
A Estrada do Amor
Pensemos, cada um de nós, numa estrada linda, asfalto perfeito, paisagem maravilhosa e com todo o amparo que o seu usuário pode precisar, enfim uma estrada muito prazerosa de se trilhar.
Pois bem, o espiritismo no Brasil, hoje, é exatamente assim. Pouquíssimo preconceito contra quem segue a doutrina, ao contrário, graças a uma profusão de novelas, romances e filmes com a temática espírita, um contingente enorme de pessoas não espíritas tratam com normalidade os conceitos da reencarnação e comunicabilidade com os espíritos, por exemplo.
Mas não foi sempre assim. Houve um contingente de pessoas especiais que, quando aqui chegaram, o espiritismo, como brincamos “era só mato”. Esses espíritos missionários, sem dúvida nenhuma, com o amparo do plano espiritual, ao abraçarem os conceitos espíritas e trabalharem na sua divulgação sofreram muito. Foram alvos de ataques e preconceitos de todo tipo e, por consequência, para continuarem o seu trabalho renunciaram muita coisa em suas vidas.
Primeiro nome que me cabe citar, ainda no Brasil império, é de um francês radicado na capital Rio de Janeiro. Em 1862, Casimir Lieutaud publica, pela primeira vez no Brasil, uma obra de Allan Kardec, na língua portuguesa, a brochura “O espiritismo na sua expressão mais simples”. Livreto este, segundo o próprio codificador, responsável pela rápida expansão dos conceitos novos além das fronteiras francesas. Na Revista Espírita de abril de 1864, Kardec comemora o número de adeptos da nova doutrina, no Rio de Janeiro, e atribui isso à publicação da Casimir.
Antes, ainda, da Proclamação da República, como não citar o Dr. Bezerra de Menezes, um humanista que, ao assumir sua opção pelo espiritismo, se vê abandonado por família, excomungado pela igreja mas que, além de divulgar e defender os novos princípios elevou e exemplificou a caridade como bandeira. Seu exemplo no amor e caridade, na presidência da Federação Espírita Brasileira, serviu de parâmetro nos novos centros espíritas que associavam aos estudos alguma forma de amparo a quem necessitasse. Há que diga, inclusive, que é a partir dele que o espiritismo, no país, passa a ter esse caráter mais cristão e até religioso.
Seu comportamento fez escola. Espíritos como Batuíra, Anália Franco, Cairbar Schutel, Jésus Gonçalves e Eurípedes Barsanulfo testemunharam, com suas vivências, os princípios doutrinários e cristãos.
Mas há aquele que foi um divisor de águas: Francisco Cândido Xavier, um homem chamado Amor. Missionário na mais completa acepção da palavra, popularizou com o seu incansável trabalho a nova doutrina. Mais que isso, também teve como estandarte a caridade. Foi a melhor ferramenta de uma espiritualidade maior atuando na sedimentação dos novos princípios em terras brasileiras.
Seu trabalho mediúnico, somente na autoria de Emmanuel e André Luiz já nos dá material para reflexões e estudos para séculos à frente. O segundo passo, nas cartas consoladoras, dizem que o número ultrapassou as 10.000, levou a certeza da vida pós morte muito além da fronteira dos adeptos, sem a pretensão de converter quem quer que fosse, apesar de muitos consolados terem aberto novos trabalhos e centros de estudos Brasil e além afora.
Digno de nota, entre outros tantos anônimos nos recônditos do Brasil, Yvonne do Amaral Pereira e Divaldo Pereira Franco.
Trilhamos hoje um lindo caminho que essas pessoas abriram a golpes de amor, caridade, perseverança e muito trabalho.
Gratidão.
André Tarifa
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