
Obrigação & fuga
O dever é o mais belo laurel da razão
“O dever, por mais duro, constitui sempre a vontade de Deus.”
Emmanuel (1)
Lázaro (2) e Emmanuel mostram as verdadeiras e notáveis dimensões do dever, indicando-nos o modo correto de entender as coisas, bem como as dolorosas consequências da fuga às obrigações…
Afinal, o que é o dever? Onde começa?! Onde termina?!
Segundo os Benfeitores Maiores “(…) o dever é a obrigação moral da criatura para consigo mesma primeiro e, em seguida, para com os outros. O dever é a lei da vida, é o resumo prático de todas as especulações morais, é o mais belo laurel da razão; descende desta como de sua mãe o filho.
O dever começa sempre no exato ponto onde ameaçamos a felicidade ou a tranquilidade do próximo. Termina no limite onde não desejamos que ninguém transponha com relação a nós.
Na ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil de cumprir-se, por se achar em antagonismo com as atrações do interesse e do coração. Entanto, ele cresce e irradia-se sob mais elevada forma, em cada um dos estágios superiores da humanidade”. (E.S.E. – XVII-7).
Continuam a ensinar os Espíritos Amigos: “(…) as defecções na área do dever vinculam-se a dolorosos corolários. Quebrando a ordem que lhe rege os caminhos, desorganizará a própria existência. Os princípios equilibrantes da vida surgirão sempre, corrigindo e restaurando… Jamais perturbaremos o que Deus harmonizou sem grandes danos a nós mesmos.
Ninguém alegue desconhecimento do Propósito Divino. O dever, por mais duro, constitui sempre a Vontade do Senhor. E a consciência, sentinela vigilante do Eterno, a menos que esteja o homem dormindo no patamar do bruto, permanece apta a discernir o que constitui “obrigação” e o que representa “fuga”.
Deus criou e uniu os seres e igualmente criou situações e coisas, ajustando-as para o bem comum. Quem desarmoniza as obras divinas, prepare-se para a recomposição. Quem lesa os mecanismos divinos, algema o próprio “eu” aos resultados de sua infeliz ação e, por vezes, demora séculos desatando grilhões…
Na atualidade terrestre, esmagadora porcentagem dos homens constitui-se de milhões em serviço reparador, depois de haverem abalado o que Deus harmonizou, perturbando com o mal, o que a Providência estabelecera para o bem.
Prestigiemos as organizações do Justo Juiz que a noção do dever identifica para nós em todos os quadros do mundo.
Às vezes, é possível perturbar-lhe as obras com sorrisos, mas seremos invariavelmente forçados a repará-las com suor e lágrimas”.
Rogério Coelho
Referências:
(1) XAVIER, Francisco Cândido. Caminho, verdade e vida. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2006, cap. 164.
(2) KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 129.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2009, cap. XVII, item 7.
Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://agendaespiritabrasil.com.br/2021/06/01/o-dever-e-a-paz/>. Acesso em: 06 de março de 2023.
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