
Os suaves cânticos da renovação
A felicidade em Cristo é possível, na medida em que se começa a vivenciá-lO
“Eu creio Senhor! mas, ajuda a minha incredulidade!”
– Marcos, 9:24
A busca da perfeição é o desiderato que deve ser almejado por toda criatura de Deus; daí conclamar Jesus[1]: “sede vós, pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos Céus”.
Árdua e longa é a caminhada e traiçoeiras são as veredas!… Na luta íntima para a desejada renovação cristã enfrentaremos não só os inimigos internos, acólitos do “homem-velho”, mas, também, toda sorte de vicissitudes externas, capitaneadas por mentalidades malsãs, encarnadas e desencarnadas, depressivas e perversas… Portanto, os anseios cristãos de renovação permanecem, de ordinário, em rota de colisão com as milenares sedimentações atávicas psicológicas de comportamentos inadequados, ignorância, incúria e até mesmo crueldade!
É a inevitável luta quando se alça mais altos voos em busca da interação com o Pai. Não obstante, Jesus já nos ofereceu o roteiro ao afirmar[2]: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”.
Escrevendo aos gálatas, Paulo enfatizava sua condição de prisioneiro do Cristo[3]: “vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim”.
Estar em Cristo e Cristo estar em nós em quaisquer situações felizes e infelizes é atingir a plenitude de ser. Longe de tal atitude caracterizar misticismo piegas, é, na verdade, uma realidade a ser alcançada. Difícil de lograr? Sim, mas não impossível! Como começar?! Ora, Jesus deixou a fórmula que o Espírito de Verdade ratificou: a Caridade!
“O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei”.[4]
“Espíritas amai-vos…”[5] É o mesmo apelo à Caridade!
Acompanhemos o raciocínio de L. Palhano Jr., pinçado da 2ª parte do livro “aos efésios” no capítulo intitulado “em Cristo”, no qual podemos ler o seguinte: “(…) a felicidade em Cristo é possível, na medida em que se começa a vivenciá-lO, em princípio, quebrando a dureza que há em nossos corações, substituindo-a pela piedade. Para alcançarmos esse resultado temos três recursos à nossa disposição:
1- A vigilância – sobre pensamentos e atos, para que não sejamos apanhados em concupiscência;
2 – A oração – que nos colocará em contato com os Agentes da Luz;
3 – A meditação – que nos possibilitará o controle sobre nossos próprios pensamentos, fazendo com que a nossa quietude interna aflore e domine a agitação exterior”.
Para sustentação desses recursos, não poderão faltar doses maciças de humildade, de desprendimento e de sublimação das energias interiores… Enfim, trata-se de um combate ferrenho movido contra as forças coagulantes dos pensamentos que procedem das furnas milenares do “homem-velho”, desencadeadoras dos ímpetos da imperfeição.
Não seria esse bom combate que caracteriza o verdadeiro Espírita? Kardec enfatizou muito bem isso, quando afirmou[6]: “reconhece-se o verdadeiro Espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações”.
Lembremo-nos de que nesse combate necessário, a hesitação no mundo íntimo é o dissolvente de nossas melhores energias. Somente aquele que confia consegue perseverar no levantamento dos degraus que o conduzirão à altura da renovação em Cristo que deseja atingir.
Com toda razão enfatiza o apóstolo[7]: “(…) o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento e lançada de uma para outra parte”.
Afirma Emmanuel[8]: “(…) quem duvida de si próprio, perturba o auxílio divino em si mesmo. Ninguém pode ajudar àquele que se desajuda.
Compreendendo o impositivo da confiança que deve nortear-nos para frente, insistamos no bem, procurando-o com todas as possibilidades ao nosso alcance. Abandonemos a pressa e olvidemos o desânimo. Não importa que a nossa conquista surja triunfante hoje ou amanhã. Vale trabalhar e fazer o melhor que pudermos, aqui e agora, porque a vida se incumbe de trazer-nos o que buscamos.
Avançar sem vacilações, amando, aprendendo e servindo infatigavelmente – eis a fórmula de caminhar com êxito, ao encontro de nossa vitória”.
Enfatiza – poeticamente – João de Deus: “guarda a fraternidade por bandeira/ E a lição de Jesus por novo guia./ Seja teu canto a glória que anuncia/ Renovação à humanidade inteira…”
Rogério Coelho
Referências:
[1] – Mt., 5:48.
[2] – Jo., 14:6.
[3] – gálatas, 2:20.
[4] – Jo., 15:9 a 12.
[5] – KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 129.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2009, cap. VI, item 5, § 5º
[6] – KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 129.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2009, cap. XVII, item 4, § 5º.
[7] – Tiago,1:6.
[8] -XAVIER, F. Cândido. Fonte viva. 10.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 10982, cap. 165.
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