
Tânia, a menina que usava luvas (1ª Parte)
A Terra dos Sonhos amanheceu ensolarada.
Os passarinhos cantavam alegres, o riacho com suas águas transparentes deixava ver os peixinhos nadando e o vento fresco soprava a cabeleira das árvores fazendo-as balançar suavemente.
Tânia, a menina que usava luvas, colhia algumas flores no jardim de sua casa para colocar num vaso.
Um bem-te-vi que a observava pousou na cerca que dividia o quintal de sua casa das outras casas e perguntou a ela:
-Tânia, por que você está sempre com luvas?
-Para me proteger, respondeu ela. Assim não sujo as mãos e nem me firo quando colho as flores ou mexo com a terra.
-É só você lavar as mãos, – disse o bem-te-vi.
-Sim, mas eu preciso usar as luvas.
-Quem te deu essas luvas? Perguntou o passarinho.
-Foi um ancião que mora na Terra do Amor. Ele me disse que elas são especiais e que um dia eu vou descobrir o que elas fazem, mas para descobrir eu tenho que usá-las todos os dias. Ele disse que quando eu fizer um trabalho muito bonito e que eu não sei qual é, vai acontecer uma coisa incrível.
-E você está curiosa? Perguntou o bem-te-vi.
-Ah! Sim, muito curiosa e por isso tenho que usá-las todos os dias.
E como Tânia era curiosa e queria descobrir o que as luvas tinham de especial, as usava para colher flores, mexer com a terra, ajudar sua mãe no serviço de casa, ir à escola e para tudo o que quisesse fazer.
Um dia, a Terra dos Sonhos foi invadida pelo Vírus do Pessimismo.
A Terra do Pessimismo, onde o vírus morava era um lugar muito triste. Não havia alegria e nem esperança. As pessoas não cantavam e não sorriam e por isso sempre estavam doentes. E o vírus do pessimismo quando entra na pessoa faz um estrago muito grande.
O Rei Pessimismo, governante da Terra do Pessimismo, queria que o povo da Terra dos Sonhos também ficasse triste, não sorrisse e não cantasse mais e levou o vírus do pessimismo para a Terra dos Sonhos e o vírus contaminou muita gente. Os habitantes da Terra dos Sonhos começaram a entristecer, a rádio parou de tocar músicas alegres, começou a faltar alegria, sorrisos, ânimo e todos começaram a ficar doentes. O Rei Otimismo, governante da Terra dos Sonhos, pediu que cada morador ajudasse quem estivesse doente, cantasse e tocasse músicas alegres para combater o vírus do pessimismo, pois o vírus não gosta de alegria nem de esperança. Para ajudar o Rei Otimismo, o Rei Solidário da Terra da Solidariedade, mandou o seu exército, o exército da fraternidade, para combater o vírus do pessimismo.
E como os hospitais estivessem cheios de gente com a doença da tristeza transmitida pelo vírus do pessimismo, o Rei Otimismo pediu a ajuda de voluntários, ou seja, de pessoas que quisessem ajudar sem receber recompensa nenhuma. E sendo Tânia uma menina do bem, calçou suas luvas e foi ao hospital prestar sua ajuda. Ela levou seus brinquedos e seus livros de histórias para ler, brincar e alegrar as pessoas doentes.
Em um dado momento quando conversava com uma vozinha triste, segurando suas mãos e acariciando seus cabelos:
Scrash!!!!!!!!!!!!!! Bummmmm!!!!!!!!!!!!!!
As luvas se acenderam, ficaram iluminadas.
-Oh!, disse Tânia admirada – que luz bonita!
Ela já tinha usado antes as luvas e nada tinha acontecido, mas agora por que as luvas se iluminaram?
Tânia voltou para casa e contou à sua mãe.
No dia seguinte foi à escola e contou às suas coleguinhas que queriam ver as luvas se iluminarem. Tânia calçou as luvas e disse:
-Abracadabra, luvas se acendam!!!!!!!!!!
E nada aconteceu. Mexeu as mãos para lá e para cá e nada aconteceu.
Voltou para casa, fez sua lição e foi brincar sempre com as luvas e nada aconteceu.
Passou uma semana e nada mais ocorreu.
Um dia, viu uma pessoa deficiente que precisava de ajuda para subir no ônibus. Tânia, que gostava de ajudar as pessoas, segurou as sacolas para a pessoa subir no ônibus. E de repente:
Scrash!!!!!!!!!!!!!!Bummmmm!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! as luvas se iluminaram.
-Oh!, disse Tânia – pensei que as luvas não fossem mais se iluminar. Por que será que só se iluminam de vez em quando?
Voltou para casa e foi ler um dos seus livros de histórias.
No outro dia voltou ao hospital e quando ajudava um vovô alimentar-se colocando comida em sua boca:
Scrash!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!Bummmmmmmmmmmmm!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!as luvas se iluminaram.
-Meu Deus, disse Tânia,- por que será que não se iluminam sempre?
(* * * o texto continua na próxima quinta-feira, dia 15 de fevereiro)
Orleide Felix de Matos

Notas do editor:
(* * * ) O texto continua na próxima quinta-feira, dia 15 de fevereiro.
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://pt.dreamstime.com/foto-de-stock-m%C3%A3os-no-canteiro-de-flores-de-jardinagem-da-margarida-do-toque-das-luvas-image41405249>. Acesso em: 08FEV2018.
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