
DEUS
O que o Espiritismo explica sobre Deus?
Sem nenhum parâmetro para definir o indefinível e nem podendo alcançar o inalcançável, o ser humano imaginou Deus à sua imagem e semelhança. Na visão antropomórfica que domina a conceituação religiosa de Deus, o Criador é um ser humano aprimorado, sujeito à variação dos humores. Sua descrição é a de um homem grande, de barbas longas e brancas, posicionado em algum lugar do Universo, de onde o dirige, estando a sua direita reservada para os bons e a esquerda para os maus.
Como pode a formiga entender o ser humano? Falta-lhe algo imprescindível: a consciência de si mesma e a razão. Como podemos querer entender a essência do Criador incriado?
Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, questionando os Espíritos Superiores a esse respeito, não perguntou quem é Deus, porque isso já implicaria em presumir que é alguém. Limitou-se a perguntar “que é Deus?”, permanecendo aberto para a resposta, que foi:
“Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, sendo ele único, eterno, imutável, imaterial, onipotente, soberanamente justo e bom”.
É o que basta para nós. Querer aprofundar seria perda de tempo e motivo para perturbação. Compreendendo Deus como a causa primeira de tudo que existe, e os seus atributos, saberemos respeitá-lo e também seguir as suas leis.
Para nós, o Criador se faz presente em todos os lugares ao mesmo tempo; trata todos com amor e justiça, indistintamente, sejam bons ou maus, negros, amarelos ou brancos, sábios ou ignorantes, ricos ou pobres, crentes ou ateus; concede igualmente a todos as mesmas oportunidades de desenvolvimento da inteligência e do amor, competindo-nos cumprir suas leis ou sofrer as consequências naturais do reajustamento.
Ao mesmo tempo em que o entendimento da sua essência está distante de nós, o seu amor imensurável está bem próximo. Por isso, o adoramos, em espírito, agradecendo todas as bênçãos que a cada dia tem nos proporcionado, na caminhada incessante em busca da felicidade. Por aceitar a sua justiça e o seu amor, não o concebemos impondo-nos castigos, sabendo que mesmo as dores e os obstáculos da vida são experiências necessárias ao nosso amadurecimento. Sendo fonte inesgotável do amor, suplicamos-lhe as forças necessárias à superação do sofrimento, porque reconhecemos a nossa pequenez.
Aprendemos, com Jesus, que Deus é o NOSSO PAI, que nos criou para o amor e a felicidade, mas que essa é uma conquista que devemos alcançar pelos nossos próprios méritos, pelo exercício constante do Bem.
Donizete Pinheiro
Nota do Autor:
Do livro Respostas Espíritas
Nota do Editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://revolucaoespirita.com.br/deus-nao-foi-criado/>. Acesso em: 25MAR2021.
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