
Materialismo e a Compreensão Espiritual
Muito há que se escrever para que tenhamos uma exata compreensão sobre a imperiosa necessidade de buscarmos a nossa espiritualização para a derrocada definitiva do materialismo reinante. A vida perde o seu sentido, a sua significação, a sua razão de ser, quando o homem se afasta da compreensão espiritual, buscando no mundo material a única explicação das coisas.
Muitos, nos tempos atuais, são os que não acreditam em nada que possa subsistir depois da morte e vivem inteiramente imersos nos problemas imediatos, funcionando como uma máquina, muito próximos ainda, da concepção cartesiana (1) dos animais: corpos em atividade mecânica, sem alma. O mais grave é que, em meio a esse funcionamento inconsciente a que se entregam, se alguma desgraça lhes ocorrer, os horizontes se fecharão e nenhuma perspectiva lhes restará e é por isso que alguns, recorrerão ao suicídio, já que a morte para eles, é o fim de tudo.
Na obra “O Homem Novo” de José Herculano Pires”, no capítulo no qual ele trata do Negativismo e a Crendice, suas colocações são perfeitas. Diz ele: “Se o materialismo da vida prática é perigoso, também o é o materialismo teórico, intelectual, equivalente a uma cegueira mental, que não permite ao homem divisar os contornos da realidade. O materialista intelectual, que se apoia numa doutrina filosófica negativa, sente-se forte para enfrentar o mundo enquanto não lhe faltam os recursos materiais da existência. Mas, diante do desastre, do fracasso temporário, de uma mutilação moral ou física, essa ideia será facilmente eclipsada por outra: a do nada.”
E continua: “Por outro lado, no reverso da medalha, a crendice do religiosismo comum não é menos perigosa que o materialismo.” Significa dizer que o homem que crê sem se questionar, sem procurar compreender, apegado às crenças que lhe foram impostas por tradição, está sujeito às mesmas dolorosas surpresas daquele que em nada crê. Ele complementa essa ideia dizendo que o ateísmo e crendice são os dois extremos perigosos da condição humana.
É por essa razão que Kardec inscreveu, em o Evangelho Segundo o Espiritismo, esta máxima: “Só é inabalável a fé que pode encarar a razão face a face, em todas as etapas da humanidade”. E é por isso também, que o Espiritismo insiste na necessidade do esclarecimento permanente da razão para os problemas da fé, combatendo o materialismo, por meio da observação e experimentação científicas, que, certamente, ao tempo certo, colocarão a pá de cal nos equívocos e crendices de toda ordem. Importante ressaltar que o Espiritismo não combate nenhuma religião, mas combate o fanatismo religioso.
Suas armas são o esclarecimento através da pesquisa, do estudo e da exposição da verdade. Se a criatura humana se desse ao trabalho de abrir sua mente para buscar essa verdade, quanto todos não seriam mais equilibrados e o mundo, melhor.
Por outro lado, como há um planejamento sideral que atende aos imperativos da Lei do Progresso e da Lei de Evolução, chegaremos sim, a patamares espirituais elevados, os quais serão alicerçados por uma fé raciocinada, em perfeita sintonia com a ciência, que fará o incrédulo crer e o materialismo desaparecer.
Infelizmente, em tempos atuais, muito ainda há que se fazer para livrar o mundo do materialismo. Somente o avanço científico e o esforço individual em busca da verdade poderão corroborar o novo conceito da Fé, estabelecido pelo Espiritismo, como um dom natural, presente no coração de todas as criaturas, à semelhança do Amor, que todos trazem em gérmen dentro de si, mas que precisa ser cultivada à luz da razão. Fé e razão se ligam como o Sol e a Terra. A Razão seria como o sol, iluminando o nosso entendimento, nos libertando das trevas e da ignorância. O materialista, o ateu, o homem sem fé são como um peixe de águas profundas, que a sabe dominar, mas, ainda não conhece a luz do sol.
A luz da razão, à semelhança da luz solar, fará germinar e crescer o poder da fé em seu coração.
Ninguém se perde, ninguém está condenado para sempre. A Justiça de Deus se cumpre no íntimo de nós mesmos, porque Deus está em nós, presente em nós na misericórdia de suas leis.
Martha Capelotto
Nota da autora:
(1) René Descartes – filósofo e matemático francês, nascido em 1596, criador do pensamento cartesiano, que lançou as bases do racionalismo, como única fonte do conhecimento.
Nota do Editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://portal2013br.wordpress.com/2016/04/14/o-materialismo-espiritual/>. Acesso em: 30MAR2021.
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