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Comunicações mediúnicas 

novembro 6, 2020

 

Examinai os médiuns e a utilidade das comunicações para ver se procedem de Fonte Divina 

 

Estudai, comparai, aprofundai. Incessantemente vos dizemos 

 que  o  conhecimento  da  verdade só a esse preço se obtém”. 

  • Allan Kardec (1) 

 

Há dois milênios João, o Evangelista, já nos alertava acerca dos percalços no âmbito do intercâmbio mediúnico, e por isso recomendava “experimentar se os Espíritos são de Deus.” 

Allan Kardec retoma a questão que se torna de vital importância nesta época difícil de transição em que se encontra o nosso Orbe, vez que existe uma perigosíssima categoria de falsos cristos e falsos profetas que se encontra não entre os encarnados, mas no mundo espiritual: são os Espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos e pseudossábios, que passaram da Terra para a Erraticidade e tomam nomes venerados para, sob a máscara com que se cobrem, facilitar a aceitação das mais absurdas ideias. 

Segundo ainda o ínclito Mestre Lionês, o Espiritismo nos faculta o meio de experimentá-los, mirando-lhes sempre os caracteres morais, nunca os materiais. 

É à maneira de se distinguirem dos bons os maus Espíritos que, principalmente, podem aplicar-se estas palavras de Jesus (2)pelo fruto é que se reconhece a qualidade da árvore; uma árvore má não os pode produzir bons.” 

Julgam-se os Espíritos pela qualidade de suas obras, como uma árvore pela qualidade de seus frutos. Ora, as obras dos Espíritos, são as comunicações grosseiras, frívolas, sérias e instrutivas, como tão bem e didaticamente classificou Kardec (3): 

As comunicações grosseiras – são as concebidas em termos que chocam o decoro e só podem provir de Espíritos de baixa estofa, ainda cobertos de todas as impurezas da matéria, e em nada diferem das que provenham de homens viciosos; 

As comunicações frívolas – emanam de Espíritos levianos, zombeteiros, ou brincalhões, antes maliciosos do que maus, e que nenhuma importância ligam ao que dizem. Como nada de indecoroso encerram, essas comunicações agradam a certas pessoas que com elas se divertem, porque encontram prazer nas confabulações fúteis, em que muito se fala sem nada dizer; 

As comunicações sérias – são ponderosas quanto ao assunto e elevadas quanto à forma.   Toda comunicação que, isenta de frivolidades e de grosseria, objetiva um fim útil, é uma comunicação séria.    

No tocante às comunicações sérias, cumpre se distingam as verdadeiras das falsas, o que nem sempre é fácil, porquanto, exatamente à sombra da elevação da linguagem, é que certos Espíritos presunçosos procuram conseguir a prevalência das mais falsas ideias e dos mais absurdos sistemas; 

As comunicações instrutivas – são todas sérias e verdadeiras, pois o que não for verdadeiro não pode ser instrutivo. Consistem num ensinamento qualquer, dado pelos Espíritos sobre as Ciências, a Moral, a Filosofia, a Psicologia, comportamento, etc…  São mais ou menos profundas, conforme o grau de elevação do Espírito que as emitem. 

Kardec desenhou muito bem o perfil de uma boa comunicação mediúnica na qual, três coisas são absolutamente necessárias: 

1 – Que proceda de um bom Espírito; 

2 – Que seja transmitida através de um bom médium; 

3 – Que seja útil. 

“Laboram em erro” – informa Kardec (4) – “quem, simplesmente por ter ao seu alcance um bom médium, ainda mesmo com a maior facilidade para escrever, entendesse de querer obter por ele boas comunicações de todos os gêneros. A primeira condição é certificar-se a pessoa da fonte onde promanam, isto é das qualidades do Espírito que as transmite; porém, não menos necessário é ter em vista as qualidades do instrumento oferecido ao Espírito. Cumpre, portanto, se estude a natureza do médium como se estuda a do Espírito, porquanto são esses os dois elementos essenciais para a obtenção de um resultado satisfatório.  

Um terceiro existe que desempenha papel igualmente importante: é a intenção, o pensamento íntimo, o sentimento mais ou menos louvável de quem interroga.” 

Vemos, assim que o caminho do Espiritismo prático está inçado de escolhos. Portanto, para que os nossos pés não sangrem nas farpas aceradas dos enganos e não fiquem enredados nos cipoais dos equívocosnecessário se faz atentar para a recomendação do apóstolo João, acerca do exame dos Espíritos. E poderíamos, ainda, acrescentar com Kardec: examinai os médiuns e a utilidade das comunicações para ver se procedem de Fonte Divina, e, portanto de real importância para nossa economia espiritual.” 

Rogério Coelho 

 

Referências: 

(1) KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 71.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2003, 2ª parte, cap. XXVII, item 301, § 4º; 

(2) Mateus, 7:16 a 20; 

(3) KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 71.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2003, 2ª parte, cap. X; e 

(4) KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 71.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2003, 2ª parte, cap. XVI, item 186. 

 

Rogério Coelho
Rogério Coelho

Rogério Coelho nasceu na cidade de Manhuaçu, Zona da Mata do Estado de Minas Gerais onde reside atualmente. Filho de Custódio de Souza Coelho e Angelina Coelho. Formado em Jornalismo pela Faculdade de Minas da cidade de Muriaé – MG, é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Converteu-se ao Espiritismo em outubro de 1978, marcando, desde então, sua presença em vários periódicos espíritas. Já realizou seminários e conferências em várias cidades brasileiras. Participou do Congresso Espírita Mundial em Portugal com a tese: “III Milênio, Finalmente a Fronteira”, e no II Congresso Espírita Espanhol em Madrid, com o trabalho: “Materialistas e Incrédulos, como Abordá-los?” Participou da fundação de várias casas Espíritas na Zona da Mata Mineira.

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