
Ide e pregai: os Espíritos do alto estão convosco
“Porque, se anuncio o Evangelho, não tenho de me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o Evangelho!” (I Coríntios, 9:16)
Anunciar o Evangelho é tarefa de “Homens Fortes”.
Paulo de Tarso compreendendo o convite do Senhor, às portas de Damasco, realizou paulatinamente grandes transformações no pensamento religioso da Humanidade terrestre.
Focado na sua missão, a de levar a Boa Nova aos corações de todos os sofredores, aflitos, gentios, gregos ou romanos, fez-se o vaso escolhido, no qual o Cristianismo pôde abastecer suas fontes inesgotáveis de entendimento e sabedoria.
Os dias, os meses, os anos e as décadas se modificam, a sociedade é outra, com mais anseios, apelos, sofrimentos e reações chocantes, mas a mensagem da Boa Nova ainda é a mesma, em sua essência pura e incorruptível, por mais que se adulterem os documentos.
Justo analisar que os “pregadores” do Evangelho já não são mais os mesmos.
Espantoso como a simplicidade, a bravura e o comprometimento também já não têm o mesmo foco. Onde os sinais do Apóstolo dos Gentios em nós?
Padre Antônio Vieira afirmava no seu Sermão da Sexagésima: “Antigamente convertia-se o Mundo, hoje por que se não converte ninguém? Porque hoje pregam-se palavras e pensamentos, antigamente pregavam-se palavras e obras”.
Estamos presenciando uma época onde a tribuna está sendo invadida por uma leva de pregadores mais focados na própria divulgação do EU e dos Seus produtos, na sua imagem, na repercussão dos seus feitos, do que na Mensagem libertadora do Mestre.
Não nos esqueçamos, porém, que o Modelo e Guia da Humanidade é Jesus e somente Ele deverá aparecer, lembremos o precursor João Batista “é necessário que ELE cresça e eu diminua”. Nós apenas somos instrumentos imperfeitos convidados a nos reabilitarmos diante da Lei Eterna ajudando na divulgação da Boa Nova, ou como afirma Emmanuel somos apenas e de fato simples “pregadores de cartazes convidando à festa do Reino”, e que não fomos ainda, pessoalmente convidados à festa, mas que estamos espalhando cartazes por ordem superior.”
Compreendamos nosso papel frente à divulgação espírita. Sejamos mais simples, exijamos menos, sejamos mais humilde, convivamos com as pessoas quer sejam sofredores, enlouquecidos, desprovidos, esquecidos…
Manias, sistemas e exigências descabidas não combinam com o perfil do verdadeiro pregador da Boa Nova.
Mais do que nunca as pessoas precisam ser envolvidas nas doces vibrações contidas no Evangelho do Cristo.
Ide e pregai, mas não nos esqueçamos que mais que palavras, é importante desenvolver sentimentos naquilo que estamos realizando.
Ide e pregai, pois os Espíritos do Alto estarão convosco!
Jane Maiolo
Referencias bibliográficas:
Bíblia de Jerusalém- Edições Paulinas, São Paulo/Brasil -Primeira Epistola aos Coríntios –cap.9:16
Bíblia Almeida corrigida e revisada- Evangelho de João cap. 3:30
VIEIRA Antônio . Sermão da Sexagésima. In: Os sermões. São Paulo. Difel, 1968. VI, p. 91
KARDEC, Allan Kardec. O evangelho segundo o espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 3ª edição .FEB. Rio de Janeiro, 2007. Cap.XX, item 2.
SCHUBERT Suely Caldas. Testemunhos de Chico Xavier . 16ª edição. FEB. Brasília-DF. p. 73.
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