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Mansos e pacíficos?

julho 4, 2021

No culto do Evangelho no lar, abrimos uma página ao acaso do Evangelho Segundo o Espiritismo e nos caiu o capítulo 9, Bem-Aventurados os Mansos e Pacíficos. Lendo isso nos vem à mente o quanto precisamos evoluir para alcançarmos tais virtudes.

Estamos vivendo momentos no Brasil e no mundo em que somos desafiados manter a mansidão, a calma, pois a razão e o bom senso nos fazem lembrar que somos todos imperfeitos e não podemos julgar, apesar de nunca podermos ser coniventes com o que está sabidamente errado.

É difícil ainda para nós, que estamos saindo lentamente de um mundo de provas e expiações rumo à regeneração, sermos pacienciosos, bondosos, tolerantes, enfim, pacíficos e mansos o tempo todo, absolutamente não conseguimos ainda. Somos tal qual o gráfico de um eletrocardiograma, subindo e descendo; algumas vezes nos mantemos calmos, outras não nos controlamos e a raiva nos invade, com recheios de julgamento e intolerância. O que nos consola, após os erros cometidos, é que sempre teremos a chance de melhorarmos e novas tentativas poderão ser empreendidas, basta querer. O presente é realmente um presente, nesse sentido.

Percebemos como a resposta de Deus tem vindo rapidamente em certas situações para colocar-nos nos trilhos da Lei do Amor novamente. Peço licença para narrar o que me aconteceu um dia desses: Caminhávamos, eu e meu marido a título de exercício físico pelas ruas, usando nossa máscara indispensável, quando avistamos uma senhora sem máscara vindo em nossa direção. Rapidamente desviamo-nos tentando dar uma distância segura da cidadã, quando distraidamente, imersa em pensamentos de revolta pela imprudência da senhora, tropecei numa irregularidade da calçada e tombei no chão feito uma fruta madura. E não é que a cidadã veio ao meu encontro para ver se estava bem e ajudar-me a erguer-me? Meu companheiro só olhou e disse: “Viu? O ódio mata” e isso que ele é materialista e não estava incomodado com o fato como eu. Não é necessário dizer ao leitor a vergonha que senti, dando-me conta que poderia ter agido diferente.

Como que mesmo sabendo um pouco do que Jesus nos recomenda, alguma coisa sobre a Doutrina Espírita, ainda gero este tipo de sentimentos negativos contra nossos irmãos agindo tão impulsivamente? A afirmativa de Emmanuel é muito verdadeira: “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim.” (Romanos, 7:19-20)

Pelas palavras de Emmanuel, o pecado ainda está em nós. Esse é o nosso joio. Mas se desejo não “pecar” mais, já é um avanço, pois estamos percebendo as Leis de Deus em nossa consciência através do arrependimento.

A sorte é que temos a Doutrina Espírita para abrir os nossos olhos, fazendo-nos enxergar a nossa realidade pelo autoconhecimento e dando-nos possíveis soluções tais como estes dois exemplos dentre uma infinidade de outros:

 “Toda vez que ocorrer um pensamento servil, doentio, perverso, malicioso, injusto, de imediato substituí-lo por um digno, saudável, amoroso, confiante, justo.”(1)

“Qual o meio prático mais eficaz para se melhorar nesta vida e resistir ao arrastamento do mal?

– Um sábio da Antiguidade vos disse: Conhece-te a ti mesmo.”(2)

O belo tombo que levei ensinou-me que ainda tenho sentimentos de revolta; mas que preciso educar meus impulsos negativos, até porque, apesar daquela irmã estar errada, não preciso me revoltar contra ela. Todas as reflexões que me vieram à mente, usando o método sugerido pelos Espíritos Superiores em Kardec, da fé raciocinada, já me modificaram um tantinho, fazendo uma mínima gotinha de Jesus estar em mim.

O nosso caminho é longo, mas não podemos desistir nunca. Temos que apostar na “gotinha”, pois ela um dia será um mar, seremos bem-aventurados então, como o Mestre disse.

Maria Lúcia Garbini Gonçalves

Referências:
(1) ÂNGELIS, Joana. Psicografado por Divaldo Pereira Franco. Orientação Terapêutica à Luz da Psicologia Espírita; e
(2) KARDEC, Allan. Livro dos Espíritos. Questão 919.

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://www.wemystic.com.br/oracao-sao-marcos-sao-manso/>. Acesso em: 04JUL2021.

Maria Lúcia Garbini Gonçalves
Maria Lúcia Garbini Gonçalves

Tradutora, mora em Porto Alegre/RS, estudante da Doutrina Espírita, trabalha no Grupo Espírita Francisco Xavier como médium.

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