
A Terra
Neste imenso Educandário de Almas há tarefas múltiplas e urgentes para todos
“Ajuntem-se as águas debaixo dos Céus
num lugar; e apareça a porção seca.” (1)
Segundo Emmanuel (2), “(…) existe uma Comunidade de Espíritos Puros e Eleitos pelo Senhor Supremo do Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as Coletividades Planetárias. Essa Comunidade de seres angélicos e perfeitos, da qual Jesus é um dos membros divinos, apenas já se reuniu, nas proximidades da Terra, para a solução de problemas decisivos da organização e da direção de nosso Orbe, por duas vezes no curso dos milênios conhecidos: a primeira verificou-se quando o Planeta se desprendia da Nebulosa Solar, a fim de que se lançassem, no tempo e no espaço, as balizas do sistema cosmogônico e os pródromos da vida na matéria em ignição; e a segunda, quando se decidia a vinda do Senhor à face da Terra, trazendo à família humana a lição imortal do Seu Evangelho de amor e redenção.
(…) Jesus definiu todas as linhas de progresso da humanidade futura engendrando a harmonia de todas as forças físicas que presidem ao ciclo das atividades planetárias.
A ciência do mundo não Lhe viu as mãos augustas e sábias na intimidade das energias que vitalizam o organismo do Globo. Substituíram-Lhe a providência com a palavra “natureza”, em todos os estudos e análises da existência, mas o Seu amor foi o Verbo da Criação do princípio, como é e será a coroa gloriosa dos seres terrestres na Imortalidade sem-fim…
E, quando serenaram os elementos do mundo nascente, quando a luz do Sol beijava, em silêncio, a beleza melancólica dos continentes e dos mares primitivos, Jesus reuniu nas alturas os intérpretes divinos do Seu pensamento. Viu-se, então, descer sobre a Terra, das amplidões dos espaços ilimitados, uma nuvem de forças cósmicas, que envolveu o imenso laboratório planetário em repouso.
Daí a algum tempo, na crosta solidificada do Planeta, como nos fundos dos Oceanos, podia-se observar a existência de um elemento viscoso que cobria toda a Terra.
Estavam dados os primeiros passos no caminho da vida organizada. Com essa massa gelatinosa, nascia no Orbe o Protoplasma (que Moisés (3) nos deu a conhecer há séculos com o nome de vapor e que os modernos cientistas da Nasa estão chamando de poeira cósmica) e, com ele, lançara Jesus à superfície do mundo o germe sagrado dos primeiros homens.”
Indescritíveis foram o carinho, o cuidado e a previdência na manipulação dos elementos brutos que formaram o nosso Orbe... Agora, quando observamos a humanidade malversando e abusando do usufruto do Planeta, malsinando-o, depredando-o, poluindo-o, desrespeitando-o, concluímos quão ingrata é!…
Precisamos respeitar a mãe Terra como nossa Escola abençoada, como nosso Hospital reparador das mazelas, como Oficina de trabalho incessante no Bem.
A Criação trabalhou de forma impecável, irreprochável… Os desequilíbrios existentes correm por conta da imprevidência e obtusidade dos homens.
Prossegue Emmanuel com sua narrativa (2): “a Terra tem a sua missão e a sua grandeza. Libertemo-nos do mal que opera em nós próprios e receber-lhe-emos o amparo sublime convertendo-nos junto dela em agentes vivos do abençoado Reino de Deus... Cada dia é o ensejo bendito de aprender e auxiliar… Por mais aflitiva seja a sua situação, ampare sempre, agindo assim no abençoado serviço de salvação a que o Senhor nos chamou”.
Aprendamos a valorizar o poder da humanidade e a força do exemplo na luta pela sobrevivência junto ao Planeta e na busca dos ideais; penetremos os domínios da experiência e, de posse desta, encontraremos os frutos sazonados da aquisição do Amor e da Sabedoria. Não imitemos os lavradores maus (4) que não corresponderam à confiança do Senhor da Vinha, não entregando a parte que lhes competia entregar dos frutos colhidos e ainda feriram, espancaram e mataram os Seus enviados.
Neste imenso Educandário de Almas há tarefas múltiplas e urgentes para todos, uma vez que a vida é movimento, progresso, ascensão…
Apesar de catalogada à conta de mundo de provas e expiações, sem embargo, não podemos considerar a reencarnação na Terra como se fosse um castigo ou apenas um impositivo natural, mas um prêmio pelo ensejo de aprendizado. Mesmo dentro de seu contexto expiatório/provacional, a Terra está, segundo Emmanuel, (2) voltada “(…) à glória do ensino e pode ser comparada a uma Universidade Sublime, funcionando em vários cursos e disciplinas.
A Terra é um magneto enorme, gigantesco aparelho cósmico em que fazemos, a pleno céu, nossa viagem evolutiva. Comboio imenso, a deslocar-se sobre si mesmo e girando em torno do Sol, podemos comparar as classes sociais que o habitam a grandes vagões de categorias diversas. De quando em quando, permutamos de lugar com os nossos vizinhos e companheiros: quem viaja em instalações de luxo volta a conhecer os bancos humildes em carros de condição inferior; quem segue as acomodações singelas, ergue-se depois, a situações invejáveis, alterando as experiências que lhe dizem respeito.
O trabalho é a escada divina de acesso aos lauréis imarcescíveis do Espírito. Ninguém precisa pedir transferência para Júpiter ou Saturno, a fim de colaborar na Criação de novos Céus. A Terra, nossa casa e nossa oficina, em plena paisagem cósmica, espera por nós, a fim de que a convertamos em glorioso paraíso.
Rogério Coelho
Referências:
(1) Gênesis, 1:9;
(2) XAVIER, F. Cândido. A Caminho da luz. 37.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2008, cap. 1.
(3) Gênesis, 2:6; e.
(4) Mateus, 21:33 a 41.
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