
Templo
Jesus acabara de agrupar seus apóstolos, era um rabi e tinha então responsabilidade sobre a educação destes homens e, hoje sabemos, de toda a humanidade.
Rabis eram aqueles homens que tinham jovens e crianças sob tutela educacional. Eram responsáveis por passar-lhes os conhecimentos de religião, filosofia, ciências e até hábitos de higiene. Apenas para exemplificação, eram rabis também Nicodemus e Gamaliel.
Como rabi, Jesus tinha espaço no grande templo para suas pregações e, nos relata o Evangelho de João, em uma dessas ocasiões, indignado com o comércio, o câmbio, o escambo, entre outras práticas incompatíveis com o local, teria tomado em suas mãos um feixe de cordas que foi usado como um chicote ou açoite contra os autores destas práticas, expulsando-os do local.
É bastante discutível a descrição que alguns fazem de um Jesus muito alterado. Eu, particularmente, acredito na sua autoridade moral, firme, mas sem violência contra quem quer que fosse, mas não é a intenção desse texto discutir tais elucubrações. O fato e o foco aqui é que o Mestre se indignou com coisas mundanas, profanas em um ambiente sagrado.
Jesus, ao longo do seu trabalho, desmistificou vários conceitos de uma maneira lúdica ou metafórica e elucidou várias das Leis Divinas que regem o universo e as nossas vidas.
Acredito que o “templo” é uma delas. No capítulo 3, do livro Boa Nova, em meio ao diálogo com um sacerdote um tanto arrogante, Jesus afirma: “O Reino de Deus é a obra divina no coração dos homens”.
Com base nessa afirmação pergunto, qual o templo material, de cimento, blocos e telhas pode ser mais sagrado do que esse templo interno, esse coração e alma onde se construirá, de fato, o Reino de Deus?
Aliás, a pandemia atual, em período de templos fechados, mostrou-nos, claramente, que estes ambientes físicos em nada fizeram falta àqueles trabalhadores do bem, fossem eles encarnados ou desencarnados.
O que me leva então a uma reflexão mais profunda, diante do acontecido no templo de Jerusalém. Quem está ocupando espaço no meu templo interior? As coisas profanas? Valores materiais? Ou estou dedicando espaço ao que é sagrado? Valores intangíveis, espirituais tem mais espaço do que as coisas do mundo? Lembrando a afirmação, também de Jesus, que devemos dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, a quem estou dedicando o meu coração? A César ou a Deus?
Está aí o nosso caminho de autoavaliação e, posterior, transformação ou reforma íntima, em saber onde está meu coração, quem ou o que habita o meu templo.
André Tarifa
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