
Cáritas: uma mendiga de Deus
“Segui-me, pois, meus amigos, a fim de que vos conte entre os que se alistam sob a minha bandeira; sede corajosos; eu vos conduzirei no caminho da salvação, porque eu sou a Caridade”.(1)
Uma criatura iluminada vence a barreira de séculos para nos trazer um convite a benevolência e em conjunto a outros iluminados da codificação de Allan Kardec nos ensina como caminhar na rota segura que nos leva a Deus.
“A caridade é sofredora, é benigna, a caridade não é invejosa; a caridade não trata com leviandade, não se ensoberbece(…). Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade nunca falha”.(2)
Voltemos a iluminada noite de Natal, em 1873, quando através da psicografia a médium Madame W. Krell recebe a sublime inspiração do Espírito que se dava a conhecer pelo nome de Cáritas e consigamos inebriar nossa alma com tão bela súplica a Deus: A Prece de Cáritas.
A oração foi publicada à página 177 do livro de Madame Krell (psicografias) intitulado Rayonnements de la Vie Spirituelle, cuja primeira edição veio a lume em 1876.(3)
A questão 659 em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec declara a prece como um ato de adoração em que orando a Deus estamos pensando, nos aproximando, comunicando-se com Ele. Conclui dizendo que através dela: louvamos, pedimos, agradecemos. (4)
Quando fazemos uma prece podemos nos utilizar de palavras próprias ou nos utilizar daquelas já existentes e, porque não, usarmos a doce súplica da Prece de Cáritas que tão bem nos fala ao coração.
Cáritas através de palavras fortes e melodiosas mendiga humildemente a Deus forças para enfrentarmos os obstáculos da vida e sermos por Ele consolados.
Cáritas pede luz aos que procuram a verdade. O apóstolo Paulo aconselha: ”deixando a mentira, que cada um diga a verdade ao seu próximo, pois somos membros uns dos outros”. (5)
Buscando a iluminação em Deus e diante da verdade seremos irmãos e nos libertaremos para exercer a verdadeira caridade que é aquela que doa amor e compaixão, por isso, sabiamente Cáritas pede a Deus que ponha no coração do homem a compaixão e a caridade.
Cáritas não esquece dos aflitos e doentes, dos que padecem de dores físicas e morais; na sua súplica ela roga a Deus um momento de repouso para que suportem as provas e aflições e que através da prece consigam a reenergização necessária para prosseguir na caminhada.
Cáritas clama pelo arrependimento dos culpados para que através da verdade, do entendimento de suas fraquezas e equívocos não permaneçam estacionados nas lamentações do passado e sigam sem culpa na busca do aprimoramento individual.
Quantas crianças sem guia, órfãos de afeto, atenção e amparo que não são esquecidas nas rogativas de Cáritas.
Que a bondade de Deus se estenda sobre toda sua criação para que ninguém sinta-se se sinta abandonado, perdido e sem esperanças, Cáritas quer que estejamos com Deus e não nos esqueçamos da dádiva da criação, de tudo que está em nós e nos cerca.
“Piedade, meu Deus, para aquele que vos não conhece; esperança para aquele que sofre. Que a Vossa bondade permita aos Espíritos consoladores derramarem por toda a parte a paz, a esperança e a fé.(6)
Cáritas quer que os seres humanos possam se despir do orgulho que os impede de reconhecer Deus e aceitar sua ajuda diante das vicissitudes da vida e clama para a bondade de Deus invadir os corações necessitados e órfãos de fé na sua bondade.
Em 8 de novembro de 1865, através de uma comunicação, Cáritas apresenta-se como “a mendiga para os pobres e sofredores”.(7)
Essa iluminada mendiga de Deus em todas as narrativas desta dessa doce prece, suplica para que a bondade de Deus invada nossos corações e acalme nossos medos, nossas aflições e dores da alma e que ao final cada súplica como um grito alcance a imortalidade carregado de reconhecimento e amor.
Que o iluminado e brilhante espírito de Cáritas continue a espalhar luz e comoção pelos séculos.
Paz e Luz.
Ângela Telles
Referências:
(1) Cáritas, martirizada em Roma, Lião, 1861.O Evangelho Segundo O Espiritismo Cáp.XIII, item 13.Ed.Araras, SP, IDE, 366 edição, 2021. p. 153.
(2) I Coríntios 13:4-8.
(3) Morais, Regis de, 1940. Cáritas e sua prece histórica. Campinas, SP: Allan Kardec,2016 p.56.
(4) Kardec, Allan, 1804-1869. O Livro dos Espíritos. Tradução de Matheus Rodrigues de Camargo – 30 reimp. Abr. 2024 – Capivari, SP : Editora EME.
(5) Efésios 4:25.
(6) Schutel, Caibar. Preces espíritas. Matão (SP): Casa Editora O Clarim, 2002.item 12.
(7) Revista Espírita, ano VIII, nº 12, 1965.
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