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Eutanásia na Visão Espírita

setembro 18, 2017

Todo ato que abrevia a vida no corpo físico é contrário aos Códigos Divinos.

A vida pertence a Deus e somente Ele pode retirá-la.

Vejamos a questão 953 de O Livro dos Espíritos:

“Questão 953- Quando uma pessoa vê diante de si um fim inevitável e horrível, será culpada se abreviar de alguns instantes os seus sofrimentos, apressando voluntariamente sua morte?

É sempre culpado aquele que não aguarda o termo que Deus lhe marcou para a existência. E quem poderá estar certo de que, malgrado às aparências, esse termo tenha chegado; de que um socorro inesperado não venha no último momento?”

Algumas pessoas argumentam que o médico (com ou sem anuência dos familiares) tem o dever de aliviar o sofrimento do doente quando o mal não tem cura, proporcionando uma morte “calma e tranquila”.

Mas a Eutanásia é considerada homicídio em todas as legislações humanas.

Do ponto de vista espiritual, podemos fazer as seguintes considerações:

  1. Compete a Deus, Senhor de nossos destinos, promover nosso retorno à Espiritualidade. Na Tábua dos Dez Mandamentos, recebida por Moisés no Monte Sinai, onde estão os fundamentos da justiça humana, há a recomendação inequívoca: “Não matarás”;
  2. Ninguém pode afirmar com absoluta segurança que um paciente está, irremediavelmente, condenado. A literatura médica é pródiga em exemplos de pacientes em estado desesperador que se recuperam;
  3. A Eutanásia interrompe a depuração do Espírito, uma vez que antecipa sua partida, provocando a desencarnação;
  4. De acordo com o Espírito André Luiz, impõe ao desencarnado sérias dificuldades no retorno ao Plano Espiritual.

Os familiares, muitas vezes, tomam essa decisão, basicamente, por dois motivos. Primeiro, porque não suportam ver o sofrimento do ente querido que se encontra num estado irreversível. Tomando conhecimento que não existe a menor possibilidade de recuperação, pensam que a melhor solução seja a de abreviar sua vida aqui na Terra e, consequentemente, seu sofrimento.

Mas sejamos francos: existem aqueles familiares que, no fundo, apenas desejam verem-se livres do trabalho deles mesmos, por conta de semanas, meses, visitando o doente no hospital. Além disso, se existe uma chance (um verdadeiro “milagre”) do doente se recuperar, quantos problemas e dificuldades adviriam daí para cuidar de um ser que talvez levasse uma vida vegetativa se saísse do Hospital?

André Luiz, no livro “Obreiros da Vida Eterna”, relata a eutanásia a que foi submetido um trabalhador da seara espírita chamado Cavalcante. O médico, aproveitando a inconsciência do moribundo e sem autorização dos familiares, aplicou-lhe uma dose letal de anestésico.

O períspirito de Cavalcante também é alcançado pelo medicamento e Cavalcante-espírito vê-se atordoado, incapaz de qualquer atitude.

Em face do ocorrido, o desprendimento do desencarnante só pôde ocorrer após 20 horas do previsto pelos espíritos amigos.

Ainda assim, Cavalcante não se retirou em condições favoráveis e animadoras. Apático, sonolento, desmemoriado, foi recolhido num departamento espiritual, demonstrando necessitar de maiores cuidados.

Além disso, não podemos nos esquecer que, muitas vezes, é o próprio doente que, antes de reencarnar, solicitou uma morte nesses moldes. Isto é, aquele tempo em estado físico irreversível – coma, por exemplo – estava previsto para acontecer para o próprio bem do paciente, espiritualmente falando.

Aplicada desde as culturas mais antigas, a eutanásia, longe de situar‐se por “morte feliz”, é uma solução infeliz para o paciente, além de se constituir em lamentável desrespeito aos desígnios de Deus.

Fernando Rossit

Referências Bibliográficas
(1) XAVIER, FRANCISCO CÂNDIDO. Espírito André Luiz. “Obreiros da Vida Eterna”;
(2) SIMONETTI , RICHARD. “Quem tem medo da Morte?”;
(3) KARDEC, ALLAN. “O Livro dos Espíritos”. Questão 953.

Nota do Editor:
Imagem em destaque disponível em <http://affaf.com.br/wp-content/uploads/2017/03/eutanasia-2.jpg>. Acesso em 18SET2017.

Fernando Rossit
Fernando Rossit

Funcionário público, residente em São José do Rio Preto, Espírita desde 1978, trabalhador da Associação Espírita Allan Kardec, atuando como Doutrinador, Médium Psicofônico, Orador e Instrutor Cursos da Doutrina Espírita.

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