
Marina e o Assédio moral na escola
O dia amanheceu lindo. O céu muito azul e o sol banhava todos os espaços com seus raios na Terra do Bem. Os pássaros cantavam alegres e de vez em quando um bando de maritacas cruzava o céu na maior algazarra fazendo um grande barulho.
Marina havia recebido um convite para ir cantar nas festividades de uma escola na sua cidade. Ela era dona de uma voz muito bela e afinada e até já tinha gravado um disco, apesar de seus 10 anos de idade. E também estudava violão.
Arrumou-se, colocando seu vestido predileto, enfeitou os cabelos e foi para a escola que a havia convidado. Chegou bem na hora do recreio. Estava com fome e foi até a cantina para comprar uma fruta. No pátio da escola encontrou um menino muito triste que estava sentado no chão chorando e em volta dele um grupo de crianças criticando sua roupa que estava um pouco desbotada e seu corpo, já que o menino era um pouco gordinho. Marina aproximou-se do grupo e pediu que parassem com aquilo.
– Parem, crianças, vocês não veem que o garoto está chorando e sofrendo? disse Marina
-Deixa de ser chata, nós só estamos nos divertindo, disse um dos meninos.
-Divertir sim, mas não humilhando o coleguinha. Brinquem de outra forma, joguem futebol, pulem corda, mas não façam os outros sofrerem.
– Ah, Marina, deixa de ser boba. Ele é feioso e gordo, disse outro menino.
-Parece uma baleia, disse outro ainda.
-Olhem a roupa dele, desbotada. Ele vem com a mesma roupa todo dia.
-É sim, qualquer dia a roupa vem sozinha para a escola, porque já conhece o caminho.
-E ele também tem um nome muito feio. Se chama Agapito.
– Parece apito!!!!!!!!!!!!!!!!!
E a risada foi geral.
-E a irmã dele se chama Almesinda, que nome feio.
-Meninos, se vocês não sabem respeitar o garoto, então eu vou embora, porque não concordo com o jeito que vocês o tratam.
-A gente só está brincando, Marina.
-Então brinquem sem humilhar, sem fazer com que ele sofra. Não sabem que o que não queremos para nós não devemos fazer para os outros? E se fosse um de vocês, gostariam que lhes tratassem do mesmo jeito?
Marina queria mostrar àqueles meninos que não se deve maltratar a ninguém. Voltou para casa e não cantou e nem tocou seu violão.
Chegando em casa, contou para seu pai o que havia acontecido e seus pais resolveram procurar a diretora da escola para saber mais sobre aquele menino que era alvo das brincadeiras sem graça.
-Senhores, a família desse menino está com grande dificuldade financeira. Seu pai está desempregado e sua mãe ganha pouco lavando e passando roupa para a vizinhança. E ainda sua irmãzinha está doente e o dinheiro quase não dá para comprar comida e os remédios para ela. Já chamei os pais desses alunos para conversar com eles para que não fiquem criticando o garoto.
-Acho que temos que ensinar a esses alunos que eles precisam aprender a respeitar as pessoas, disse o pai de Marina.
-Concordo, disse a diretora da escola.
-Se a família dele está com dificuldade financeira, será que podemos pedir às famílias dos alunos algum alimento para fazermos uma cesta básica para eles? Perguntou a mãe de Marina.
-Teremos uma festa de aniversário da escola no mês que vem e até lá temos tempo para pedir alimentos aos pais dos alunos, disse a diretora.
-E Marina poderá vir e cantar, disse o pai.
A diretora então começou a organizar a festa de aniversário da escola. Mandou mensagens aos pais dos alunos e todos concordaram em ajudar a família de Agapito.
Chegou o dia da festa. O pátio da escola ficou cheio de pessoas interessadas em ver Marina cantar, os músicos já estavam todos preparados. Marina cantou lindamente e tocou seu violão enchendo o ar de melodias leves e alegres. Suas músicas, que ela mesma escrevia, falavam de bondade, de caridade, de amor ao próximo, de perdão e de união entre todos. Muitos quilos de alimento foram arrecadados para a família de Agapito, além de roupas. Trouxeram também muitos doces e salgados para a festa. A família de Agapito compareceu e ficou muito emocionada. Agradeceram à diretora, aos pais de Marina, aos pais dos alunos e à Marina a grande ajuda recebida. O clima era de paz e amor. E para que tudo ficasse ainda mais bonito, o pai de um dos alunos, que era dono de uma fábrica, ofereceu trabalho ao pai de Agapito, que chorou de emoção. A festa terminou com alegria em todos os rostos.
Orleide Felix de Matos
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