
Páscoa: passagem da morte para a vida
“Alimpai-vos, pois do fermento velho, para que seja
uma nova massa, assim como estais sem fermento.
Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós.” (1)
Jesus não morreu para nos salvar; Jesus viveu para nos mostrar o caminho da salvação.
Segundo Emmanuel, a palavra salvação vale por reparação, restauração, refazimento.
Vivenciamos mais uma vez o período de Páscoa.
Descortina-se uma nova oportunidade de reflexão diante da passagem, da libertação.
Cristo, nossa Páscoa, nossa libertação, grita em nossa consciência pedindo a purificação de nossas atitudes.
“Pelo que façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os asmos da sinceridade e da verdade.” (2)
Os asmos, o pão sem fermento, que o povo hebreu levou como alimento no caminho da libertação da escravidão no Egito.
Precisamos ser na aparência o que realmente somos na essência interna de nossa alma.
Que adianta nos apresentarmos belo tal quais os pães com fermento, crescidos e saborosos, mas, quando partidos, ocos de valores morais.
Precisamos nos despojar do fermento velho, se faz necessário fazermos uma nova massa.
A Doutrina Espírita não faz da semana santa uma data especial, uma celebração.
Não nos entristecemos com o Cristo morto. A Páscoa é uma passagem da morte para a vida.
A Doutrina Espírita não faz da Semana Santa uma data especial, uma celebração. Não nos entristecemos com o Cristo morto. A Páscoa é uma passagem da morte para a vida.
“E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito. E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras. E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados. E saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos.” (3)
Jesus abandona a matéria e reaparece em corpo fluídico, burlando a morte para confirmar a vida.
Somos devotos de uma cruz vazia, porque o homem que nela sucumbiu, pela maldade e incompreensão de outros homens, saiu da cruz para nos apresentar a vida eterna.
“Fora da caridade não há salvação.” (Allan Kardec)
A caridade benevolente para com todos, a indulgência para com as imperfeições alheias e o perdão das ofensas, esse é o verdadeiro significado da Páscoa para o Espiritismo.
“Jesus nos chama para sermos luzes e para mudar este mundo escuro e corrompido.” (4)
Para sermos luzes devemos celebrar uma Páscoa diária.
“Bendito seja Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Conforme a sua grande misericórdia, ele nos regenerou para uma esperança viva, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.” (5)
A esperança viva da libertação de nós mesmos através do autodescobrimento, da ampliação de conceitos que serão a cartilha de aprendizado dos valores morais. Valores estes que renascem a cada dia quando despertamos e somos iluminados e aquecidos com a luz do Cristo vivo.
À medida que evoluímos e continuamos na caminhada ascendente, faremos contínuas e repetidas vezes a passagem da morte para a vida.
Estagnados, acomodados e temerosos diante de nossas imperfeições vivemos como mortos adormecidos e conformados com a paralisação.
A vida é movimento.
A vida é luz.
O Cristo é vida.
“Seu coração reclama sinais do céu, e, enquanto o Sábio dos Sábios manda colorir flores e horizontes para seus olhos, você procura vãos entretenimentos e nada vê.”(6)
Que a Paz de Jesus esteja com todos.
Ângela Telles
Referências bibliográficas:
(1) 1 Coríntios 5:7;
(2) 1 Coríntios 5:8;
(3) Mateus 27:50-53;
(4) Mateus 5:14-16;
(5) 1 Pedro 1:3;
(6) F.C. Xavier, pelo Espírito André Luiz. Agenda Cristã, Cap. 14, 45ª Ed. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2014.
Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em
<https://faithlovejoyhope.wordpress.com/category/resurrection/>.
Acesso em: 26MAR2016.
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