o que tem nos erguido é, sem dúvida, a solidariedade, a caridade. Fora disso não há salvação. Quando movimentamos as forças do espírito para ajudar um irmão, estamos nos ajudando. Tudo melhora, pois a psicosfera é de boas energias, que nos impulsionam para o progresso espiritual.

Estamos testemunhando neste momento inúmeros exemplos de que o herói que precisa despertar somos nós mesmos. Heróis porque percebemos que não somos melhores que ninguém e o outro tem qualidades outras, que não possuímos, mas na média somos todos humanos, filhos do mesmo pai.

Ninguém disse que não choraríamos nesta reencarnação, mas pelo menos, lá dentro sabemos que tem alguém que escuta os nossos lamentos, serenando nossa dor numa estrada segura.

Maria Lúcia Garbini Gonçalves

Referências:
(1) Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=3TdnHbfVgHE. Acesso em 19 de junho de 2024.
(2) XAVIER, Francisco Cândido, pelo espírito Emmanuel. Vinha de Luz. Cap.38 – Servicinhos.

Maria Lúcia Garbini Gonçalves
Maria Lúcia Garbini Gonçalves

Tradutora, mora em Porto Alegre/RS, estudante da Doutrina Espírita, trabalha no Grupo Espírita Francisco Xavier como médium.

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