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O amigo suicida

outubro 23, 2017

Há um bom tempo fui à Nhandeara fazer uma exposição espírita. Eu estava bem física e espiritualmente naquele dia, mas algo inusitado aconteceu na volta para Rio Preto.

Na rodovia, quando passei na frente de uma cidade do caminho, senti a presença intensa de uma entidade espiritual a dominar-me. Percebi que não se tratava de um espírito mau ou vingativo. Era um sofredor.

No entanto, o envolvimento foi tão intenso que mal conseguia dirigir o carro e, como me encontrava sozinho, não tinha como passar a direção para outra pessoa.

Era, aproximadamente, 22h e eu não achei apropriado parar o carro para pedir ajuda, até porque seria muito difícil conseguir socorro naquela hora.

Desde o primeiro instante orava como podia, em voz alta, solicitando ajuda da espiritualidade. O domínio da entidade sobre o meu psiquismo era intenso e tinha dúvida se conseguiria chegar a Rio Preto dirigindo. Mas insisti e com a ajuda espiritual, suando até às bicas, consegui chegar à minha casa.

Liguei de imediato, como muita dificuldade em razão do meu estado, para o Sr. Rubens (*) pedindo socorro. Eu era muito envergonhado e quase nunca fazia isso. Mas não via outra saída.

Após ouvir-me, Sr. Rubens me disse que estaria orando por mim e para eu pedir para o Espírito que se chamava “Maura”, conhecida trabalhadora espiritual das reuniões mediúnicas em favor dos suicidas que são realizadas no Kardec (**).

Como num passe de mágica, instantaneamente, os sintomas desapareceram, sem que ao menos eu pronunciasse o nome da protetora espiritual.

Já em meu estado “normal” disse para Sr. Rubens que a entidade havia sido encaminhada. Que me encontrava muito bem.

Foi então que ele me revelou que se tratava de um irmãozinho suicida que a espiritualidade ligou a mim para que pudesse ser socorrido.

-Fernando, disse Sr. Rubens, é fulano de tal, aquele seu amigo que suicidou-se e morava naquela cidade, se lembra?

Sr. Rubens possuía uma clarividência muito peculiar, que lhe oferecia condições de rapidamente “ver com clareza” o que estava acontecendo com as pessoas. Enxergava “por dentro”.

O pesquisador brasileiro Hernani Guimarães Andrade considera a clarividência como:

“capacidade de perceber visualmente, sem usar o sentido da vista, cenas, imagens, seres, tanto visíveis quanto invisíveis para as pessoas comuns; posteriormente, este vocábulo, na Parapsicologia, adquiriu um significado mais amplo, abrangendo toda a gama de fenômenos compreendida pela criptestesia geral na nomenclatura de Richet” . Envolveria portanto, fenômenos de telepatia, clariaudiência, transposição dos sentidos e premonição.”

Clarividência é uma faculdade anímica, não mediúnica, “inerente” à própria pessoa, não dependendo exclusivamente da ação de espiritual para ocorrer. Não devemos confundi-la, portanto, com a vidência mediúnica.

Fiquei perplexo, sem saber ao certo o que falar, mas feliz em saber que, mesmo com muita dificuldade e sofrimento, pude ajudar alguém.

Hoje meu amigo suicida, já em melhores condições, auxilia outros suicidas que se encontram em desespero.

“A melhor forma de ajudar a si mesmo é ajudando os outros.”

Fernando Rossit


Nota do autor:
*Sr. Rubens, ex-diretor do Kardec, desencarnado em 2008.

Notas do editor:
** “Kardec”, mencionado no texto pelo autor, refere-se à Associação Espírita Allan Kardec, localizada à rua Floriano Peixoto, 975, em São José do Rio Preto-SP.
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em < https://www.kardecriopreto.com.br/o-amigo-suicida/>. Acesso em: 22OUT2017.

Fernando Rossit
Fernando Rossit

Funcionário público, residente em São José do Rio Preto, Espírita desde 1978, trabalhador da Associação Espírita Allan Kardec, atuando como Doutrinador, Médium Psicofônico, Orador e Instrutor Cursos da Doutrina Espírita.

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