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Escaninhos da verdadeira oração

julho 5, 2024

Estando Jesus à beira do Mar da Galileia, aos pés do monte das Bem-Aventuranças, na presença de seus discípulos bem amados, e todos ali magnetizados por seu verbo sublime e encantador; ungidos de suave e doce luz, serenamente o Meigo Nazareno os advertia quanto a imperiosa necessidade de se resguardarem contra a hipocrisia e ardil dos fariseus, com relação a pratica do jejum e da oração, cujas intenções eram maliciosas e de interesses escusos justificando-se sempre com boas obras.

Não será portanto pela multiplicidade das palavras e frases decorada que Deus acederá aos nossos desejos pela oração. Mas sim, daquilo que fala fundo o coração, da bondade e espontaneidade que se faz sentir morada dentro de cada um, conforme a carinhosa recomendação do Querido Mestre aos seus discípulos: Deixai vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus são para aqueles que se assemelham a elas (1).

Os Espíritos sempre disseram, a forma não é nada; o pensamento é tudo.(2) Entendemos assim, que o Pai na sua infinita bondade, sabedoria e justiça, jamais irá desamparar os seus filhos somente pelo fato de não saberem orar belas palavras. Mas estará sempre atento e de braços abertos aos simples e humildes de coração, pois, de resto, Deus conhece nossas necessidades, antes mesmo de pedirmos.(3)

Um episódio que vivi certo dia irá retratar bem o assunto em questão. Sempre gostei e estimei os animais. Mas em se tratando de pequenos roedores o caso se torna um tanto excêntrico, considerando o medo, o asco e o repúdio que eles provocam. Dentro de minha casa, um desses ratinhos acabou entrando, e, por mais que eu tentasse me livrar dele através de uma ratoeira feita com garrafa pet no desejo de preservar sua vida, de nada adiantava. Pensando até mesmo com certo humor – o danado é um expert “diplomado em ratoeiras”.

E sabendo do risco que representava a saúde, ainda assim, não queria matá-lo, pois a ideia de vê-lo esmagado numa ratoeira de dentes me doía profundamente. Mas de tanto ele entrar e sair pela porta e janela da cozinha, acabei tomando a triste e dura decisão. Vendo-o ali paradinho entre alguns vasos do quintal, armei a velha e criminosa ratoeira e fui dormir. Pelo menos tentei. Com a consciência agitada e o coração apertado, não havia como me desligar, imaginando aquela cruel e dolorida cena ante meus olhos, quando acabei vencido pelo sono.

Pela manhã, a inesperada e feliz surpresa, o ratinho continuava “vivinho da silva”, preso apenas pela pontinha do rabo. E levando bem longe de casa, acabei soltando no meio do mato para ganhar a liberdade em disparada. Compreendi logo ao refletir que Deus já havia escutado e atendido minha oração no silêncio de meus pensamentos e sentimentos mais secretos, sem a necessidade premente de formular qualquer tipo de pedido. E recordando o velho e bondoso Chico Xavier numa de suas belas e pitorescas histórias, dizia aliviado então para aquele pobre ratinho – Vai com Deus, e procure não perturbar outras pessoas. Depois disso, abandonei a ratoeira de dentes, comprando uma ratoeira gaiola para ficar em paz.

Marildo Campos Brito

Referências:
(1) Mateus – 19;14;
(2) O.E.S.E – Capítulo XXVIII – item 1; e
(3) Mateus – 6;8.

Marildo Campos Brito
Marildo Campos Brito

De família espírita, iniciou-se na doutrina em sua infância pelo Centro Espirita Allan Kardec de Bauru. Com dois cursos de oratória, realiza palestras há 22 anos aproximadamente por Bauru e região com participações presencial e virtual. Participou do 11º Congresso Estadual de Espiritismo realizado em Bauru no ano de 2000. Foi colaborador como colunista pelo jornal Tribuna do Espiritismo de Matão e O Idealista pela USE Regional de Jaú. Atualmente escreve artigos para o jornais Momento Espírita do CEAC de Bauru e site Agenda Espírita Brasil.

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