
Como estamos orando
Acreditamos que a maioria das pessoas oram diariamente. Mas como temos feito as nossas orações?
Em O Livro dos Espíritos; questão 659, os amigos espirituais responderam a Allan Kardec, que a prece é um ato de adoração. Fazer preces a Deus é pensar Nele, é aproximar-se Dele, é pôr-se em comunicação com Ele, podendo se fazer três coisas: louvar, pedir e agradecer. Até chegamos a louvar e agradecer. Mas estamos tão condicionados milenarmente em mais pedir, que, ao final de cada prece, acrescentamos assim – Oh meu bom Deus, louvado seja teu nome, hoje só tenho a agradecer pelas bençãos recebidas, mas preciso que me ajude nisso e naquilo…
Como mendigos de amor e luz, temos buscado avidamente a doce e a misericordiosa bondade de Deus para nossas dificuldades; recordando marcante e significativo episódio (1) em que o apóstolo Simão Pedro, após ter experimentado amargo remorso ao negar o Cristo por três vezes antes de Sua crucificação, ajoelhou-se diante do Mestre pedindo-lhe perdão, ouvindo Dele sábia advertência – Pedro, o homem do mundo é mais frágil do que perverso! Dessa forma, o que mais temos levado em conta quando fazemos nossas orações? Que prevaleça apenas a nossa vontade? Que a vontade de Deus seja igual a nossa? ou que prevaleça apenas a vontade de Deus? Desejar que prevaleça apenas nossos desejos e vontades, é desconhecer o amor, a justiça e a sabedoria de Deus, considerando tão somente os nossos caprichos e interesses imediatos para sermos felizes, como se houvesse uma receita pronta para cada situação.
Frustrados e revoltados por não sermos atendidos como gostaríamos, acabamos esfriando na fé e na esperança por dias melhores, pois, inútil será pedirmos que sejam abreviadas nossas provas, porque o homem geralmente, não deseja ver senão o seu presente, ignorando talvez, que o sofrimento poderá lhe ser mais útil à sua felicidade futura. Agora, quando desejamos que a vontade de Deus seja igual a nossa, é nivelar ou rebaixar a sabedoria e a bondade de Deus sob a condição humana, em que Suas leis infinitas e imutáveis sejam derrogadas para nos atender e satisfazer.
Se Deus estivesse sujeito as imposições do homem, todo o universo e suas obras sofreria constante instabilidade. Precisamos entender que Deus é o Pai e Criador, e nós suas criaturas e filhos. E se tivéssemos que tirar uma parcela da perfeição de Deus, Ele deixaria de ser Deus, e, por conseguinte, haveria de existir um outro Ser, mais superior e mais poderoso que Ele. Por isso que, às vezes, não somos atendidos nas orações, porque os planos de Deus são diferentes e melhores, a exemplo de um pai que nega ao seu filho algo que irá lhe prejudicar.
E não adianta orarmos muito; o importante é orarmos pouco e bem, pois Deus sabe de nossas necessidades antes mesmo de pedirmos. E finalmente, quando aceitamos simplesmente a vontade de Deus, passamos a vivenciar o ensinamento deixado por Jesus na oração dominical […] seja feita a vossa vontade, na terra como no céu […]. Portanto, fazer a vontade de Deus, é observar e aceitar Suas leis justas e amorosas, submetendo-nos sem queixumes e murmúrios aos vossos decretos, pautados na obediência e submissão com o Criador.
Nos comentários de Allan Kardec em O Livro dos Espíritos, após a questão 921, diz assim – O homem bem compenetrado do seu futuro, não vê na presente existência corpórea mais do que uma rápida passagem. É como uma parada momentânea em precária hospedaria, da qual ele se consola facilmente de alguns aborrecimentos passageiros, como numa viagem que deverá conduzi-lo a melhor situação quanto mais ele tenha se preparado.
Marildo Campos Brito
Referência:
(1) Livro: Boa Nova – capítulo 26 – Espírito de Humberto de Campos pela psicografia de Francisco Cândido Xavier.
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