
O esfarelamento das certezas
“Até quando nos deixarás em dúvida?”
Sem nenhuma dúvida vivemos a era do esfarelamento das certezas. Com a popularização das mídias sociais e o livre acesso aos meios digitais tudo se transforma, em frações de segundos, ou diria, em um simples “clique”.
As redes sociais existem a muito tempo, mesmo antes da internet. São as nossas redes de relacionamento: família, amigos, colegas da escola, de trabalho, parceiros de jogos, esportes etc., já as plataformas de redes sociais, ou seja, espaços que promovem os relacionamentos, por meio da troca de conteúdos e mensagens virtuais são mais recentes e possuem um efeito bem mais impactante. Essas plataformas de redes sociais, atualmente, assumem funções. Elas podem ser usadas para propagar informações, disseminar campanhas, promover marcas e produtos, evidenciar ou cancelar pessoas e para mais uma infinita lista de opções.
Para as pessoas que aprenderam a manejar essa ferramenta, as plataformas de redes sociais surgem como um instrumento poderoso de informação, formação de vínculos, aprofundamento de estudos e diminuição das distâncias no tempo e no espaço. Sem dúvida, uma invenção fascinante. Com a chegada da Inteligência Artificial impulsionando quase todas as áreas da sociedade existe uma ampla expectativa dos humanos de resolverem a maioria dos problemas complexos que tem surgido ao longo das últimas décadas. Entretanto, os antigos problemas de convivência e relacionamento vem cada vez mais demonstrando a fragilidade e a inadaptação de lidar com as certezas e incertezas da vida real. Já não é possível confiar em vídeos, imagens e até mesmo afirmações das personalidades públicas e em evidência, visto que um computador aliado a inteligência artificial pode simular todos os modelos que lhe são oferecidos, enfim estamos suscetíveis demais frente as certezas.
O uso das tecnologias não a torna prejudicial de maneira nenhuma, porém a falta da ética, sim. Aprender a dominar a tecnologia é sem sombra de dúvida se apropriar do novo, porém, a nossa inabilidade em manter nossas redes sociais está promovendo o adoecimento nas relações socioafetivas. Por nos afastarmos demasiadamente das redes sociais afetivas presencialmente, o homem que dominou a tecnologia do século 21 assiste o declínio e o esfarelamento das relações e das suas certezas. Nossa constituição humana requer proximidade, contato físico, olho no olho, cheiro, toque, saber, sabor e isso não se consegue através do online.
A antiga promessa do Messias “Eu vim para que tenhais vida” ainda é o que devemos confiar, crer. As dúvidas sentidas pelos apóstolos sobre a identidade messiânica eram inquietantes, fazendo do cenário, do início do Cristianismo, um misto de alegria e uma ruga interrogativa no pensar dos seus seguidores, interpeladores e curiosos. Fato esse anotados pelos evangelistas através dos diálogos: “Então, os judeus rodearam a Jesus para indagar-lhe: “Até quando nos deixarás em dúvida? Se és o Cristo, dize-nos claramente.” Entretanto a resposta dada por Ele a mulher Samaritana, no poço de Jacó, não nos deixa dúvidas: Devemos confiar!
Buscar o fortalecimento das nossas redes sociais é o que nos manterá saudáveis para o mundo das incertezas. Buscar as verdades e as claridades do Espiritismo ainda é o melhor programa de sintonia com a espiritualidade. Que resta de nós senão confiar nas palavras do Cristo? Continuemos a ouvir a voz inconfundível Dele: “Eu sou o Messias! Eu, que estou falando com você”. Precisamos de certezas para continuar nossa trajetória e Jesus é o Espírito mais perfeito que Deus destinou como Guia e Modelo da humanidade terrestre.
Jane Maiolo
Referências:
(1) João 4:26;
(2) João 10:24; e
(3) KARDEC, Allan /O Livro dos Espíritos- Questão nº 625.
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