
Uma questão de coração
“…mas seu coração está longe de mim”
Jesus (Mt 15:8)
A proximidade do Natal, para a maioria de nós, é oportunidade para “amolecermos” o coração. Nessa época somos bombardeados, no bom sentido, através de mensagens áudio visuais de todo tipo, pelo ideal de fraternidade, de companheirismo e de prática de valores fundamentados no amor ao próximo.
No terreno da mídia comercial, excessivamente mercantilista, as propagandas fazem uso desse sentimento, o de amor ao próximo, para nos induzir ao consumo, mas, em parte, acaba por nos fazer exercitar o sentimento fraterno, mesmo que com superficialidade e por curto espaço de tempo.
Também as mídias sociais nos bombardeiam com mensagens diversas, inclusive com as que nos dedicam positivos votos pessoais, quase sempre mexendo com nossos sentimentos e valores mais íntimos.
Porém, passado o chamado período das festas de fim de ano, quase sempre retornamos para nossas rotinas, embrenhando-nos novamente no “terra a terra” diário, esfriando nosso calor humano ao nível anterior ao clima natalício.
Isso acontece porque o nosso coração ainda não está, de nossa parte, jungido ao Senhor Jesus, definitivamente.
A identidade do nosso coração com o Senhor Jesus virá, naturalmente, com o entendimento de Sua mensagem esclarecedora e, por isso mesmo, libertadora, como Ele mesmo afirmou:
“Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; E conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará”. (1)
O Senhor, ao dizer “na minha palavra”, estava, evidentemente, falando do ensino moral nelas contidas, e conhecedor de nossa ignorância, e também da “dureza de nossos corações”, nos informou que haveria, para nos elucidar, uma nova mensagem em tempos futuros:
“Mas o Paracleto, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos lembrará todas as coisas que vos disse.” (2)
Allan Kardec, a respeito do moral evangélica, comenta:
“Poucos, no entanto, a conhecem a fundo e menos ainda são os que a compreendem e lhe sabem deduzir as consequências. A razão está, por muito, na dificuldade que apresenta o entendimento do Evangelho que, para o maior número dos seus leitores, é ininteligível.” (3)
Eis uma das tarefas do Espiritismo, como o próprio Senhor Jesus anunciou, fazer-nos entender a moral contida nos Seus ensinos, para que, compreendendo-a, possamos colocá-la em prática, e ela se baseia, segundo Jesus, em:
“Assim, tudo quanto quereis que os homens vos façam, assim também fazeis vós a eles; pois esta é a Lei e os Profetas”. (4)
Mas, segundo Jesus, para praticar a orientação acima há uma condição:
“Misericórdia quero, e não oferendas”. (5)
Ou seja, com o coração, e não com cultos exteriores.
Desta forma, o estudo sistemático da Doutrina Espírita nos leva ao entendimento de que a solidariedade que o “clima do Natal” nos traz deve ser compreendida como um hábito a ser desenvolvido e mantido por todos nós, momento a momento e ininterruptamente, para com todos e por todo o sempre.
Só assim o nosso coração nos aproximará do Senhor,
“para que todos sejam um. E assim como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti, que também eles estejam em nós.” (6)
Pensemos nisso.
Antônio Carlos Navarro

Referências:
(1) João 8:31,32;
(2) João 14:26;
(3) O Evangelho segundo o Espiritismo, Introdução, I – Objetivo desta obra;
(4) Mateus 7:12;
(5) Mateus 9:13;
(6) João 17:21.
Obs. As citações evangélicas foram tiradas de O Novo Testamento, tradução de Haroldo Dutra Dias, 1ª edição, 2010.
Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em
<https://i.pinimg.com/originals/cc/e6/b5/cce6b5bd191855da0179f73f5c904379.jpg>. Acesso em: 04DEZ2017.
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